Psicanálise Contemporânea: prática psicanalítica atual

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O presente artigo aborda a Psicanálise até os dias atuais e sua implicância na prática psicanalítica.

Em se tratando de prática psicanalítica, muitas concepções, de diferentes autores, apareceram relativizando as correntes já existentes da psicanálise até os dias atuais, porém em outras formulações há distorções e/ ou desentendimentos conceituais.

Pensando nisso, Zimerman (1999) propõe uma divisão didática em 3 categorias:

• A valorização dos aspectos psíquicos marcou a psicanálise ortodoxa, onde os sonhos sempre foram uma ferramenta preciosa. A análise tinha como principal foco, os desejos proibidos edipianos reprimidos no inconsciente. A técnica era rígida e com muitas sessões semanais, o principal objetivo era a solução dos sintomas das neuroses.

• Na psicanálise clássica o foco amplia, ao invés de apenas neuroses, trata psicoses. A análise se preocupava com a interpretação de emoções arcaicas, fantasias inconscientes e mecanismos de defesa primitivos. As sessões passam a ser mais longas, com 4 ou 5 encontros semanais.

• Na psicanálise contemporânea, o foco é nos vínculos estabelecidos entre Analista e paciente/ analisando. Vínculo esse que remete à relação mãe/ bebê e permite a evolução a partir do psiquismo infantil. Assim o analista exerce uma função marcante. Para isso, faz- se necessário que o analista busque uma formação multidisciplinar, para que possa entender e atender melhor seus pacientes, em sua prática psicanalítica.

Penso que, em decorrência da demanda clamar por um psicanalista pluralista, torna-se primordial e necessário que as diferentes formas, vertentes e modelos de se fazer e pensar psicanálise, dialoguem entre si, visando o bem do analisando, pois cada um é único e com demandas e necessidades diferentes.

A perspectiva do analista na Psicanálise Contemporânea

O ponto de vista do analista deve priorizar essa pluralidade. Ela passa pelas diferentes formações e informações que buscamos e adquirimos ao longo da vida e pelas diversas áreas do conhecimento, e deve-se buscar a interação e integração, quando se fizer necessário, lembrando que também deve acompanhar o que acontece na sociedade, na qual o analisando está inserido, para que se tenha uma escuta sensível aos movimentos do contemporâneo.

Em relação à necessidade dessa escuta sensível, duas formas de subjetivação foram citadas nas obras de Birman (2001):

“O que justamente caracteriza a subjetividade na cultura do narcisismo é a impossibilidade de poder admirar o outro em sua diferença radical, já que não consegue se descentrar de si mesma. Referido sempre a seu próprio umbigo e sem poder enxergar um palmo além do próprio nariz, o sujeito da cultura do espetáculo encara o outro apenas como um objeto para seu usufruto. Seria apenas no horizonte macabro de um corpo a ser infinitamente manipulado para o gozo que o outro se apresenta para o sujeito no horizonte da atualidade.”(p.25).

Visão Atual da Psicanálise sobre Psicopatologias

Por intermédio do que nos foi colocado, torna-se possível supor que isso também está por trás das psicopatologias atuais. Por isso também, torna- se necessário estarmos atentos para uma escuta da atualidade,em nossa prática psicanalítica, respeitando sempre a nova demanda emergente.

Rahel escreve sobre encontrar um idioma para cada analisando, criar a análise de cada um e também, sobre criar uma comunicação bem singular. A prioridade deve ser dada ao uso que o analisando pode fazer com a interpretação que o analista oferece. “O corpo é uma aquisição que tem início em uma soma que terá que receber cuidados, para se transformar em corpo.” ( Rahel repensando conceitos de Winnicott sobre psicossomática).

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Novos métodos e pensamentos na Psicanálise Contemporânea

Muito está sendo pensado, estudado e pesquisado. A psicanálise está em profunda introspecção, no sentido de urgir fazer emergir um retorno crítico à respeito dos grandes autores, em especial às obras do Dr. Freud que, através de sua genialidade, deixou um legado de seres pensantes e altamente dispostos a desenvolver, cada vez mais, essa
grande ciência, chamada psicanálise.

Cada vez mais e mais psicanalistas se unem em grupos de estudo, para dialogarem sobre a teoria e a prática clínica, de forma pluralista, porém levando em consideração todo o legado deixado por Freud e seus discípulos, fiéis e desertores, pois todo o material torna-se de substancial importância e relevância para o atual pensar psicanalítico e o seu fazer, pensando sempre na melhoria da prática psicanalítica.

Essa é a mágica da psicanálise, buscar por meios extra, multidisciplinares, pluralistas para que favoreça o analisando.

NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



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Fernando Urribarri, em seu livro “O pai na teoria e na clínica contemporânea” (pág. 157 ), diz:

“…Como André Green, entre outros autores, nos faz ver, a apaixonante aventura de construir uma nova psicanálise freudiana contemporânea, inaugurada pelos movimentos pluralistas, está em curso. Temos a fortuna de estar
convidados a participar dela. Concebê- la (e praticá-la) como uma matriz disciplinar aberta, como um novo e renovador programa de investigação, é talvez uma das melhores maneiras de inscrevermo- nos subjetivamente nela e de enriquecê- la coletivamente.”

O psicanalista, comprometido com seu trabalho, estará buscando sempre uma melhor prática psicanalítica.

Conclusão: como está a Psicanálise hoje?

Tendo essa visão, os psicanalistas contemporâneos, estão participando ativamente de um novo ápice da psicanálise, na medida em que formulam novos pensamentos, observam e fazem a escuta analítica de forma única, voltada para auxílio do analisando, enriquecendo-se através da pluralidade de seus conhecimentos e saberes e participando suas
experiências aos outros psicanalistas e também através de pensamento crítico, na escrita de um texto, livro ou artigo, dentre outras formas de divulgação da sua jornada psicanalítica.

Assim, torna-se imperioso lembrar que psicanálise é psicanálise, e ela requer o uso do divã, para que o analisando possa divagar livremente e não devemos fugir disso, pois isso é fundamental para a prática psicanalítica, senão
estaremos praticando ou até criando( pensem nisso, pode ser uma inovação) outra forma de psicoterapia.

Sobre a Autora: Karla Oliveira é psicanalista formada pelo nosso Curso de Formação em Psicanálise Clínica. Psicoterapeuta, atua na cidade do Rio de Janeiro-RJ ([email protected]).

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