O que é caráter? Entenda de uma vez por todas

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Você já ouviu ou leu alguma vez que uma pessoa tem ou não caráter? Provavelmente sim. E, geralmente, quando você conhece a pessoa, você concorda ou discorda dessa afirmação. No entanto, você já se perguntou o que é caráter?

A verdade é que muitas vezes nós ficamos acomodados com conceitos que compartilhamos socialmente. Mas, muitas vezes, não fazemos a mínima ideia do que esses conceitos significam. Por isso, nesse artigo vamos conversar sobre o que é caráter. Porém, não apenas o sentido comum, traremos também o onceito de caráter para a psicanálise.

O que é caráter

Vamos começar falando sobre o significado da palavra no dicionário e no sentido comum. Aqui ele é um conjunto de características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo. Além disso, pode ser uma característica relacionada a um grupo.

Esse conjunto de qualidades e defeitos de uma pessoa vão determinar a sua conduta e a sua moralidade da pessoa. Ou seja, o seu caráter.

Já os valores e firmeza moral definem a coerência da ações, do seu modo de agir e comportamento. Dessa forma, uma pessoa conhecida como “sem caráter” ou “mau caráter”, geralmente é qualificada como desonesta. Isso porque ela não apresenta firmeza de princípios ou de moral. Contrariamente, uma pessoa “de caráter” é alguém com formação moral sólida e incontestável.

Já a expressão “a caráter”, por outro lado, tem significado conforme a época e ao lugar. Rigorosamente tem a ver como a moda ou as vestimentas esperadas para um evento devem ser.

O Caráter Segundo Freud e Reich

Agora vamos trazer o conceito referido segundo a psicanálise. Nesse contexto, achamos importante começar pela visão de Freud e Reich sobre o tema.

Freud

Freud foi o primeiro a observar que o caráter e seus traços poderiam ser explicados. Essas transformações permanentes ocorrem desde os impulsos primitivos,isto é, os infantis.

Reich

Já Wilhelm Reich foi o primeiro teórico que se preocupou em formular uma teoria coerente do caráter. Reich dizia que “o caráter consiste numa mudança crônica do ego que se poderia descrever como um enrijecimento”.

Dessa forma, o caráter se forma para manter uma estrutura necessária ao desenvolvimento do indivíduo. Porém, quanto mais rígida e inflexível for a estrutura do caráter, mais esse caráter se transformará em uma resistência.

Essa resistência, por sua vez, tenta manter o material inconsciente fora de alcance. Isso faz com que o indivíduo passe a reagir de modo automático como um mecanismo de defesa. Ou seja, não é algo que se escolhe, mas que se é submetido e de que não se livra. Nessa visão, o caráter é uma reação àquilo que foi experimentado na infância. Além disso, cada caráter é único porque cada experiência é única.

Consequentemente, o que podemos apreender dos dois autores é que o caráter é a maneira a qual a pessoa se apresenta e se comporta em suas relações. Ou seja, a atitude psíquica particular em direção ao mundo externo, específica a um dado indivíduo.

Assim, ela pode se adequar ou não ao seu contexto social. O caráter seria então a dimensão total das atitudes e ações individuais em relação ao mundo. Sendo que a formação dela está ligada a diversos fatores. Principalmente o desenvolvimento psicossexual, relação com ego e figuras parentais. Isso além da relação e restrições de identificação e prazer. As variações dessas experiências podem aproximar ou afastar o caráter da neurose.

O que é caráter para a Psicanálise

A partir do que vimos, o caráter é composto por atitudes e hábitos de uma pessoa. Isso somado ao padrão consistente de respostas para várias situações. Ele inclui atitudes, valores conscientes e comportamentos.

Segundo a psicanálise, a finalidade do caráter é proteger o ego dos perigos internos e externos. Para isso, ele limita a mobilidade psíquica da personalidade. Essa função protetora podemos chamar de couraça de caráter. Essa couraça se forma como resultado crônico do choque entre exigências pulsionais.

Podemos dizer que a formação do caráter inicia quando o indivíduo supera o complexo de Édipo. Afinal, aqui há a elaboração do conflito entre os desejos genitais incestuosos e a frustração desses desejos. Se a criança se desenvolveu de maneira saudável, o ego se torna forte e integrado, sendo dirigido para a ordem seguida na realidade.

Ego, recalque e punição

Porém, se os desejos genitais são muito intensos e o ego é fraco, desenvolve-se o medo de punição. Dessa forma, o ego se protege através dos recalques. Este é um mecanismo de defesa que envia as ideias que são incompatíveis com o ego para o inconsciente. A consequência disso seria a formação de um caráter com atitudes de evitação do medo. Ou seja, um “caráter fraco”.

Em ambos os casos o caráter cumpre a sua função. Sendo que a formação do caráter exerce funções econômicas de aliviar a pressão do recalque e fortalecer o ego. Esse ego torna a pessoa rígida e limitada em suas percepções e ações. Assim, a função econômica do caráter e suas resistências servem para evitar o desprazer.

Além disso, ele estabelece e mantém o equilíbrio psíquico. Mesmo que este equilíbrio seja neurótico e, absorva as energias reprimidas.


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É interessante ver que o caráter tem relação com a maneira pela qual a pulsão e a frustração são construídas. Sendo essa construção nas fases do desenvolvimento psicossexual. Essas fases são:

Fase oral (ocorre do nascimento até o primeiro ano)

Envolve a satisfação da fome e da sede e as sensações do contato com a mãe na amamentação. Essa relação estimula funções como: sugar, mastigar, comer, morder, cuspir.

Fase anal (ocorre do primeiro ao terceiro ano)

Envolve o controle dos esfíncteres anais e a defecação.

Fase fálica (ocorre do terceiro ao quinto ano)

Reconhecimento dos órgãos genitais e elaboração do complexo de Édipo.

Fase genital (ocorre na puberdade, que hoje se inicia cada vez mais cedo)

Seu desenvolvimento se dá durante a adolescência. Ocorrem mudanças corporais, há um retorno da energia libidinal aos órgãos sexuais e uma maior estruturação do ego.

Fase extra de Reich

Reich também percebeu que há a fase ou estágio ocular. Essa fase vem para complementar as fases de desenvolvimento. Ela seria o primeiro segmento, de fato, a entrar em contato com a mãe e com o ambiente. Sendo a relação com o reconhecimento materno, com a percepção de acolhimento e com o desenvolvimento da visão binocular.

Porém, é importante que cada criança tenha seu desenvolvimento. Dessa forma, é necessário entender que nem toda criança segue rigidamente cada uma das fases descritas. Porém, isso não significa que a criança terá um caráter frágil. É só uma linha de desenvolvimento diferente.

Para a psicanálise, o que determina como será o caráter e se o desenvolvimento foi sadio ou não.

Conclusão sobre o que é caráter

O que é caráter pode ser entendido a partir de vários prismas. Esperamos que esse artigo tenha te ajudado a ver segundo a psicanálise. Se você quer saber mais sobre o tema e de psicanálise, conheça nosso curso de Psicanálise Clínica. Ele é um curso 100% online e aborda temas relevantes e atuais sobre a psicanálise. Confira!

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