Hipocampo: conceito e papel da glândula

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Desde sempre, o ser humano tenta captar tudo o que pode para guardar dentro de sua memória, eternizando cada ação. É como se houvesse uma espécie de cartão de memória biológico, pronto para guardar cada informação que captamos. Essa é a função do hipocampo, estrutura responsável por isso, então continue a leitura e descubra mais.

O que é o hipocampo?

Hipocampo é o nome da composição encontrada nos lóbulos temporais do ser humano, dividida igualmente dos dois lados. Como dito no começo do texto, funciona como um cartão de memória dentro de cada um de nós, guardando informações em nossa memória. Dessa forma, graças a ele, podemos reter informações vitais para nossa sobrevivência.

Anatomicamente falando, trata-se de parte integrante do nosso sistema límbico, setor responsável por nossas emoções. O seu formato curvado lembra bastante a forma de um cavalo-marinho. Ao nomear a região, essa semelhança foi relembrada quando utilizaram as palavras gregas Hippos= cavalo e Kampi= curva para nomear a região.

Qual a sua função

Basicamente, trata-se do órgão responsável pela memória. Ele é o principal responsável por transformar nossa memória de curto prazo em longo. Um bom exemplo de como isso funciona é na velhice, perto dos 80 anos. Devido a um desgaste natural do tempo, perdemos cerca de 20% das ligações nervosas, o que resulta em declínio da memória.

Antes disso, quando sofremos lesões no hipocampo temos mais dificuldades em produzir novas memórias. Cada experiência nova, infelizmente, não é guardada pelo cérebro quando o canal está lesionado. Sendo assim, para quem tem a lesão, há uma sensação desconfortável e constante de não saber onde está ou como chegou ali.

Vale notar que o esquecimento depende bastante da lesão sofrida.Por exemplo, uma pessoa pode ter os dois lado afetados e esquecer de tudo o que vem depois. Já outra, ao sofrer uma lesão parcial, apresenta dificuldades em reter novos fatos. Contudo, ainda se mostra capaz de guardá-los.

Na ficção

De forma bastante humorada, isso já foi retratado nos cinemas. No filme de 2004 Como se fosse a primeira vez, Adam Sandler vive Henry Roth, um veterinário mulherengo no Havaí. Em determinado dia, ele conhece Lucy Whitmore, vivida por Drew Barrymore e se apaixona. Contudo, Lucy tem um problema: ela não consegue reter novas memórias, vivendo sempre o mesmo dia.

No decorrer do filme, Henry tenta conquistá-la dia após dia para que se apaixone por ele novamente. Em determinado momento, o pai da mulher lhe conta a verdade: Lucy sofreu um grande acidente, o que resultou na incapacidade de criar novas memórias. Assim, ainda que não saiba, a jovem é obrigada a viver o mesmo dia.

O roteiro trabalha bem a situação de forma bem leve. Lucy se lembra de cada momento antes do acidente, mas se mostra incapaz de aprender ou reconhecer coisas após isso. Ainda que dolorosa até certo ponto, Henry encontra uma solução ao casal. Ele grava sua vida ao lado dela, mostrando o que ela perdeu durante esse tempo, mas também o que ganhou.

Características

O hipocampo possui características bem singulares, bem como a função que ocupa. Elas são determinantes para a sua atuação, visto que a localização e anatomia contribuem para esse papel. São elas:

Simetria no cérebro

Nosso cérebro possui uma divisão em dois hemisférios. Da mesma forma, o hipocampo o acompanha, seguindo na mesma divisão. Seu trabalho é dividido igualmente, fazendo a manutenção do que captamos no dia a dia.

Forma de cavalo-marinho

Mais uma vez a natureza mostra que suas formas são finitas. Essa região possui o curioso formato de cavalo-marinho, servindo de base para a sua nomenclatura.

Canal transmissor

Ainda que seja de suma importância para a memória, o hipocampo não é o local onde ela fica guardada. Ele conduz cada lembrança nossa para o córtex cerebral, lugar onde deve realmente ficar. O hipocampo informa da relevância de cada experiência para nós. Dessa forma, o córtex dará mais importância a um evento de acordo com sua prioridade.

Casos

A memória é um objeto de extrema avaliação por partes dos cientistas. Graças a isso, muitos casos tomaram a atenção nos últimos anos. Veja alguns:

Epilepsia

Para amenizar os empecilhos que um paciente tinha por conta da epilepsia, os médicos conseguiram um feito grandioso. Eles conseguiram retirar os dois lados do seu hipocampo. Naturalmente, ele deixou de registrar eventos recentes a ele. Ainda que a sua memória anterior tivesse intacta, as novas lembranças não eram guardadas como deveriam.

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Essa retirada acabou por destruir todos os sintomas que o paciente possuía por conta da epilepsia. Ainda que fosse incapaz de gravar algo novo, ganhou uma maior qualidade de vida.

Jill Price

Ainda no início dos anos 2000, a norte-americana contatou Jim McGaugh, especialista em atividade cerebral, e contou um fato bastante curioso. Ela afirmava que conseguia se lembrar perfeitamente de cada parte da vida após os 12 anos de idade. Teste a avaliaram e confirmaram a informação: Jill possuía a Síndrome Hipermnésica, também conhecida como super memória

Jill se lembrava perfeitamente de tudo o que lhe acontecia com exata precisão. Feriados, encontros que tivera, tudo o que comeu nos anos anteriores… Ao se unir a McGaugh, iniciou um movimento para estudar o fenômeno da hiper memória, obtendo dados valiosos à comunidade científica.

Lonni Sue Johnson

Devido a uma encefalite, Lonni Sue Johnson quase perdeu toda a área do seu hipocampo. A americana se encontrou à beira da morte, e na recuperação precisou reaprender a falar, comer e andar. Contudo, essa nova vida erradicou qualquer vestígio da antiga.

A artista não se lembra de seu trabalho em revistas importantes, não se recorda dos pais falecidos e tão pouco do marido. Qualquer traço dos prazeres e dores que esta sentia foram apagados. Até pilotar aviões, sonhos e desafio de muitas pessoas, parece uma realidade distante. Agora, para Lonni existe apenas o presente.

Diante de tudo isso, podemos observar a nossa vida como a criação de um imenso livro. O hipocampo seria a caneta que escreveria cada momento nosso, guardando nas páginas de nosso cérebro tudo aquilo que somos. Contudo, quando perdemos esse canal, corremos o risco de esquecer quem somos e perder nossas essência.

Não existe uma receita para guardar esse componente tão vital para a gente. Infelizmente, qualquer impacto maior pode nos expor a um risco de perder nossas lembranças. Ainda assim, trabalhe para preservar sua memória através de exercícios e atividades integradoras. Enquanto podemos e enquanto estivermos sadios, devemos preservar tudo aquilo que nos é importante.

Longe disso, já se esqueceu de algum momento ou data importante? O que acha que ajudou a levar a isso? Lembre-se de deixar o seu comentário abaixo informando mais algum dado relevante ao tema.

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