Lucian Freud

Lucian Freud: pintor e neto de Sigmund Freud

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Não foi apenas Sigmund Freud que alcançou a fama dentro de sua família e contribuiu diretamente com a sociedade. Outros membros de sua família, principalmente seus descendentes, também fizeram trabalhos notáveis e até hoje são consagrados em suas respectivas áreas. É o caso de Lucian Freud, que conheceremos melhor hoje. Ademais, também falaremos sobre sua relevância na arte.

Quem foi Lucian Freud?

Lucian Michael Freud, ou apenas Lucian Freud, foi um pintor alemão naturalizado como britânico posteriormente. Nascido em 08 de dezembro de 1922, é neto do pai da Psicanálise, Sigmund Freud, porém construindo carreira artística. Ao seu próprio modo, Lucian encontrava meios de expressar a sua natureza mental e emocional nas telas.

Toda a sua família, até onde sabemos, possui raízes judias, algo que dificultava suas expectativas de vida na época. Ernst Ludwig Freud e Lucie Brasch, seus pais, também tiveram outros filhos, sendo eles Clement Raphael Freud e Stephen. Naquele tempo, a Alemanha se tornou hostil e forçou seus semelhantes a tentar escapar e buscar novas condições de vida.

Ainda assim, sua origem não refletiu na sua arte e muitos acreditam que, dada as conquistas, acabaria regredindo o que conquistou. Logo que ganhou fama até a época de sua morte, Lucian era aclamado como pintor e artista, apesar das controvérsias. Detentor de uma habilidade artística única, deixou um legado de inspiração e até ousadia em suas telas.

As origens

Para fugir do antissemitismo nazista, seu pai Ernst levou Lucian e a família para recomeçarem a vida em Londres. Recebendo cidadania britânica em 1939, investiu seu tempo nas escolas Dartington Hall e Bryanston School. Por pouco Lucian Freud não foi uma das vítimas do nazismo que dizimou milhões de vidas.

O seu pai, o último filho de Freud, era sionista e visitou a Palestina em 1927 a fim de construir a casa de Chaim Weizmann. Esse que, aliás, se tornaria o primeiro presidente do Estado de Israel na época. Nisso, ainda com 11 anos, Lucian e os irmãos seguiram os pais para recomeçarem na Inglaterra e chegando em uma nova etapa.

A naturalização veio em 1939 e anos depois passou a servir na Marinha Mercante. Contudo a arte sempre lhe chamou. Felizmente, havia iniciado a sua educação anos antes, embora fosse um aluno indisciplinado por perder muita aula. Acabava vivendo alguns conflitos, sendo visto como temperamental, orgulhando disso, e com dificuldades em dominar o inglês na época.

Reconhecimento e fama

Lucian Freud era inegavelmente talentoso, tanto que seus trabalhos artísticos passaram a ser rapidamente exibidos, a exemplo da revista Horizon. Com apenas 17 anos recebeu um voto de confiança para que publicasse seu autorretrato e logo aos 21 fez sua primeira exposição. A fim de ampliar suas inspirações, passou 1 ano entre Paris e Grécia exercendo sua arte e pintando.

No ano de 1949 se tornou professor na Slade School of Fine Arts, mas retornou à Inglaterra e deu impulso na sua carreira. O Reconhecimento maior veio em 1951 quando ganhou o Prêmio do Conselho do festival da Grã-Bretanha. Isso aconteceu graças à obra Interior in Paddington que estava exposta na Galeria de Arte Walker na cidade de Liverpool.

Ainda que o estilo abstrato predominasse entre 1940 e 1950, Lucian buscava algo mais próprio e pessoal. Nisso, investia em aspectos surrealistas envolvendo plantas e animais pintados desproporcionalmente dentro de casas, substituindo pelo realismo de autorretratos e nus. Nesse caminho, se aliou a outros judeus, amigos artistas que acabaram criando a Escola de Londres.

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Características e vista sobre a herança judia

Mesmo que vivesse com amigos artistas de origem judaica, Lucian Freud não imprimia isso dentro da sua obra. Sua juventude como refugiado judeu não o influenciou e alguns acreditavam que isso daria um rótulo reducionista à arte dele. Caso iniciasse a busca por sua essência judaica nesse ponto acabaria construindo um esteriótipo dela e de si mesmo.

Assim, Lucian não demonstrou interesse em abordar a problemática da origem ou história judaica. Consequentemente:

  • As imagens pintadas por ele carregam pouca ou nenhuma identificação ou identidade étnica;
  • Não existem muitos espaços sociais ou pessoais em suas pinturas, com foco apenas no seu estúdio;
  • Aspectos estilísticos associados a uma corrente conhecida como Neue Sachlichkeit ou nova objetividade.

Especialistas apontam que os quadros de Lucian demonstram levemente um movimento da “Nova objetividade”. Em suma, se constitui nas imagens tensas de homens e mulheres trazendo o mal-estar existencial e social. O judaísmo na sua trajetória mostra a prosperidade da diáspora, indo para o secularismo, aculturação, reconhecimento nativo e a aprovação do mundo.

Identidade artística

Morando em Paddington por 30 anos, o trabalho inicial de Lucian Freud ajudou a redefinir a imagem da arte britânica. De acordo com os amigos, Lucian tinha uma inteligência notavelmente alta e era ótimo amigo, embora sem modéstia com sinceridade. Falando sobre seus primeiros projetos, dizia que surgiram do simples ato de arregalar os olhos e prestar com bastante atenção.

Usava bastante do surrealismo, carregando uma postura refinada na pintura, técnica e nos materiais utilizados cuidadosamente. Na segunda metade de 1950, mudou seu estilo, se opondo as técnicas usadas antes por algo mais rústico e redefinindo sua obra. Embora alguns ainda o reverenciassem, outros o colocavam como “violento”, “chocante” e até afetado.

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Conhecendo Francis Bacon, acabou sendo influenciado por ele em seu trabalho, ajudando em sua libertação artística. Além de estimular a vontade de pintar a vida humana, Bacon também fez diversos retratos dele. Sua amizade e admiração por Bacon eram tão grandes que Lucian deixou claro o quanto se impressionou com a personalidade dele.

O valor da amizade

Um dos retratos de Francis Bacon pintado por Lucian Freud foi vendido por US$9,4 milhões em 2010. Além do retrato da amizade, o trabalho de Lucian passou a focar numa realidade mais crua e real humana. Nisso tínhamos obesos, enrugados, velhos, feios, desproporcionais mostrando a ação e poder do tempo em nós.

Inspirava-se nas pessoas da sua vida, buscando sempre modelos amadores e que desejavam ser retratados e que pudesse se identificar. Podendo demorar até 1 ano para terminar, focava toda a sua força e empenho para finalizar cada obra e logo partia à próxima. Assim, valorizava a intimidade e confiança com os modelos, tentando alcançar o que elas deveriam ser.

13 anos após fazer sua retrospectiva, em 1987 tem sua exposição no Museu Hirshhorn, e Washington, aclamada por todos. Suas mostras e obras em espaços públicos costumam fazer sucesso, algumas sendo itens de colecionador. Ao fim, temos o retrato do artista contribuindo à construção da arte inglesa na nova era, causando impacto por sua essência.

Conquistas e reconhecimento

Algumas passagens de Lucian Freud acabam chamando a atenção por sua notoriedade no meio artístico. Mesmo algo simples chama a atenção dada à facilidade de ganho e administração por seus próprios meios. Podemos citar:

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Reconhecimentos e valores

After Cezanne, carregando formas incomuns, foi uma pintura comprada por US$7,4 milhões de dólares pela Galeria Nacional da Austrália. Nota-se que a parte superior esquerda carrega um tipo de grafite.

Professor

Lecionou na Slade School of Fine Art entre 1949 e 1954, na Universidade de Londres.

“Reclusão” artística

Ainda que seja internacionalmente reconhecido, são poucas as chances de ver gravuras e pinturas de Lucian na Grã-Bretanha. Mesmo assim, há registro de exibições que cobrem todos os seus períodos artísticos de forma satisfatória. Entre 2000 e 2001 retratou a Rainha Isabel II do Reino Unido.

Considerações finais sobre Lucian Freud

Lucian Freud construiu o seu próprio legado e reverberou o seu nome através do mundo das artes. Sua essência, embora não remontasse as origens, criou identidade própria e de apelo universal. Dada à ousadia, o artista não se incomodava de fazer provocações e extrair as mais variadas reações do público.

De modo geral, se tem ele como exemplo de versatilidade e transição, contribuindo a uma composição cultural própria. Tão sólido quanto seu orgulho e falta de modéstia era a mensagem transmitida por sua arte através do tempo. A seu próprio modo, Lucian estudava o comportamento humano e exibia suas impressões na clareza de diversos aspectos.

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