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Infoproletários: significado, características e tipos

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Com tantas pessoas trabalhando na informalidade no Brasil, várias opções de fonte de renda têm chamado a atenção dos brasileiros. A situação para quem quer trabalhar não está fácil, mas o mundo dos infoproletários também não é tão doce quanto pintam. No texto de hoje, você entenderá quem se enquadra como infoproletário, quais as características desse tipo de trabalhador e quais são suas ocupações principais hoje em dia. Confira!

Antes de falarmos nos infoproletários, é importante estudar a uberização do trabalho

Se você já trabalha como psicanalista ou utiliza a psicanálise no seu trabalho, já deve ter percebido o quanto as pessoas têm problemas com suas ocupações.

Enquanto algumas pessoas têm traumas e complexos que nasceram muito antes de elas terem idade para trabalhar, outros problemas igualmente graves nascem no ambiente de trabalho. No entanto, você já parou para analisar a vida de quem sofre pela falta de um trabalho decente?

A crise econômica e o desespero do trabalhador brasileiro

Nos últimos anos, o Brasil se viu em uma crise econômica abismal que deixou muitas pessoas sem emprego. Enquanto por um momento muita gente se preparou para voltar ao mercado de trabalho, uma outra parcela da população não pôde se dar ao luxo de fazer uma pausa.

Por esse motivo, até hoje, mais e mais pessoas se lançam no mundo dos trabalhos informais que é promovido por uma nova cultura: a cultura do compartilhamento.

Também chamada de uberização do trabalho, esse jeito de trabalhar incorpora uma série de relações informais entre empresas e pessoas. Agora não há mais o problema de demissão, já que você não trabalha para instituições como Uber, 99, Rappi e Ifood. Você é um colaborador que presta serviços e ganha de acordo com o que trabalha. A princípio parece justo, contudo a falta de compromisso entre empresa e colaborador pode ser muito perigosa.

Problemas de lidar com a cultura do compartilhamento ou economia colaborativa

Na verdade, é falso dizer que você está em uma boa situação se trabalha como motorista de aplicativo ou entregador de comida. Embora você consiga trabalhar e receber de maneira proporcional, é provável que esteja excedendo os seus limites físicos para ter o mínimo de dignidade.

Enquanto isso, empresas que te dão uma parcela mínima do valor de cada compra enriquecem às suas custas sem que você nem ao menos perceba. Quando as pessoas percebem que o sonho de fazer dinheiro de uma maneira mais fácil não é tão fácil assim, enxergam que sua situação não é nem tão ruim quanto o desemprego, nem tão boa quanto um emprego que traga satisfação e uma situação econômica decente.

Nesse contexto, estar no meio termo por muito tempo acaba deixando muitos trabalhadores frustrados, desesperançosos e desesperados por uma mudança. Assim, mais e mais consultórios vão se enchendo com histórias de frustração e agonia. Para quem conta a narrativa, apenas uma mudança no cenário econômico do país poderia modificar.

O que são os infoproletários?

Essas pessoas que sofrem com as condições de trabalho que citamos é que são os infoproletários. Junto com os trabalhadores de criação ou gestão de tecnologias informacionais, esse grupo contém:

“o trabalhador que em qualquer atividade que ele desempenha ele depende da máquina digital, informacional, do smartphone ou de alguma modalidade de trabalho digital”. (Ricardo Antunes, sociólogo)

Assim, se você trabalha dirigindo ou fazendo entregas para um aplicativo, você faz parte dos infoproletários. Ainda que trabalhe de casa, escrevendo ou corrigindo redações, você também faz parte desse grupo. Mais abaixo, citamos outros tipos de trabalhador que também se encaixam nessa classificação de define as novas relações de trabalho.

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Tipos mais comuns de infoproletários

  • desenvolvedores de  softwares, aplicativos e/ou jogos computacionais,
  • criadores e/ou administradores de web pages,
  • redatores e revisores,
  • analistas de sistemas,
  • gerentes de projetos,
  • consultores de TI,
  • especialistas em bancos de dados.

Características principais dos infoproletários

Agora que você já sabe porque existem infoproletários e o que eles fazem, hora de saber os motivos que os levam ao escritório do psicanalista. Entre os vários problemas que costumam relatar, estão principalmente:

Alta intensidade

Tomando como exemplo ainda os motoristas e entregadores, veja que esses são trabalhos que obrigam os colaboradores a trabalhar mais a fim de receber mais. Assim, as pessoas se sentem motivadas a trabalhar por mais de 8 horas para conseguir bater metas ou conseguir o dinheiro necessário para por comida na mesa. Por esse motivo, muitas pessoas:

  • dormem pouco,
  • passam menos tempo com a família,
  • não conseguem se preparar para uma futura recolocação no mercado de trabalho.

Pouca criatividade

Na esteira da característica acima, não é necessário ser muito criativo para dirigir um carro. No máximo, você pode se esforçar para receber muito bem os seus clientes a fim de se destacar. Contudo, não necessariamente esse destaque no atendimento te fará ganhar mais por viagem. Assim, a criatividade aqui não precisa ter espaço.

Pouca capacidade de controle

Ainda que você consiga trabalhar mais para ganhar mais, você tem que agir de acordo com as regras da empresa com que colabora. Se não gostar de como as coisas são, a porta aberta sempre é um convite à espreita. Contudo, a necessidade faz com que as pessoas continuem se submetendo ao controle muitas vezes inumano de empresas. 

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Invasão da vida familiar

Com um trabalho que exige muito mais do que retribui, o trabalhador informal se vê cada vez mais longe da família ainda que esteja em casa. Um redator, por exemplo, consegue facilmente realizar seu trabalho na mesa da cozinha. Contudo, apenas se a esposa não o chamar para conversar ou os filhos deixarem de fazer perguntas sobre o dever de casa. Home office estruturado é uma coisa a que nem todos têm o luxo já que, como dissemos, é um luxo mesmo.

Perda do sentido de trabalhar

Tendo tudo o que dissemos em vista, é fácil enxergar que o ato do trabalho é meramente aquilo que você faz para ganhar dinheiro. Assim, não é necessário gostar, criticar ou criar qualquer tipo de relacionamento afetivo com quem você trabalha. Um aplicativo te diz o que fazer e você faz sem questionar.

Ansiedade e depressão

Por todos os motivos acima, ansiedade e depressão são características cada vez mais frequentes nos infoproletários. Ao desempenhar esse tipo de trabalho sem estrutura e remuneração adequada:

  • perde-se o senso de satisfação,
  • a vida não tem graça,
  • as relações humanas vão ficando cada vez mais frouxas,
  • o futuro não apresenta a realização de sonhos,
  • vive-se por viver.

Para entender mais sobre os infoproletários, assista o filme Você não estava aqui e Eu, Daniel Blake

O diretor Ken Loach parece ter capturado bem a essência deste novo jeito de lidar com trabalho em 2 grandes filmes. O primeiro que recomendamos é mais antigo e se chama Eu, Daniel Blake. Nele, um homem fica desempregado e tenta buscar auxilio financeiro do governo. Para isso, é necessário buscar uma reinserção no mercado de trabalho posteriormente, o que fica muita mais difícil sem saúde, motivação e oportunidade.

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Por fim, não deixe de conferir um filme que é praticamente uma releitura deste artigo. O longa chama-se Você não estava aqui e a uberização do trabalho junto com suas consequências são o foco principal. Na narrativa, um homem “conquista”  oportunidade de trabalhar como motorista de entregas e se vê diante de tudo o que engloba tomar essa decisão em sua vida profissional. Não deixe de conferir!

Comentários finais sobre os infoproletários

Hoje você viu que o trabalho informal não é uma história tão bonita quanto pintam. Apesar de tratar muitas vezes de ocupações versáteis que oferecem “dinheiro fácil”, tudo depende do ponto de vista. Se você faz parte dos infoproletários e busca perspectiva em uma vida assim, a terapia é uma boa maneira de tentar encontrar a luz no fim do túnel. Por outro lado, se quiser ajudar pessoas assim, matricule-se já em nosso curso EAD de Psicanálise Clínica!

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