Podemos passar pela vida apenas sobrevivendo, sem pensar muito, porém é possível atingir uma vida saudável.
Apenas fazendo a roda girar, moendo o trigo para depois ter um pouco do vil metal.
Assim, podemos comprar o seu produto, o pão e as vezes até a padaria e assim continuar seguindo, dia após dia.
Muitos vivem dessa maneira e continuarão a viver.
Aparentemente parecem estar satisfeitos, pelo menos de longe.
Porém, se saíssemos apenas do modo sobrevivência, tentando entender um pouco sobre o que pode ter sentido, a verdadeira realidade e a própria essência do ser, talvez possamos apoiar melhor os pés durante as passadas.
Mistério da Vida
A vida saudável é um mistério e apesar de inúmeros seres humanos tentarem entendê-la, ela ainda continua um enigma.
Não sabemos bem por que aqui estamos e nem quando iremos embora, mas é importante que passemos bem por ela, seja por nós mesmos, pelas pessoas que nos cercam, pelo futuro da humanidade e dos outros seres.
Além de estarmos envoltos nesse mistério, não temos um controle consciente total de nosso próprio ser, conforme pontua Freud.
Nossa consciência é sim importante para nossa sobrevivência e de outros animais.
Isso é bem exemplificado quando vemos um pequeno leão marinho, logo após seu nascimento ficar encantado com o mar.
Sua mãe, sabendo que estão cercados de orcas, por várias vezes deteve o pequeno para não se aventurar ao mar.
Contudo, por um pequeno instante, ela adormece, fatigada, e o filhote corre para o oceano.
Logo, percebido pelas baleias, é devorado num piscar de olhos.
Vida e Jogo de Xadrez
Apesar desse fator consciente ser importante, temos também o nosso inconsciente representado também por nossos instintos, recalques e desejos que também são fundamentais na nossa vida.
O pequeno leão marinho não teve tempo de descobrir que não apenas nossos instintos e desejos devem ser nossa diretriz.
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Se tivesse tempo, provavelmente aprenderia que existem regras e que também devemos avaliar a realidade externa, ou seja, os 3 senhores que o ego deve aprender a equilibrar.
A ciência, a busca da verdade, através do físico ganhador do prêmio Nobel, Richard Feynman, faz uma analogia quanto ao nosso entendimento do mundo.
Ele diz que quando chegamos a esse mundo e começamos a ter algum entendimento das regras, isso seria semelhante a estarmos diante de Deuses jogando um jogo de xadrez.
Inicialmente não entendemos as regras, mas após algumas jogadas, começamos a perceber que os movimentos das peças são repetitivos.
Os Ciclos da Vida
Passamos a compreender, então, que há limites onde as peças podem se mexer e que cada determinada peça pode fazer apenas movimentos limitados.
Depois de algum tempo observando, entendemos algumas regras que ele chama de leis da natureza.
Mas, mesmo entendendo como se movem, como se dá um check mate, não saberemos por que se movem dessa maneira.
Mesmo se entendêssemos todas as leis da natureza, ou seja, como o universo funciona, isso não quer dizer que entenderíamos por que é assim e não de outra maneira.
No filme Truque de mestre, nas falas de Morgan Freeman, ele nos diz: É o que é.
Mas o que seria isso, o que é ser o que é?
A Busca do Propósito da Vida Saudável
Estamos realmente tentando entender uma ilusão, o véu de Maya de Schopenhauer ou a verdadeira realidade?
Se a natureza não joga poker, ou seja, não blefa, e não se importa nada ou quase nada conosco, para onde devemos ir?
O existencialista, Jean Paul Sartre disse que não há propriamente um sentido da vida, ainda mais um que sirva para todos.
Temos a possibilidade de criar ou não um.
Cada ser, tendo o seu próprio entendimento da vida saudável, de acordo com os seus instintos, desejos, temperamentos, influências…
Temos alguma liberdade e a possibilidade de encontrarmos nosso sentido.
Se o encontrarmos, talvez a busca da vida saudável se torne um pouco mais fácil.
As Fases Como Ser Humano
Isso é confirmado quando Nietzsche disse que se tivermos um porque fazer as coisas, não mediremos esforços para dar o próximo passo, encontrar maneiras de como fazer isso.
Já, Jean Piaget relatou que os fenômenos humanos são biológicos em suas raízes, sociais em seus fins e mentais em seus meios.
Inicialmente, isso nos remete a Richard Dawkins, onde no livro o gene egoísta, nos diz que os seres vivos de uma maneira geral são os meios em que os genes conseguem se expressar.
E que, como cabritos, pulam de ser em ser para prosseguirem nas próximas gerações.
E sim, sabemos que o fator genético é extremamente importante.
Se tivermos uma visão mais estreita, então, podemos pensar que estamos aqui só para cumprir mais uma fase, para que o gene passe para outra fase, o próximo ser e assim por diante.
Mas, olhando melhor, cada ser, dependendo do papel que desempenha na vida nos leva a caminhos diferentes e isso faz toda a diferença para ele e para a sociedade.
O Molde do Ambiente
É só observarmos o que o ser humano tem feito com o meio ambiente, comprometendo inclusive a possibilidade de gerações vindouras e dos outros seres vivos.
O que será do gene, se o seu “produto”, o ser, tiver destruído o ambiente?
Parece que Piaget está mais certo que Dawkins.
Quando fazemos uma rápida investigação, observamos que as doenças mais comuns do século 21 são as doenças relacionadas a saúde mental.
A ansiedade, a depressão e o stress.
Quando falamos sobre o trabalho, descobrimos que a saúde mental também tem sido fator mais importante para afastamento das pessoas do trabalho.
Parece que estamos num momento do mundo onde o pensamento, a consciência e a inconsciência humana não estão valorizadas como deveriam.
O Fator Emocional
O sofrimento que os seres têm passado, as dificuldades que necessitam ser suportadas do ponto de vista emocional foram relegadas a um segundo plano.
O que realmente é valorizado hoje é o valor econômico.
Falando em valor econômico, se não formos donos de nós mesmos, o ambiente externo tomará conta de nós.
Acreditaremos que precisamos cada vez mais de coisas para sermos felizes.
Embutem em nossas cabeças que precisamos ter o telefone de última geração, sair de uma casa menor para uma casa maior, ter um carro do ano…
Somos joguetes do mercado, que através de shows de mágica, capturam a alma da criança e do adulto, sem dó.
A Busca Pela Vida Saudável
Mas como podemos nos tornar saudáveis?
A pirâmide de Maslow representa a hierarquia das necessidades humanas.
No ponto mais baixo temos as questões fisiológicas que são representadas pela alimentação, respiração, água, sono…
Passando desse nível segue a segurança, seja a segurança física, da família, saúde.
Segue-se os aspectos sociais representados pelos relacionamentos, amizade, amor, grupos sociais, família.
Na próxima etapa temos a estima, representados pelo reconhecimento, orgulho, responsabilidade e aprovações e pôr fim a autorrealização, evidenciada pela educação, hábitos, crescimento pessoal, trabalho e autonomia.
Mas, chegando ao topo dessa pirâmide, temos a felicidade garantida?
Temos inúmeros exemplos que não.
A Diversidade
Desde um jovem multicampeão olímpico de natação a empresários bilionários, desde pastores a cientistas.
Infelizmente não há garantias de felicidade, de que no final teremos uma linda pradaria nos esperando.
Mas, passando melhor pelas fases da vida, vivendo bem o presente, talvez, tenhamos mais chances de sobrevivermos e vivermos melhor.
Obviamente também vivemos num mundo onde é difícil não fazer comparações.
Somos bombardeados o tempo todo com informações que dizem que para ser feliz é preciso isso ou aquilo, mas deveríamos estar preparados para isso.
Também encontraremos muitas pedras que Drummond relatou no caminho.
Motivos para nos lamuriar, resmungar, reclamar, todos temos.
Mas, agir dessa maneira, não nos traz conforto, serenidade ou tranquilidade.
Resiliência da Vida
Precisamos ser proativos, lutar e buscar nossas metas e objetivos e criarmos um lugar que seja bom para todos.
Não apenas fisicamente, mas também emocionalmente, ambientalmente e socialmente.
Como disse Cioran, devemos entender que a chuva, mesmo passando, vai voltar.
Mesmo que o guarda-chuva possa proteger um pouco, o ideal seria se acostumar logo com a chuva e seguir em frente.
Leve sim o seu guarda-chuva com você, da cor que preferir, mas acostume-se com a chuva.
Talvez sejamos seres que evoluíram a partir da poeira das estrelas, como disse Carl Sagan, talvez tenhamos sido criados por alguma entidade divina como pregam os teólogos.
Não importa de onde viemos, precisamos nos adaptar ao ambiente que nos cerca, através da nossa saúde física, mental, social e ambiental.
Este artigo foi desenvolvido através do Trabalho de Conclusão de Curso de Formação em Psicanálise Clínica do aluno G. Marcelo.
