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Irmãs Papin: entenda o caso e a visão da Psicanálise

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Falaremos hoje sobre uma história impressionante. Em fevereiro de 1933 duas irmãs mataram a esposa e a filha do homem para o qual trabalhavam como empregadas domésticas. Aparentemente, o duplo assassinato foi cometido sem motivo aparente, o que chamou a atenção de Jacques Lacan para o caso das irmãs Papin. Já faz um tempo que estamos falando bastante sobre casos analisados por Freud, não é? Hoje veremos um discutido por outro analista.

Por que trazer um caso isolado de assassinato?

Quando um caso de assassinato fica muito famoso na mídia pela crueldade com que foi cometido, ele chama a atenção das pessoas. Nesse contexto, quando as pessoas assistem às notícias na televisão e ficam assustadas com o que estão ouvindo, é natural perguntar “Como essa pessoa pôde fazer isso?”. Bom, a psicanálise é uma terapia que está preocupada com a investigação de motivos inconscientes por trás de atitudes humanas.

Assim, é por isso que casos como o das irmãs Papin aparecem aqui. No entanto, no que diz respeito a essa história, a repercussão do caso foi bastante grande até pelo momento em que ocorreu. Mais acima, nós já mencionamos que o assassinato cometido pelas jovens foi cometido em meados do século XX, em 1933. Neste momento, os estudos em Psicanálise estavam começando a ganhar notoriedade e um caso desse nível chamou muita atenção.

Além disso, você deve ter em mente que os terapeutas que trabalhavam com a abordagem psicanalítica foram se destacando à medida em que iam analisando casos famosos. Não é à toa que vários dos livros publicados por Freud são análises de casos singulares que ele foi publicando ao longo do tempo.

Biografia das irmãs Papin

Nascimento e família

O termo irmãs Papin é usado para fazer referência a Christine Papin e Léa Papin. As duas nasceram na França e, desde seu nascimento, já viviam em um ambiente familiar totalmente disfuncional. De acordo com o que sabemos da história, antes mesmo de as meninas nascerem, seus pais já estavam cheios de problemas em seu relacionamento. Há boatos de que a mãe delas casou mesmo estando grávida de outro.

A criança que nasceu da relação da mãe das meninas com seu patrão foi sua irmã mais velha, Emilia. As meninas nasceram alguns anos depois, mas a estrutura familiar não dava sinais de melhora. Primeiro nasceu Christine, depois Léa. Nenhuma delas chegou a morar com seus pais após o nascimento. Ambas foram doadas a tios diferentes.

O caso de Léa foi ainda um pouco mais severo, pois após a morte de seu tio, ela foi obrigada a viver em um orfanato até ter idade para trabalhar. Quando isso aconteceu, as irmãs se uniram e começaram a trabalhar juntas como empregadas em vários locais da cidade.

Adolescência e crescimento

Com esse histórico, já era de se esperar que as meninas fossem consideradas como escória social. No entanto, o relato que temos disponível indica que ambas eram boas moças e excelentes trabalhadoras. Apesar de Christine ser considerada um tanto mais insubordinada do que Léa, ambas não contavam com reclamações de seus empregadores.

O trabalho na casa dos Lancelin

Já na vida adulta, as irmãs Papin, que contavam com uma longa reputação como empregadas domésticas, foram contratadas para trabalhar na casa de René Lancelin, um ex-procurador que já estava aposentado. Ele tinha uma esposa, Léonie, e uma filha que ainda morava com os pais, Genevieve.

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Ao longo dos anos em que as meninas trabalharam na casa dos Lancelin, Léonie desenvolveu um quadro severo de depressão. Essa doença funcionou como uma desculpa para que a dona da casa abusasse psicologicamente de suas empregadas. Assim, por esse motivo, ainda que fossem elogiadas por seu trabalho, ambas sofriam muito nas mãos da patroa. Há até relatos de que que elas já sofreram abusos físicos no trabalho.

Em um momento de descontrole, as irmãs acabaram por assassinar tanto a patroa quando a filha do casal. Em um ataque que durou praticamente 30 minutos, as irmãs arrancaram os olhos de Genevieve e finalizaram os crimes. A polícia encontrou as duas trancadas em um quarto, peladas, ao lado das ferramentas que utilizaram para deixar os corpos de suas vitimas irreconhecíveis.

A análise de Jacques Lacan sobre as irmãs Papin

Jacques Lacan tomou ciência do caso das irmãs Papin na época em que estava escrevendo sua tese de doutorado. O caso foi abordado em seu estudo, ainda que não tenha sido seu foco principal de discussão. O tema central da pesquisa de Lacan era a paranoia e o caso das irmãs ilustrou o que ele identificou como relação especular.

Neste tipo de relacionamento, um mecanismo identificatório conduz o sujeito a constituir-se mediante o reconhecimento do outro. Assim, um sujeito se constitui a partir do espelhamento do outro. Em linhas gerais, uma instância psíquica problemática se desenvolveu a partir do relacionamento de espelhamento entre empregadas e patroa. A problemática envolvida no relacionamento acabou culminando no crime.

A recepção social do caso

Luta de classes

Apesar da repercussão do caso no âmbito da Psicanálise, o caso ganhou mais importância principalmente por representar os extremos a que podem chegar os relacionamentos entre patrão e empregado. Nesse contexto, a luta de classes foi usada para motivar informalmente os assassinatos cometidos pelas irmãs.

Relatos indicam que além dos abusos psicológicos e físicos, elas tinha de enfrentar longas jornadas de trabalho com folgas não frequentes. Tendo isso em vista. muitas pessoas acabaram “perdoando” a ação das irmãs, pois a empatia fica muito mais fácil de alcançar quando ficamos por dentro da realidade a que elas eram submetidas.

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Filmes e peças de teatro

Para finalizar nosso relato, gostaríamos de avisar que você pode tomar contato com a história das irmãs Papin por meio de filmes e documentários. Há até peças de teatro que foram feitas com base na história, ainda que isso seja negado por seus idealizadores. Na obra de Jean Genet, por exemplo, intitulada Les Bonnesduas empregadas, que também são irmãs, são maltratadas na casa em que trabalhavam.

Caso queira assistir a alguns filmes, confira Entre elas (1994) ou O caso das irmãs assassinas (2000). No entanto, ao assistir, lembre-se que os eventos retratados não necessariamente correspondem aos fatos. Representações artísticas são releituras e adaptações com base no que aconteceu, apenas. 

Comentários finais sobre as irmãs Papin

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