Loucura

Loucura: história e significado na psicologia

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A loucura é um conceito um tanto complicado se considerarmos a leitura que a sociedade faz deles. É uma palavra que está na boca de todos para oferecer um diagnóstico rápido e fácil para comportamentos que nos parecem inadequados. No entanto, nem sempre esses comportamentos dizem respeito ao conceito original.

Todo comportamento inadequado é loucura?

Quando vemos alguém se envolvendo em um comportamento arriscado, muita gente classifica o comportamento como loucura. O mesmo acontece com quem acaba com a vida dos outros, se envolvendo em crimes como assassinato e estupro, entre outros.

Em vista disso, entender o que é loucura precisa se tornar uma preocupação da sociedade. Isso porque os preconceitos em torno dessa condição mental podem ter consequências graves para todos.

Assim, para evitar interpretações inadequadas e julgamentos, é fundamental conhecer o que dizem a psicologia e a psiquiatria. Continue a leitura e descubra o que é loucura por definição e para os profissionais da saúde.

O que é loucura?

Popularmente, é chamado de louco aquele indivíduo que, em sociedade, não apresenta um juízo normal ou um comportamento convencional. Essa atribuição costuma ganhar um caráter pejorativo, que muitas vezes serve para criticar a personalidade de outra pessoa.

Ou seja, quando se fala sobre loucura, pelo senso comum, o termo nem sempre corresponde a uma disfunção mental. Qualquer ação fora do padrão, que recebe uma discriminação da ótica social, acaba por ser julgada como atitude de uma pessoa doente.

O problema se torna ainda pior quando se observa que a sociedade julga e destrata as pessoas consideradas loucas. Assim, sem o mínimo cuidado, empatia ou respeito, quem dispõe de uma condição mental atípica recebe uma discriminação severa e até a exclusão social.

Contudo, na comunidade médica, o termo está caindo em desuso, justamente para que esse tipo de associação preconceituosa não aconteça. Ainda assim, a definição do que é loucura continua bastante complexa.

Loucura: significado na psicologia

Utilizando concepções mais específicas e coerentes, a loucura é de fato uma condição mental humana. Porém, não existe um distúrbio ou uma doença exata que seja definida como loucura. Isso porque o termo é muito antigo e pouco preciso.

Logo, o que se pode dizer com clareza é que a expressão diz respeito a uma característica de insanidade. Qualquer pessoa pode apresentar essa condição em algum momento, seja de modo permanente ou não. Por consequência, pode ou não haver cura, a depender do quadro.

Delírios, alucinações e psicose são algumas das características mais comuns que relacionamos ao que é loucura. Entretanto, o diagnóstico de cada paciente com sintomas como esses é muito mais complexo e exige definições mais específicas.

Afinal, transtornos e síndromes, por exemplo, a depender do nível de comprometimento, podem ter sintomas similares aos de doenças mentais. No entanto, os tratamentos são distintos e demandam aspectos diferentes do paciente.

História da loucura

A história e a busca por entender o que é loucura começaram na Grécia Antiga, onde conceitos importantíssimos começaram a se destacar. Homero, por exemplo, associou a loucura a um tipo de possessão dos deuses, originando o conceito de “mania” — a psiquiatria ainda usa esse termo, mas de uma perspectiva científica.

Por diversas vezes, a mitologia e a literatura personificaram a loucura e descreveram como inferior à sanidade. Nessas representações, a loucura recebe um tratamento violento e de massacre, assim como era o tratamento com as pessoas mentalmente atípicas.

Por outro lado, no século XVII, o psiquiatra francês Philippe Pinel trouxe uma versão mais teórica e centrada sobre a loucura. Foi ele quem determinou que as perturbações mentais fossem consideradas como doenças.

Foi a partir de então que pacientes psiquiátricos deixaram de ser tratados com agressividade e como pessoas que deveriam se excluir da sociedade. Esse fato foi decisivo para que se começasse o debate, que dura até hoje, sobre os preconceitos contra condições mentais.

Entendendo a loucura na Idade Clássica

Michel Foucault é um dos filósofos mais importantes do século XX. Ele nasceu em 1926 em Poitiers, França, e passou sua adolescência sob a ocupação nazista da França. Mais de três décadas após sua morte, o filosofo francês continua a impactar a humanidade com seus textos polêmicos.

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    Quando em 1961 Michel publica sua tese, “História da Loucura na Idade Clássica”, coloca em perspectiva o papel do louco na sociedade desde a Idade Média. De acordo com ele, é difícil escrever sobre a loucura. Isto porque as pessoas que são consideradas loucas pela sociedade não costumam escrever suas próprias histórias.

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    Ao em vez disso, médicos psiquiatras e outros especialistas escrevem o que acreditam sobre a loucura. Como consequência, esse impasse cria uma situação em que não há um diálogo entre essas duas experiências de ser louco versus não ser louco.

    Em suma, o discurso sobre “ loucura” é monopolizado por aqueles que não são considerados loucos. Por esse motivo, fica difícil entender como alguém se torna ou permanece louco durante o período chamado de “idade clássica”.

    Confinamento da loucura

    Segundo Foucault, o louco nem sempre foi esse marginal que está preso. No entanto, à medida que a sociedade se tornou mais avançada, a definição de loucura mudou. As pessoas já não achavam que fazia sentido confinar os doentes mentais com criminosos, em uma mesma categoria.

    Mas tarde, ao estudar sobre a teoria da loucura ao longo da história e seus desdobramentos, Foucault chega ao nascimento do manicômio. Ali, a medicalização do louco era uma nova tendência no confinamento, pois, de certa forma, separava os doentes mentais dos criminosos.

    Em conclusão, o principal objetivo do confinamento dos loucos era estudar e curar suas doenças, em vez de puni-los por seus crimes. Dessa forma, Foucault concluiu seu estudo com uma análise de dois grandes inovadores, Samuel Tuke (Inglaterra) e Philippe Pinel (França).

    Naquela época, os dois médicos queriam ter autoridade máxima sobre o asilo e tratar as doenças de seus internos. Com suas grandes contribuições e movimentos, até hoje, Samuel Tuke e Philippe Pinel são os principais protagonistas do movimento da reforma do asilo.

    Considerações finais sobre loucura

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    One thought on “Loucura: história e significado na psicologia

    1. Penso que, com o passar dos tempos, a loucura passou a “ganhar sinônimos” diversos pela Sociedade, que atrelou todo transtorno mental à loucura! Mas a Medicina, na minha opinião foi no “âmago” da questão ao definir loucura como Alienação Mental! Nessa ótica a Professora e Espiritualista, Maria Madalena Savi, num tópico que ministrou no Curso Mãos de Luz, disse que: “Todo Médium é um louco, mas nem todo louco é um Médium”! E a Alienação Mental pode assumir esse alcance, quando uma pessoa cede as mãos à Psicografia ou a fala para a comunicação entre Dimensões Espirituais acontecer! Mas também, pessoas com maior escolaridade ou convivência com alterações do seu estado mental, procuram buscar a tempo, o Psiquiatra que lhe acompanha em tratamentos com medicação para inibir a fase de Alienação Mental, que “vem chegando”! Há marcadores no sangue, que “confirmam” ao médico, a informação que o paciente traz na consulta!

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