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Tecnologia e o Inconsciente Coletivo nas relações humanas

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Com o avanço da sociedade e da tecnologia, as relações humanas passaram a ser mais “instantâneas”. Além disso, os instintos primitivos dos seres humanos passaram a ser ignorados, ou melhor, recalcados. Por isso, há muitos relacionamentos que não dão certo. Você sabe qual o real papel da tecnologia nesse inconsciente coletivo? Confira agora!

A memória coletiva e primitiva

Carl Jung, médico suíço e sucessor de Freud nos estudos da psicanálise, desenvolveu a ideia de que o indivíduo possui uma memória coletiva e primitiva. Ou seja, memórias de experiências humanas atemporais, que vão além de experiências individuais. Desta maneira, o inconsciente do homem é composto de suas próprias experiências, junto das experiências da humanidade ao longo da história.

Partindo dessa ideia, identifica-se um grande problema nos dias atuais: o conflito do homem moderno, altamente tecnológico, e seus instintos primitivos. Exemplo disso é a facilidade com que as pessoas se relacionam nos dias atuais, por meio de aplicativos e redes sociais. Ademais, a memória inconsciente que o homem, principalmente do sexo masculino, tem de ser um explorador nato. Outro exemplo é o instinto caçador, além das memórias ancestrais de competidor, provedor e herói.

Ao longo dos anos, o ser humano evoluiu de forma grandiosa e tecnológica. O homem primitivo demorava dias para concluir uma tarefa. Enquanto o homem moderno conclui muitas de suas obrigações diárias com um clique. Essa facilidade de informação estendeu-se a todos os setores da vida do homem. Por exemplo, finanças, relacionamentos, estudos, trabalhos, e organização pessoal.

A tecnologia e os relacionamentos

 Não se imaginaria que toda essa praticidade seria nociva, principalmente no setor de relacionamentos, mais precisamente, nos relacionamentos amorosos. Isto porque, o homem moderno, com toda essa máquina tecnológica em mãos, possui um mente primitiva. Por exemplo, com características de um explorador, como bem faziam seus ancestrais ao buscar por novos lugares, por melhores condições de vida e sobrevivência. Entretanto, as redes sociais podem funcionar como verdadeiras vitrines humanas, nas quais muitas pessoas expõem detalhadamente sua vida pessoal.

Assim, elas narram suas qualidades, seus defeitos, seu estilo de vida, preferências, hobbies e, etc. Está tudo ali, pronto, fixo em não mais do que 2 ou 3 páginas. Esse costume, muitíssimo comum, anda na contramão da necessidade do homem em explorar, conhecer, achar o melhor para si.  Visto que, em sua memória inconsciente, ele é um explorador, fortemente atraído pelo mistério. Neste caso, não há o que se explorar, surge, então, um sentimento de vazio e tédio, consequentemente uma súbita perda de interesse pelo outro.

Além dessa memória primitiva de ser um explorador, o ser humano, principalmente o do sexo masculino, carrega consigo a necessidade de ser um caçador e competidor. Nesse caso, não se trata de buscar sobre o outro, e sim conquistar o outro. Ele necessita ir atrás, buscar, alcançar, literalmente caçar. Esses instintos são mais fortes nos homens do que nas mulheres, já que nos primórdios da humanidade era o homem o caçador, ele quem saía em busca do alimento e competia com outros da mesma espécie pela sua presa. 

Problemas nas relações causados pela tecnologia

Por conta dessa memória coletiva atemporal, citada por Carl Jung, o homem moderno permanece com essa necessidade de caça e transfere, inconscientemente, isso para suas relações. De forma analógica, o homem é o caçador, o competidor e a mulher a “presa”, o prêmio. Portanto, para que ele satisfaça esse instinto primitivo, a mulher deve fazer o papel de presa para que ele se sinta, verdadeiramente, o caçador. 

Entretanto, acontece que as pessoas estão conectadas uma às outras o tempo todo dos seus dias. Elas não dão espaço para que o outro a procure. Não existem, aqui, regras de como se relacionar em redes sociais, mas sim uma análise de como funciona a mente humana, baseada nas suas memórias ancestrais. Muito se observa que os relacionamentos estão descartáveis, as pessoas saem da vida de outras com a mesma facilidade que entram. Isto porque, os homens anseiam, inconscientemente, por competição, conquista, luta etc.

A instantaneidade pela tecnologia

Porém, a rapidez da internet e da comunicação não permitem que esse processo aconteça de modo natural. Consequentemente, por falta de dedicação, de empenho em conquistar o outro, o relacionamento cresce insatisfatório e com um sentimento de desvalorização. O prêmio só é valorizado, quando conquistá-lo torna-se um desafio.

Outro aspecto e não menos importante, que se observa nas relações atuais, é a independência do indivíduo. As pessoas estão, cada vez mais, aprendendo a viver sozinhas.

Para isso, usam da tecnologia para satisfazer as suas necessidades, que antes eram supridas pela presença de um parceiro. Um exemplo disso, são os chamados “maridos de aluguéis”, profissionais que estão a disposição para resolução de qualquer problema que a mulher possa ter e que não consiga resolver.

Basta um telefone: é só pagar e pronto. Por outro lado, os homens estão tornando-se independente quando o assunto é serviços domésticos. Os que não pagam para realizar o serviço, aprendem, na maioria das vezes na internet, como faz. Logo, no relacionamento, os homens, por exemplo, não conseguem se sentir provedores. A figura masculina do herói está sendo desconstruída, gradativamente, pela sociedade moderna. 

Entretanto, esquece-se que sua mente primitiva deseja ser a salvadora, que o homem seja o provedor. Assim, ele precisa provar o seu valor por meio de ações e decisões. Uma vez que ele não consegue demonstrar sua competência, coragem e valor, ele se frustra. Logo, sente-se desencorajado a investir na relação por achar incompetente para tal.

Conclusão

Diante desses fatos, conclui-se que os relacionamentos atuais, tidos como descartáveis, estão prejudicados pela rapidez da informação. Ou seja, pela tecnologia e facilidade de comunicação. Visto que o homem possui uma mente que está muito atrás da sua realidade, causando um conflito entre ações, desejos e instintos. Por mais que ele anseia rapidez, clareza, facilidade e solução, lá nas suas profundezas, ele pensa como um primitivo que precisa caçar, explorar, prover, cuidar, competir, assim como seus ancestrais. E todo esse mundo tecnológico não permite que o homem desenvolva esse trabalho e satisfaça sua necessidade primitiva.

Assim, se o desejo é melhorar os relacionamentos, uma das diretrizes é que as pessoas se comportem, conscientemente, como o outro, inconscientemente,  espera. Para tal, é necessário, por vezes, deixar a tecnologia e conhecer as necessidades da natureza humana. Buscando nas memórias primitivas, acessar o inconsciente coletivo, como chamou Carl Jung, e respeitar o instinto humano. Com isso, permitir que o outro exerça sua função e necessidade de caçar, competir, explorar e prover.

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Artigo escrito pela autora Natane Ramer da Luz e Souza, exclusivamente para nosso Blog Psicanálise Clínica.

 


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