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O que é Lapso para a psicanálise?

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O que é lapso, no sentido psicanalítico do termo? Neste artigo, falaremos da definição ou conceito de lapso e veremos como pode ser de grande valor para desvendarmos nosso inconsciente.

O que há por trás do esquecimento?

É surpreendente a mente humana, bem como os nossos pensamentos. Enfrentamo-nos em um campo de batalha, onde guerras são travadas diariamente dentro nós.

O que seria um lapso? Um sintoma? Uma doença? Apenas um conflito entre consciente e inconsciente? Uma falta de atenção pelo cansaço físico ou será outro motivo?

Atualmente as pessoas de todas as idades se esquecem de algo, como nomes, datas importantes, tarefas a fazer e entre outras coisas. Será que por detrás de todos esses esquecimentos existem mesmo o tal desejo reprimido?

Lapso – Uma psicopatologia da vida cotidiana

Notamos que de vez em quando escapa alguma frase do tipo: “qual é o nome dela mesmo?”. Este exemplo mostra que o ato falho seria um erro ou um acerto? O que será que o seu inconsciente está querendo trazer para o consciente?

Sigmund Freud fez descobertas fantásticas, como a comprovação do inconsciente, desejos reprimidos, recalque, interpretação dos sonhos entre outros vários sintomas da psique humana.

Freud em 1901 publicou “A psicopatologia da vida cotidiana”, uma obra mundialmente conhecida e de grande contribuição para neurociência. Ela descreve como o nosso inconsciente se expressa no dia a dia. Entre todas as abordagens do livro escolhi ato falho ou lapso Freudiano para descrever a respeito.

Falhas que ocorrem por meio do inconsciente

Desde que o mundo é mundo, cometemos atos falhos, mas será que sabemos na realidade o que significa?

São falhas que ocorrem através do inconsciente, erros como na linguagem (leitura, escrita e fala), memória (esquecimentos) e no comportamento (quebrar, tropeçar e cair). Isso se trata de formações de compromisso entre inconsciente e consciente. É através do ato falho que o desejo do inconsciente é realizado.

Os amantes de Freud sabem o que atos falhos, tem por definição um “tropeço”, aquilo que caminha pelo nosso inconsciente, e que muitas vezes tentamos esconder. A compreensão do real sentido é que o inconsciente trai o indivíduo, que acaba confessando sua l intenção em fazer.

Qualquer pessoa é suscetível a ter um lapso

Um lapso possui um sentido e uma razão, sempre com um significado na sua manifestação e de forma intencional de praticar. Quem nunca assistiu ao programa do Chaves?Tinha um bordão muito utilizado pelo personagem principal: “Foi sem querer, querendo”.

O sem querer é o consciente falando, o querendo é o inconsciente praticando de forma intencional.
Qualquer pessoa está suscetível ao lapso. Para a ciência, os lapsos acontecem com pessoas extremamente cansadas, nervosas e distraídas.

Para Freud, os lapsos revelam pensamentos inconscientes, com uma unidade de linguagem.

O que há por trás de um lapso

“Nossos atos falhos são atos que são bem sucedidos, nossas palavras que tropeçam são palavras que confessam. Eles revelam uma verdade por detrás. (…) Se a descoberta de Freud tem um sentido é este – a verdade pega o erro pelo cangote, na equivocação”. (LACAN, 1954/1986, p. 302).

De acordo com Freud, esses tais fenômenos – “aparentemente tão insignificantes” – possuem uma importância na prática, como na perda de objetos. A psicanálise não subestima nada, o que seria tão pouco, de certa forma, são indícios de onde podemos encontrar revelações maiores.

Freud mostra em seus estudos que o ato falho tem natureza de um “ato psíquico” uma ação puramente psicológica, cheia de sentidos e conteúdos.

O Esquecimento

Há um tipo de ato falho particularmente rico em significados e impenetrável. É aquele em que perdemos um objeto ou não sabemos onde o guardamos.

Nestes casos, muito possivelmente, o objeto é “casualmente” perdido depois de discutir com a pessoa que nos presenteou, da qual nunca mais queremos ou, então, quando deixamos de gostar do objeto e passamos algo para substituí-lo por outro melhor.

O sujeito tem a capacidade de ir contra o objeto, bem como deixar cair, quebrar ou destruir, tudo isso inconscientemente, o ser humano tem uma habilidade para entrar em ação sem que ele saiba da existência do mesmo.

Os principais causadores dos atos falhos

É normal ouvirmos que fulano cometeu um ato falho. Esse ato falho se refere a um lapso ao que foi lido, dito, escutado ou escrito ou até um esquecimento temporal.

Geralmente esse “erro” é agregado ao estresse, cansaço, falha na memória, embora esses fatores possam contribuir somente, é possível que esse ato falho possa estar escondendo algo da pessoa que o cometeu.

Ou então pode ser uma falha evidente da nossa psique e que pode estar ocorrendo para evitar simplesmente um desprazer, revelando um sintoma da psique.

É através do ato falho que o desejo do inconsciente é realizado, portanto, pode-se dizer que nenhum pensamento, palavra ou gesto acontece por acaso.

A ajuda de um especialista pode ser de grande valia para a descoberta do motivo do ato falho

O ato falho ocorre de forma natural, por exemplo, quando se substitui o nome da pessoa com quem se está conversando por outra, ou quando se chama uma pessoa pelo nome de outra, ou até mesmo quando esquecemos o nome.

O motivo real dessa troca ou esquecimento pode ser analisado por um especialista.

Conclusão

Não podemos ficar livre do ato falho; no entanto, esse mecanismo, se bem analisado pode revelar algo profundo do próprio inconsciente. O lapso é uma forma de desnudar fragmentos daquilo que trazemos no inconsciente.

Quando o sujeito busca um autoconhecimento, tem a possibilidade de ir ao encontro dos seus desejos inconscientes, aqueles que estão ocultos, reprimidos, recalcados, mas que se manifestam de várias formas, juntamente com os sintomas psicológicos.

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