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Vamos conversar? Escutar é a essência da Psicanálise

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O ato de escutar é crucialmente importante na psicologia, principalmente na psicanálise. Falar e escutar é parte do crescimento, por isso vamos mostrar por que não recusar a proposta de um Vamos Conversar. Buscando entender o papel da escuta e do diálogo no saber psicanalítico.

Sabendo que a psicanálise, baseia-se no diálogo que ocorre entre o paciente e o psicanalista. Dialogo esse que abre espaço para que o paciente consiga alcançar suas questões, entender a mesmas e trabalhar o que nelas precisa ser melhorado.

O que devemos saber quando vamos conversar?

A fala é desenvolvida na infância e, a partir de então, é utilizada muitas vezes como principal forma de comunicação. Sendo então, usada quando se quer expressar algo, entender algo, apenas socializar, entre outros.

Mas é importante não apenas ouvir quando vamos conversar com alguém, e sim escutar. É crucial uma participação ativa na conversa para que tanto você quanto o outro, sintam-se abertos e interessados na mesma. Incentivar aquele que fala e saber escutá-lo é o primeiro passo para um diálogo produtivo e engrandecedor.

Benefícios proporcionados pela conversa

Manter conversas faz parte do cotidiano de todas as pessoas. Desde conversas descontraídas na fila do banco ou esperando o ônibus, até conversas de caráter filosóficos e profundas. Pensando nisso, temos aqui alguns fatores que tornam a conversa algo tão importante:

  • Facilita no conhecimento do outro;
  • Ajuda a conhecer melhor a si mesmo;
  • Troca de experiências;
  • Proporciona uma fuga da zona de conforto;
  • Proporciona aprendizado;
  • Possibilita uma distração dos problemas diários;

Como visto a conversa e suas facetas, o falar e o escutar, são muito importantes para os seres humanos. Mas, sabendo disso, e da melhora que uma boa conversa pode proporcionar. É importante, agora, o questionamento: Qual seria a diferença entre ouvir e escutar?

Ouvir x Escutar

Para a psicanálise, existe uma grande diferença entre apenas ouvir e escutar alguém. A diferença entre as duas coisas, pode até mesmo, passar despercebida entre os leigos, mas entender a mesma é fundamental.

O conceito de ouvir está ligado ao sentido biológico, ou seja, refere-se aquilo que o ouvido intercepta. Já escutar, por sua vez, está relacionado ao ato de prestar atenção no que está sendo falado quando vamos conversar. Portanto, quando se escuta alguém, dedica-se para essa conversa, voltando seu foco para o que está sendo conversado.

Ouvir x Escutar: Um exemplo

Suponha que você está em uma sala de aula, sentado enquanto o professor explica uma matéria nova. E em algum momento você decide pegar o celular para responder algumas mensagens que foram recebidas. Nesse momento você ouve a voz do professor, talvez até entenda algumas palavras ou frases soltas do que está sendo explicado. Porém, você está apenas ouvindo, pois sua atenção está em outro lugar.

Existe, no entanto, um colega que senta ao seu lado durante a aula. Ele decide não utilizar celular, nem outras fontes de distração, mantendo-se focado no que está sendo explicado. Esse colega está, de fato, escutando, pois dispensa toda sua atenção ao que é falado pelo professor.

A empatia necessária na escuta

Como dito, escutar o outro significa se envolver na sua conversa, dedicar sua atenção ao que esta sendo falado e se entregar ao dialogo. Para que seja possível se dedicar tanto ao outro, é essencial que se tenha empatia. Colocar-se no lugar daquele que fala.

A partir da empatia, será possível entender o outro com mais clareza, perceber os seus problemas, mesmo que não sejam falados. É possível entender o que vai além da conversa, aquilo que o outro mostra nas entrelinhas.

Apesar dessa necessidade, conseguir ser empático com o outro é um processo difícil. Pois, quando ingressamos em uma conversa, carregamos nossos pensamentos, julgamentos, crenças e pré-conceitos. Para alcançar a empatia é necessário que tudo isso seja deixado de lado. Desse modo, será possível se colocar no lugar do outro de maneira verdadeira.

A escuta psicanalítica

Freud acreditava que, ao falar, o paciente revelava não apenas aquilo que estava falando a partir do seu consciente. Mas, segundo ele, era revelado também um pouco daquilo que era inconsciente ao paciente. Sendo assim, um pouco de suas pulsões e instintos do Id.

Sendo assim a escuta analítica tinha o dever de escutar tudo dito pelo paciente. Só então, a partir de tudo escutado, seria possível identificar os problemas que precisavam ser resolvidos, sejam eles conscientes ou inconscientes.

A recomendação de Freud a respeito da escuta

Para Freud fica claro que tudo que for dito pelo paciente no divã deve ser escutado pelo psicanalista com a mesma atenção. Ou seja, não é recomendado dispensar mais atenção a assuntos determinados. Tal recomendação se mantém, mesmo que os mesmos pareçam a primeiro momento, mais importantes.

Deve se levar, sempre, em consideração o objetivo e método de tratamento psicanalítico. Sendo que esse método da psicanálise consiste em que o paciente consiga alcançar a solução das suas questões. Nesse caso, se o psicanalista dispensa, no seu ouvir, maior atenção a questões especificas poderá criar um viés na análise. Levando, então, o paciente a respostas que ele deve chegar sozinho.

A escuta analítica vai além das palavras

Na psicanálise escutar o outro vai além de dedicar atenção apenas às palavras ditas. É dispensada atenção também a detalhes que poderiam passar despercebidos em outra conversa. Vejamos outros pontos importantes para se analisar quando vamos conversar, a partir da escuta analítica:

  • Tom de voz;
  • Expressões faciais;
  • Recursos humorísticos, como piadas;
  • Movimentos corporais;
  • Metáforas utilizadas durante a conversa;

Tais fatores quando unidos com a fala formam a comunicação completa do interlocutor. Sendo assim, partir da união dos mesmos será possível realizar uma melhor escuta quando vamos conversar com alguém.

Consequências de apenas ouvir

Na era da tecnologia, dos aparelhos eletrônicos, das conversas por mensagens em aplicativos, a escuta está cada vez mais rara quando vamos conversar. É difícil encontrar conversas profundas, não apenas em conteúdo, mas em envolvimento. Conversas essas, baseadas em escutar o outro e falar abertamente.

Esses fatores refletem no sentimento de solidão que abraça os indivíduos atualmente. A falta de alguém que escute de verdade pode causar solidão, medo de se abrir e isolamento. Tais sintomas podem até mesmo evoluir para quadros mais preocupantes.

O papel do psicanalista no cenário atual

O psicanalista é um profissional apto a escutar profundamente o seu paciente. Sendo assim, em muitos casos, pode se deparar com pacientes que possuam problemas de comunicação. Problemas esses causados pelo déficit de conversação existente atualmente.

Cabe ao profissional, escutar e ajudar o paciente a perceber, entender e resolver seus conflitos internos e problemas de cunho psicológico. Partindo dos princípios da escuta analítica propostos por Freud, levando sempre em consideração o bem estar do paciente. Porém, sem deixar de lado os seus compromissos com a verdade e a honestidade para com o paciente.

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Sendo assim, estará ouvindo e ajudando pacientes a alcançarem respostas e soluções para seus problemas e questionamentos.

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