Modelo Topográfico e Modelo Estrutural

Modelo Topográfico e Modelo Estrutural: diferenças

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Você já ouviu falar em Modelo Topográfico e Modelo Estrutural ? Sigmund Freud, médico neurologista que dedicou toda a sua vida desmistificando doenças e atribuindo muitas delas ao funcionamento da mente humana, no ano de 1900 lançou sua grande obra denominada A interpretação dos Sonhos e nela explicou, dentre várias outras coisas, o funcionamento do aparelho psíquico.

Análise das diferenças entre o Modelo Topográfico e Modelo Estrutural em Freud

Nessa mesma obra (A interpretação dos Sonhos, 1900) Freud define o aparelho psíquico comparando-o com o aparelho óptico e diz “…tornar compreensível a complicação do funcionamento psíquico, dividindo este funcionamento e atribuindo cada função específica a uma parte constitutiva do aparelho”.

E mais tarde, em 1982, segundo a definição de Laplanche e Pontalis (1982), o aparelho psíquico é a “expressão que ressalta certas características que a teoria freudiana atribuiu ao psiquismo…” Ao longo de seu trabalho, Freud formulou a divisão do aparelho psíquico. Em sua primeira tópica, chamada de Modelo Topográfico, o aparelho psíquico é composto por três sistemas: o inconsciente, o pré-consciente e o consciente.

Na segunda tópica, chamada de Modelo Estrutural ou Dinâmico consiste em uma divisão da mente em três instâncias psíquicas: o id, o ego e o superego. A teoria psicanalítica tem a particularidade de considerar todos os elementos agregados e justapostos, portanto, a segunda tópica não exclui a primeira e vice-versa.

Modelo Topográfico

Freud propôs dividir o aparelho psíquico em três partes e cada uma delas se relaciona com a consciência sendo então as divisões em Inconsciente, Pré-consciente e Consciente.

O Inconsciente (Ics) Como o nome sugere, o inconsciente diz respeito aos efeitos e temáticas que não são conscientes, mas, ao mesmo tempo, é necessário perceber a diferença dos conteúdos pois, a linguagem que o inconsciente usa para se comunicar com o consciente é empírico, uma vez que essa linguagem se dá através de atos falhos, sonhos, chistes, projeções, associações livres, dentre outras.

O inconsciente não é apenas o contrário do Consciente como o próprio Freud comentou. Também é vago dizer que o inconsciente é algo modulado. Então, considera-se o inconsciente como a fase preparatória para o consciente e como Freud descreveu: o psiquismo real, pois a maior parte da vida psíquica mora no inconsciente.

O Pré-Consciente (Pcs)

Aqui estão os conteúdos e fenômenos que não estão diretamente relacionados ao consciente no momento, mas que podem se tornar conscientes se o sujeito se ocupar do assunto.

O pré-consciente está localizado entre o consciente e o inconsciente e devido à sua localização, algumas informações que estão ali armazenadas como pensamentos, experiências, ideias, planejamentos, podem ser acessadas com um pouco de esforço da pessoa.

Mas assim como o Inconsciente (Ics) tem sua maneira de se expressar, o Pré-Consciente também possui uma linguagem própria que é formada através da percepção da realidade e a junção de elementos vindos do inconsciente.

O Consciente (Cs)

É a união de todos os fenômenos que estão disponíveis para o indivíduo e como ele percebe o mundo exterior. Quando o indivíduo passa por uma dificuldade, trauma, alegria ou superação, dentre outros, o fato cria uma representação inconsciente e pode se tornar pré-consciente e, assim sendo, poderá ser acessada quando o indivíduo se concentra naquilo que lhe é favorável e desejável recordar na consciência.

Freud tratava o sistema consciente de duas formas distintas. Na primeira teoria, o Consciente é apenas parte de um todo onde a maioria dos processos mentais advêm dos processos psíquicos inconscientes. E a segunda teoria defende que o Consciente é relevante e pode não ser pois há de se levar em conta as percepções sensoriais do indivíduo e essas percepções compõem o Consciente.

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Freud, com a Teoria do Modelo Topográfico quis “…tornar possível a complicação do funcionamento psíquico, decompondo este funcionamento e atribuindo cada função em especial às diversas partes do aparelho” (Laplanche e Pontalis, 1992).

Modelo Estrutural

Inconformado com a limitação de sua primeira tópica por não conseguir inserir nela as instâncias psíquicas foi então que Freud sintetizou a teoria da segunda tópica, denominada modelo estrutural ou dinâmico.

Esse modelo sugere que o funcionamento do aparelho psíquico seja dividido em instâncias psíquicas chamadas de Id, Ego e Superego e que, nesse modelo, haja interação constante entre as estruturas e assim conseguisse explicar os fenômenos psíquicos.

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    Id O Id é formado por instintos, desejos (inconscientes), pulsões, impulsos, regido segundo o princípio do prazer e por isso está sempre em busca de ter prazer e consequentemente, evitar a dor (ou o desprazer) fazendo com que ele, o Id, seja a fonte de energia psíquica.

    Modelo Topográfico e Modelo Estrutural e o ID

    Toda a motivação que o indivíduo tem para realizar algo, é sugerido que advém do Id através da energia psíquica dele, mas, é necessário esclarecer que o Id não faz planos, ele busca solução imediata para as tensões, não conhece inibição e não aceita frustrações.

    Algumas características do Id: Não segue lógica, juízo, valores, moral nem ética. É irracional, impulsivo, exigente, antissocial e se orienta pela busca do prazer. O Id é totalmente inconsciente.

    Ego, Superego e o Modelo Topográfico e Modelo Estrutural

    Ego Para Freud o Ego é a instância que separa o Id do Superego. No sentido figurado, diz-se que o Ego é desenvolvido a partir do Id e é regido pelo princípio da realidade, portanto, tem como objetivo permitir que os impulsos do Id sejam plausíveis e que considere o mundo externo.

    O princípio da realidade insere a razão, o comportamento humano tradicional, a espera e o planejamento. Há um retardamento das pulsões até o momento em que a realidade permita que o prazer seja satisfeito com o mínimo de consequências negativas. O Ego se torna então o mediador entre os desejos do Id e a repressão do Superego.

    Superego Constitui uma parte da mente psíquica que representa a moral da mente humana e os valores sociais. Laplanche e Pontalis (1982) definem, no livro Vocabulário da Psicanálise, que o Superego foi descrito por Freud como “…o seu papel é assimilável ao de um juiz ou de um censor relativamente ao ego.

    Considerações finais sobre o Modelo Topográfico e Modelo Estrutural

    Freud vê na consciência moral, na auto-observação, na formação de ideais, funções do superego.” O Superego é formado após a formação do Ego. Segundo Freud, ele é formado correlativamente ao declínio do Complexo de Édipo, pois esse complexo pode ser marcado pelo esforço da criança de introjetar os valores advindos dos pais e da sociedade com a finalidade de receber amor e afeto.

    A tese principal de separação entre os sistemas, definidos como Inconsciente, Pré-Consciente e Consciente, no modelo topográfico não pode ser separado do modelo estrutural ou dinâmico que traz a estruturação em Id, Ego e Superego onde os sistemas se encontram em conflitos entre si e que são igualmente essenciais à Psicanálise.

    “Freud não renunciou a conciliar suas duas tópicas. Por diversas vezes apresenta uma representação espacialmente figurada do conjunto do aparelho psíquico em que coexistem as divisões do ego – id – superego e as divisões inconsciente – pré-consciente – consciente.” Laplanche e Pontalis, 1982.

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    O presente artigo foi escrito por Alana Carvalho ([email protected]). Estudante de Psicanálise Clínica. Trabalha como terapeuta Reikiana (Espaço Reikiano Alana Carvalho) e o curso de Psicanálise está expandindo seus horizontes e ajudando com o seu processo de autoconhecimento.

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