autoconhecimento o que é

O que é autoconhecimento para a Psicologia

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Você pode dizer que sabe o que é autoconhecimento? Neste texto, desenvolveremos a possibilidade ou não de a psicanálise ser utilizada como instrumento para o autoconhecimento. Essa abordagem é relevante uma vez que cada dia mais o autoconhecimento torna-se um requisito para o bem-estar, realização pessoal e profissional.

O interesse pelo autoconhecimento

O tema vem obtendo destaque na mídia, pois é de importância ímpar face às cada vez mais frequentes mudanças de carreira e avanços tecnológicos. Ou seja, as novas dinâmicas de vida e trabalho validam a sua importância, seja no ambiente profissional ou pessoal.

Como hipótese, partimos do princípio de que a psicanálise é um instrumento para o autoconhecimento. Isso porque poderia colaborar com o indivíduo na identificação e aprofundamento sobre “áreas” até então desconhecidas por ele próprio.   

Objetivos e metodologia

Como objetivos, buscaremos demonstrar os principais pontos de vista sobre a hipótese e o objeto de estudo. Ademais, discutiremos o poder da psicanálise enquanto instrumento para o autoconhecimento. Assim, observaremos se ela é eficiente para tal finalidade.

Na primeira parte do trabalho, abordaremos o que se entende por autoconhecimento e quais são as formas mais comuns de alcançá-lo.  Na segunda parte, abordaremos o que é e como funciona a psicanálise. Por fim, na terceira parte, demonstraremos se é possível usar a Psicanálise como instrumento para o autoconhecimento. Ademais, falaremos sobre como se daria essa utilização, além de sua eficiência para essa finalidade. 

Para atingir esses objetivos, empregamos a metodologia de pesquisa, leitura e estudo da bibliografia de autores que adotaram posturas quanto à essa tema.

O que é autoconhecimento? 

O autoconhecimento é a investigação do indivíduo por ele próprio. Contudo, no processo, ele permite que alguém o auxilie, com o objetivo de lidar melhor consigo mesmo, com os seus sentimentos e com outros indivíduos. A aplicação da técnica pode ser feita pela própria pessoa, com a ajuda de algum profissional, de técnicas específicas ou, ainda, guiada através de livros, áudios, atividades, imagens, etc. 

O conceito de autoconhecimento para Freud

Um dos principais defensores do autoconhecimento e de sua importância foi Sigmund Schlomo Freud. Vemos isso em suas palavras: “Olhe para dentro, para as suas profundezas, aprenda primeiro a se conhecer”.

O método desenvolvido por Freud compreendia o significado de inconsciente, de palavras, sonhos e do imaginário. Dessa forma, encontrando, através da investigação, acesso a esse mundo até então desconhecido. 

Análise

Sua metodologia é a “análise”, cuja função principal é investigar o comportamento do indivíduo para que este obtenha autoconhecimento e possa aprender a lidar melhor consigo e com o meio.

Freud comparava nossa psique a um iceberg. Nele nós podemos ver, sobre a superfície, apenas uma pequena parcela para fora da água. Contudo, é abaixo da superfície que estaria a maior parte de seu conteúdo, desconhecido pela mente consciente.

Isso se comprovou pelo fato de que, muitas vezes, não temos consciência de como e porque fazemos ou deixamos de fazer algumas coisas. 

É verdade que sentimos os efeitos do que está acontecendo. No entanto, para compreender o que e porque aquilo ocorreu, é preciso investigar a origem e tentar acessá-la. Assim, jogando luz sob o que fica oculto de nossa consciência. Esse processo de descoberta também é autoconhecimento.

Consciência

À medida que exercitamos o autoconhecimento, cresce nossa consciência sobre nós e sobre o meio que nos cerca. Como disse Carl Gustav Jung, “Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda”.  

Essa consciência pode trazer a percepção de inúmeros conflitos internos. Muitos deles inclusive têm origem em fatos que, conscientemente, sequer nos lembrávamos ou conhecíamos. Graças a análise é que existem meios de conhecer o que antes estava oculto.

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    Dessa forma, podemos desvendar seus significados e compreender melhor o que ocorreu/ocorre. Assim sendo, então, podemos aprender a interagir de maneira mais amigável conosco e com o meio. Tudo à medida em que nos desenvolvemos.

    Consequências

    A pessoa que possui um maior grau de autoconhecimento compreende melhor seus estados, pensamentos, sentimentos, reações e comportamentos. Portanto, essa pessoa é capaz de controlar melhor sua vida, fazer melhores escolhas e, com isso, colher os resultados que deseja alcançar.

    O papel da identidade no autoconhecimento

    O termo “autoconhecimento” remete à questão da “identidade”. Por sua vez,  “identidade” remete ao questionamento que todos nos fazemos em algum(ns) momento(s) de nossas vidas, como “quem sou eu?”.

    Para responder a essa pergunta, temos que compreender o longo e complexo processo que começa nas primeiras horas de vida e se estende até o final de nossas vidas. 

    No processo de desenvolvimento da identidade, existem duas forças principais. A primeira é o desejo do indivíduo de conhecer a si mesmo (autoconhecimento). A segunda é a busca por construir sua personalidade, sua identidade, se aprimorar e se desenvolver (autodesenvolvimento). Durante esse processo, a autoimagem real (como somos) e a autoimagem ideal (como gostaríamos de ser) passam a ser vistas cada vez mais como diferentes. 

    Isso aumenta a dificuldade, sobretudo, no que diz respeito à uma definição única sobre a identidade e à resposta para a pergunta “quem sou eu?”. Os nossos sistemas de classificação de informação e as definições são limitados. Assim, sofrem uma restrição a categorias e conceitos quando deviam estar em contínuo desenvolvimento e mudança. 

    Exemplo

    Como exemplo, podemos citar as cores. Temos a capacidade de diferenciar milhões de cores diferentes. Contudo, só temos nomes para poucas. Ademais, mesmo se conseguíssemos criar um nome diferente para cada uma, ainda estaríamos limitando a “realidade” a partir da nossa percepção da realidade. Nesse sentido, Jung afirmou:

    […] há aspectos inconscientes na nossa percepção da realidade. O primeiro deles é o fato de que, mesmo quando os nossos sentidos reagem a fenômenos reais e a sensações visuais e auditivas, tudo isso, de certo modo, é transposto da esfera da realidade para a mente”. 

    Essa restrição da realidade é uma função de nossos cérebros, do sistema nervoso e dos órgãos dos sentidos. Eles são os responsáveis por permitir a seleção de quais informações são efetivamente relevantes, e quais não são (pelo menos naquele momento).

    Essa característica é absolutamente essencial, uma vez que somos capazes de, a cada momento, nos lembrar tudo o que já nos aconteceu. Ademais, conseguimos perceber tudo o que está acontecendo em toda parte do universo. 

    A restrição da realidade

    Essa “seleção” quanto ao que é ou não necessário, de uso prático, e se é para “curto”, “médio” ou “longo” prazo, faz parte do processo de construção de nossas memórias, da nossa psique e dos diferentes sistemas que a compõe. 

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    Além disso, para formular e expressar o conteúdo desta nossa “restrição da realidade”, a humanidade desenvolveu e elaborou sistemas de símbolos e filosofias. Os chamamos de línguas, já que elas não fornecem acesso ao registro acumulado da experiência de outras pessoas. Contudo, confirmam em nós a crença de que essa “realidade restrita” é a única realidade. Assim, confunde a nossa percepção da realidade.,

    Portanto, o autoconhecimento funciona também como forma de compreensão dos processos que nos levam a perceber e filtrar a realidade. Eles são responsáveis pela nossa formação e compreensão de nós mesmos e do meio. Nesse sentido é que Abraham Harold Maslow falou sobre “o que é necessário para mudar uma pessoa é mudar sua consciência de si mesma”. 

    Esse processo de autoconhecimento pode ser alcançado através de inúmeras técnicas. Entre elas estão a meditação, a psicoterapia, a fenomenologia, a psicologia cognitiva, comportamental etc.

    O que é e como funciona a Psicanálise?

    O responsável pelo desenvolvimento da Psicanálise é Sigmund Schlomo Freud, médico austríaco, formado em 1881. Freud trabalhou no Hospital Geral de Viena e, posteriormente, com o neurologista francês Jean-Martin Charcot. Ele quem lhe apresentou a hipnose, adotada por Freud até que desenvolvesse a técnica de “livre associação”.

    Segundo Freud, a psicanálise é um método de investigação do psiquismo e seu funcionamento. Ou seja, é um sistema teórico sobre a vivência e o comportamento humano e um método de tratamento caracterizado pela aplicação da técnica da livre associação. Não é uma ciência, pois não se utiliza do método científico moderno.

    Assim, o comum é considerá-la uma filosofia e/ou uma arte ou ofício independente da psicologia, originada, porém, da medicina. 

    O objetivo da análise

    Na análise, o objetivo é trazer para o consciente o que está no inconsciente. Dessa forma, auxiliando e capacitando o indivíduo em sua relação consigo e com o meio.  

    Para isso, Freud desenvolveu um primeiro modelo sobre a mente humana, dividindo-a em três partes:

    1. Inconsciente: composto de conteúdos reprimidos e regido por leis próprias.
    2. Pré-consciente: ligado ao inconsciente e ao consciente, apenas manteria os conteúdos acessíveis ao consciente.
    3. Consciente: responsável por relacionar os estímulos e informações do mundo externo e do mundo interno, pela percepção, atenção e raciocínio.

    Posteriormente, Freud elaborou uma segunda estrutura:

    Id

    A instância psíquica mais profunda e vasta, regida por impulsos irracionais imersos no inconsciente, alheios à realidade e à moral e que buscaria a realização do prazer a qualquer custo.

    Ego

    O regulador que busca o equilíbrio, atender os desejos conciliando as pulsões do ID, as ameaças do Superego e as demandas do mundo externo. Dessa forma, tentando evitar o sofrimento constituído por lembranças afetivas da infância, em grande parte consciente, mas também inconsciente.

    Superego

    Aquele que busca a regulação moral decorrente de aspectos sociais e/ou culturais internalizados na tentativa de controlar o ID.

    O papel do analista

    Nesse sentido, o analista teria como objeto de estudo o funcionamento psíquico humano. A particularidade deste saber consiste na necessidade, tanto para o analista quanto para o analisando, de sempre reexaminar as “verdades” e “fatos”. Conforme vimos anteriormente, nossa “realidade” não passa de uma interpretação da realidade. 

    Isto diferencia a psicanálise, por exemplo, do saber científico e matemático, que possui diversas regras imutáveis e previsíveis para sua realidade, que não podem ser reproduzidas e/ou estabelecidas como tal quando nos referimos à psique do ser humano.

    Dessa forma, o analista nada sabe no início da análise sobre o indivíduo. Ele apenas conhece as técnicas para a investigação de sua psique. Ao analista, cabe o conhecimento sobre como analisar e ser capaz de levar o analisando a decifrar sua psique, em especial seu inconsciente. Ademais, deve levar o indivíduo a aprender consigo mesmo porque as coisas são como são e não são como não são. 

    Objetivos

    Assim, o analista ouve com três objetivos:

    1. Interpretar e traduzir os conteúdos trazidos pelo analisando para seus antecedentes inconscientes (memórias, fatos, construções, etc.).
    2. Relacionar os fragmentos da história passada e presente, conscientes e inconscientes. Tudo de maneira a dar uma ideia de continuidade e coerência à vida do analisando.
    3. Verificar se o conteúdo comunicado, traduzido e interpretado pode ser utilizado construtivamente pelo analisando. Como disse Jacques-Marie Émile Lacan “Você pode saber o que disse, mas nunca o que outro escutou”.

    Assim, através do método de livre associação, ao passar novamente pelo fato, com os recursos que agora possui, o analisando tem a oportunidade de liberar emoções, pulsões, fazer uma releitura do fato e da experiência, obtendo novos aprendizados. Assim, com isso, adquire bases para um comportamento novo que poderá ser desenvolvido. 

    Contudo, isso só é possível com a consciência do fato e assumindo o desejo de passar novamente por ele, dessa vez, munido de novos recursos e aprendizados (diferentes dos que possuía à época). Isso para então buscar uma ressignificação do ocorrido.

    Nesse sentido, a psicanálise funciona como um método de investigação e interpretação da psique humana e, portanto, de autoconhecimento.

    A Psicanálise poderia ser utilizada como instrumento para o autoconhecimento de maneira eficaz?  

    Como na psicanálise o objetivo é trazer para o consciente o que está no inconsciente, auxiliando e capacitando o indivíduo em sua relação consigo e com o meio, essa técnica é útil em processos de autoconhecimento. O método psicanalítico permite um “mergulho” do indivíduo em si mesmo, trazendo metodologia ao processo de investigação. 

    Uma controvérsia

    A principal controvérsia reside no fato de muitos entenderem a psicanálise como interpretação da psique para solução de questões específicas. São exemplos a histeria, neuroses, psicoses, transtornos psicológicos, parafilias etc. Logo, para estes, a psicanálise não funcionaria como método para o autoconhecimento. Ou seja, destinava-se ao tratamento de patologias e transtornos apenas.

    Porém, independentemente destes pontos de vista, é fato que a metodologia psicanalítica funciona para o autoconhecimento. Também é fato que o autoconhecimento não está relacionado apenas a tomar conhecimento de fatos, memórias e interpretações, mas também a estar em contato com a realidade, de uma forma útil e estruturada.

    Como já vimos, a nossa visão da realidade é, em verdade, fruto de nossos filtros e moldada por nossa interpretação das experiências pelas quais passamos.

    O procedimento de análise

    Durante o processo de análise, em livre associação, o analista, atento à fala, aos pensamentos, significados, propósitos e intenções, visa compreender o que há por trás do seu sequenciamento e ordem, enquanto busca adentrar o inconsciente e, pouco a pouco, manifestar no exterior o que há no interior do analisando.

    Como somos todos frutos do conjunto de nossas experiências, é importante investigar o passado para compreender melhor as experiências e o significado que atribuímos a elas, bem como a maneira como isso molda nossas personalidades e determina nossas ações ao longo da vida.

    Em nosso processo de assimilação de informações, nosso aparelho protetor recebe o estímulo do exterior, amortecendo-o e transmitindo-o gradualmente. Assim, evitando que o equilíbrio psíquico do organismo se perturbe. Como as impressões do mundo exterior estão no pré-consciente, há o registro da interpretação da realidade vivenciada, o que pode fazer com que sejam reprimidos sentimentos, memórias, etc.

    Refletir sobre os fatos, mediante perspectivas diversas, pode trazer mais luz sobre a interpretação dos fatos em comparação com a realidade e os fatores que levam ou levaram à repressão. Ao analista, cabe completar o que o paciente esqueceu a partir dos traços que sobraram e a interpretação que indica o desejo deste.

    Portanto, cabe ao paciente tomar a decisão por si mesmo sobre o que fazer para solucionar o conflito.

    Individuação

    A percepção desses pensamentos, bem como a compreensão das experiências vividas, sua análise e interpretação sob outras perspectivas, é justamente a maior dificuldade dos processos de autoconhecimento (o que a análise supre com sucesso).

    A grande maioria das pessoas não possui o hábito de auto-observação. Nesse sentido, Carl Gustav Jung afirmou:

    “[…] o processo de individuação só é real se o indivíduo estiver consciente dele e, consequentemente, mantendo uma ligação viva com ele. Não sabemos se o pinheiro tem consciência do seu processo de crescimento, se aprecia ou sofre as diferentes alterações que o modelam. Mas o homem, certamente, é capaz de participar de maneira consciente do seu desenvolvimento”.

    Para facilitar esse processo, é imprescindível registrar todo o processo, os pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, fatos, reações, decisões etc. Dessa forma, será possível verificar e medir as mudanças por meio das comparações. Esse hábito, uma vez incorporado à rotina diária, pode facilitar o desenvolvimento do comportamento de auto-observação e até de autoanálise. 

    O desenvolvimento

    É necessário também que, ao verificar o que se pretende modificar, determinem-se ações presentes que possam modificar o comportamento no sentido do que se pretende alcançar.

    Ou seja, uma vez haja a verificação dos fatos, sentimentos, pensamentos e reações que causaram ou causam problemas (ou que se deseja modificar), é importante fazer algo a respeito no sentido de desenvolver os comportamentos e competências necessários ao melhor trato conosco e com o meio.

    Isso gera a necessidade de uma visão de futuro, eis que é necessário saber para onde se desejar ir, ou, para onde desejamos guiar as ações e em qual direção trabalhar nossos comportamentos.

    Ao se conhecer, torna-se claro aquilo que se é, acredita, pensa, sente, possui e se comporta nas mais diversas situações. Também é essencial a compreensão de que tudo o que será encontrado no processo é resultado do passado, sendo possível trabalhar com essas questões no presente para ser diferente no futuro. É preciso se conhecer para se saber onde está em relação a quem deseja se tornar. 

    Contudo, embora eficaz para o autoconhecimento, o processo de análise é longo e, muitas vezes, desconfortável. Essa é a razão pela qual é essencial passar pelo processo com um objetivo claro do que se pretende com o autoconhecimento, permitindo que se mantenha a motivação e não se permita qualquer limitação.

    Resultados

    Entendemos que a psicanálise é um instrumento válido para o autoconhecimento porque é uma das formas estruturadas de acesso ao subconsciente. Ademais, fornece, através da livre associação e interpretação de resultados, conteúdo de extrema valia sobre o analisando. Portanto, lhe proporciona conhecimento sobre si mesmo que poderá ser utilizado para melhorar sua relação consigo e com o meio. 

    Nesse passo, entendemos que, embora eficaz, a psicanálise não é o instrumento mais eficiente para essa finalidade. Isso porque ela depende de inúmeros fatores para atingir o seu objetivo, além de ser uma terapia demorada e, por sua natureza, algumas vezes dolorosa. Logo, apenas pacientes motivados conseguiriam ir a fundo em si mesmos e continuar as sessões até atingir seus objetivos. Isso faz com que outros métodos sejam mais rápidos e eficientes para o autoconhecimento funcional. 

    Contudo, até o presente momento, não encontramos nenhum outro método que colabore tanto quanto a psicanálise em profundidade e qualidade ao indivíduo, muito menos no quesito capacitação deste para melhor relação consigo e com o meio. Isso especialmente pelo fato de fornecer uma estrutura ao acesso ao inconsciente e colaborar com a tradução e interpretação dos resultados.

    Dessa forma, entendemos que a melhor escolha cabe a cada indivíduo quanto a quais métodos utilizar. Todos devem tomar como base aqueles que melhor se alinharem com seus objetivos. São exemplos disso disponibilidade de tempo, orçamento e interesse no aprofundamento e desenvolvimento contínuo.

    Conclusão sobre a importância do autoconhecimento

    Neste resumo sobre autoconhecimento, como hipótese, partimos do princípio que a psicanálise funciona como instrumento para o autoconhecimento. Ademais, como objetivos, buscamos demonstrar os pontos de vista sobre a hipótese objeto de estudo e exploramos os elementos que fortalecem e enfraquecem a hipótese estabelecida, além da eficiência e eficácia da psicanálise para tal finalidade.

    Na primeira parte do trabalho, abordamos o que se entende por autoconhecimento e quais são as formas mais comuns de alcançá-lo, verificando que a psicanálise estava entre elas desde que concebida por Freud. Ele já reconhecia sua utilidade para esse fim.

    Na segunda parte, focamos em explicar o que é e como funciona a psicanálise, enquanto que, na terceira parte, demonstramos ser possível que a psicanálise seja utilizada como instrumento para o autoconhecimento. 

    Dessa forma, entendemos que realmente a psicanálise é um instrumento válido para o autoconhecimento porque é uma das formas estruturadas de acesso ao subconsciente, além de fornecer, através da livre associação e interpretação de resultados, conteúdo de extrema valia sobre o analisando.

    Assim, lhe proporciona conhecimento sobre si mesmo que poderá ser utilizado para melhorar sua relação consigo e com o meio. 

    A diferença entre eficácia e eficiência

    Nesse passo, entendemos que, embora eficaz, a psicanálise não é o instrumento mais eficiente para essa finalidade. Ela depende de inúmeros fatores para atingir o seu objetivo, além de ser uma terapia demorada e, por sua natureza, algumas vezes dolorosa.

    Logo, apenas pacientes motivados conseguiriam ir a fundo em si mesmos e continuar as sessões até atingir seus objetivos. Isso faz com que outros métodos sejam mais rápidos e eficientes para o autoconhecimento funcional.

    No entanto, até o presente momento, não encontramos nenhum outro método que colabore tanto quanto a psicanálise em profundidade e qualidade ao indivíduo, muito menos no quesito capacitação deste para melhor relação consigo e com o meio. Isso especialmente pelo fato de fornecer uma estrutura ao acesso ao inconsciente e colaborar com a tradução e interpretação dos resultados.

    Dessa forma, entendemos que a melhor escolha cabe a cada indivíduo quanto a quais métodos utilizar. Ele deve tomar como base aqueles que melhor se alinharem com seus objetivos, disponibilidade de tempo, orçamento e interesse no aprofundamento e desenvolvimento contínuo.

    Assim, se o indivíduo buscar aprofundamento, qualidade e conteúdo, a psicanálise provavelmente será eficaz. Contudo, se buscar agilidade e funcionalidade, em uma situação específica, outros métodos como testes de perfis, processos vocacionais, terapia cognitivo comportamental, coaching, hipnose, etc. podem funcionar melhor.

    Eles contam com maior enfoque prático, menor duração, maior flexibilidade de orçamento (pela duração) e atingem demandas bem mais específicas. 

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    Por fim, concluímos pela possibilidade de a psicanálise ser utilizada como instrumento para o autoconhecimento, sendo eficaz, porém não necessariamente eficiente, dependendo a eficiência do objetivo do indivíduo com o processo de autoconhecimento, especialmente nos quesitos de tempo, finalidade, especificidade e orçamento.

    Este conteúdo sobre o que é autoconhecimento foi escrito por Gabriel Calzado para o Curso de Formação em Psicanálise Clínica.

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