I Ching: breve resumo sobre o livro das mutações

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Desde a sua mais tenra manifestação literária, o Oriente tem entregado valiosas lições descobertas e replicadas pelo Ocidente. A manifestação literária, cultural e social de lá nos dá a chance de entrar em contato com a nossa parte mais íntima. Veja um breve resumo sobre I Ching e como ele pode mudar sua vida.

Resumo

I Ching constitui cada pilar da sabedoria chinesa que interliga o homem consigo e com a natureza. É a reunião de estudos que estuda o mundo em relação ao homem e se utiliza da matemática, astronomia e fenômenos para tal. Em suma, o livro é um texto sagrado e muito antigo que objetiva o autoconhecimento em cada um de nós.

Desse lado do mundo, a obra é mais lembrada por se comportar como um oráculo, embora seja mais que isso. Por meio de dois rituais, fazemos perguntas a nos mesmos e obtemos a resposta por meio de símbolos. Você pode optar pelo ritual das moedas ou pelo ritual das varetas para isso. Independente do caminho, as perguntas que possui serão devidamente atendidas.

Voltando até a China, a cultura local afirma que o nome de algo deve ser visto como a expressão do ser. Tanto que I, de I Ching, é um ideograma que significa mudança, mutação. Com isso, reitera a filosofia chinesa de que tudo é mutável, menos a própria mutação, que permanece constante. Ching significa “clássico”. Assim, em tradução livre, temos O clássico das mutações.

Origem

Segundo a tradição chinesa, um ser mítico chamado de Fu Hsi foi o centro de toda a filosofia local. Por meio dele, construíram os pilares de sua sabedoria, objeto representado no I Ching. Com isso, a obra acaba por se tornar um condensado inteligentemente escrito sobre a própria essência da China. Mesmo sendo um livro curto, tem o poder magnífico de transformar.

Continuando, Fu Hsi havia estudado a terra, o céu e os organismos, nomeando cada símbolo. Isso foi feito com base em traços e outras representações mais simbólicas durante a dinastia Chou. Posterior a isso, os textos ainda foram complementados pelo duque Chou e pelo próprio rei Wên. O rei adicionou os trechos de “Julgamento” ao estudo.

Ademais, as nomeadas Dez asas foram escritas e trabalhadas pelo sábio Confúcio, este que deu o nome Ching ao trabalho. No mundo ocidental, quem abriu as portas para o livro foi Richard Wilhelm. O tradutor alemão levou 10 anos para traduzir o trabalho, até finalmente lançá-lo em 1923.

Dificuldades

I Ching possuía uma infinidade de símbolos em detrimento de palavras escritas. Dessa forma, quem fosse lê-lo necessitaria trabalhar minuciosamente para fazer uma interpretação adequada do material. Com o passar do tempo, diversos sábios contribuíram com textos explicativos ao leitor. Ainda que bem-vindos, muitos comprometiam o significado real dos símbolos.

Os símbolos do livro se condensam em 64 hexagramas, que são figuras construídas com base em seis linhas. Os hexagramas em si são compostos pela combinação de 8 trigramas que fazem referência à composições da natureza e universo. Cada um é acompanhado de um julgamento próprio e textos interpretativos. Com isso, seus significados se desdobram.

Ainda que a estrutura da obra se ramifique, a sua linguagem não é tão difícil quanto parece. O texto em si busca a simplicidade, fazendo o leitor imergir no espírito comum do orientais. Dessa forma, deve abrir mão da pressa e se entregar a uma reflexão profunda e verdadeira. Se não for feito assim, o oráculo do texto se negará a responder qualquer pergunta imediata que tenha.

Ensinamentos

I Ching, mesmo sendo um livro conciso, traz valiosas lições para quem o lê. A ideia e que o leitor olhe para si mesmo enquanto busca por uma iluminação em sua vida. A partir daí, o mesmo pode encontrar:

Paciência

Como dito linhas acima, é preciso que se trabalhe devagar para que obtenha o retorno necessário que precisa. Assim, o oráculo do livro pode se recusar a responder qualquer pergunta se a mesma exigir resposta rápida e superficial. Com isso, procure enxergar o lado positivo da paciência e as ondulações benéficas que esta pode trazer a você.

Autoconhecimento

À medida em que procuramos respostas no livro, acabamos criando uma percepção maior sobre nós mesmos. Dessa forma, tomamos mais consciência de quem somos, do que somos e o que podemos fazer. Poucas obras evocam a uma reflexão tão profunda sobre nós mesmos. Permita-se criar uma jornada interiorizada na sua essência.

Direcionamento

Com cada resposta obtida, podemos elucidar dúvidas que bloqueavam o nosso caminho. Dessa forma, podemos escolher qual a direção que podemos e devemos tomar no momento. Para quem enfrenta fases de extrema mudança, uma reflexão aprofundada da obra pode dar segurança e apoio emocional necessários.

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A humanidade mudou

I Ching foi e continua sendo uma das maiores alavancas de evolução que já encontramos. Por meio do livro, a humanidade encontrou novas diretrizes a serem tomadas, a fim de alcançar um status mais unificado. Isso pode ser visto na maneira em que:

Promove o entendimento pessoal e coletivo

Ainda que o autoconhecimento ganhe destaque aqui, o livro também ajuda a direcionar isso externamente. Assim, além de se conhecer, você consegue ajudar as pessoas a encontrarem o próprio cerne.

Valorizar a verdade

Seja a pessoal ou a coletiva, a verdade ganha poder absoluto na filosofia oriental. Por meio dela, podemos caminhar pela realidade como esta se apresenta. Isso se mostra fundamental para lidar com alguns questionamentos natos da vida.

Ajudar os demais

Valorizando as próprias virtudes, o indivíduo consegue repassar os caminhos delas aos demais. Como dito linhas acima, o compartilhamento é uma constante nesse trabalho. Com isso, a humanidade, indiretamente ou não, acaba sendo ajudada toda vez em que o livro é lido.

Considerações finais: I Ching

I Ching se mostra uma carta de amor ao aprendizado constante a nós mesmos. A obra reúne ensinamentos valiosos que, se bem interpretados, podem conduzir a um caminho de plenitude e paz pessoal. Consequentemente, podemos influenciar os demais, fazendo com que encontrem seus próprios caminhos a partir dessa leitura.

Mesmo construído em tempos de espiritualidade maciça, I Ching consegue subverter conceitos de materialidade e superficialidade cultivados hoje. A ideia aqui é fazer uma limpeza da perspectiva que nutrimos da vida. O oráculo nos conduz aos caminhos que precisamos, mas a resposta, de fato, só nós sabemos.

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