O que é Saúde Mental, características e como obter

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Você sabe o que é saúde mental? Isso porque muito tem se falado sobre este assunto. Porém, nem sempre sabemos, de fato, suas características. Então, confira o nosso artigo para saber mais!

O que é saúde mental e os transtornos mentais

Para começar, falaremos sobre os transtornos mentais. Nesse sentido, saiba que eles são universais e atingem homens e mulheres de todas as idades. Ademais, independem das classes econômicas e culturas, gerando limitações e dependências.

Além disso, afetam a qualidade de vida das pessoas e de seus familiares. Dessa forma, calcula-se que, nos dias atuais, mais de 30 milhões de brasileiros sofram com algum transtorno mental. Como resultado, há uma grande sobrecarga para a família. Assim como para a população em um todo.

Desse modo, os transtornos mentais representam em torno de 13% da sobrecarga de doenças do mundo. Sendo assim, há estimativas de que até 70% são transtornos de humor. Porém, 90% são para transtornos por uso de álcool em países desenvolvidos.

Nesse sentido, diversos estudos têm demonstrado que a saúde mental é crucial para o bem-estar das pessoas, sociedade e países. Apesar dessas constatações, a lacuna entre oferta e demanda de assistência em saúde mental ainda é grande.

O que é saúde mental e o transtorno de pânico

Desse modo, este artigo tratará do transtorno de pânico. Pois, este é um dos principais transtornos mentais que afetam as pessoas.

Origens desse transtorno

A palavra pânico tem origem grega e tem como significado susto, medo ou pavor repetitivo. Nesse sentido, na mitologia grega o Deus Pã, que possuía chifres e pés de bode, provocava com seu aparecimento, horror nos pastores e camponeses.

Dessa forma, em Atenas foi erguido na Acrópole um templo ao Deus Pã. Assim, ficava ao lado da Ágora, a praça do mercado onde se reunia a assembleia popular para discutir os problemas da cidade. Portanto, foi daí que surgiu o termo agorafobia, usado na psiquiatria.

Transtorno de pânico, segundo Sigmund Freud

Em um de seus ensaios de 1985, Freud discorreu sobre o aparecimento deste transtorno criando o termo “Neurose de Ansiedade”. Então, este é caraterizaso por sintomas como os do transtorno de pânico.

Assim, segundo o psicanalista, este transtorno pode se apresentar de forma crônica. Além disso, os ataques violentos de ansiedade se manifestam. Ademais, estes ataques podem ser distintos e súbitos.

Dessa maneira, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o transtorno atinge entre 2% e 4% da população brasileira. No entanto, muitas vezes o transtorno é utilizado de forma errada. Logo, é confundido com a angústia, a preocupação ou o susto.

Então, que é o transtorno de pânico?

Por isso, é importante conhecer as características do transtorno de pânico. Nesse sentido, este é o tipo mais comum de transtorno de ansiedade. Dessa forma, há uma ocorrência repentina de crise de ansiedade aguda, acompanhada da sensação de medo e de desespero.

Portanto, o transtorno de pânico vem afetando de maneira significativa a população. Logo, causa sofrimento psíquico, prejuízos sociais e laborais. Por isso, há um grande aumento na procura dos serviços de saúde mental nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Ademais, o transtorno do pânico é reconhecido pela OMS e está presente na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) com critério F41.0.

Transtorno do pânico, segundo a Psicologia

Para compreender a abordagem psicanalítica no transtorno de pânico, é importante definí-lo sob o ponto de vista psicológico. Nesse sentido, o conceito de medo é a resposta comportamental a antecipação das sensações no corpo.

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    Assim, a evolução para um transtorno de pânico é a ansiedade sobre a recorrência do pânico. Ou seja, não é o pânico por si próprio. Nesse sentido, em uma visão de Freud sobre este transtorno, bem como outras teorias, essa é uma angústia como um nada. Pois, é uma espécie de ilusão do paciente.

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    Em seguida, os estudos passaram a adotar uma visão positiva, procurando não só entender ou descrever, mas também explicar o fenômeno da angústia. Então, o transtorno passa a ser encarado como uma forma particular da vida afetiva.

    Dessa forma, são os sintomas de um processo patológico mental ou orgânico. Ainda, acaba por se constituir na própria doença. Ou seja, na neurose de angústia. Mas, em especial, no transtorno de pânico, denominação atual usada na psiquiatria.

    O que é saúde mental e angústia

    Então, a angústia passa a ser compreendida como sintoma repleto de manifestações observáveis no corpo do paciente.  Assim, de forma objetiva, há análise dos seus relatos e lamentações. Contudo, no ponto de vista psicológico, ainda é algo difícil de achar explicações.

    Entretanto, a psiquiatria até tenta explicá-la sob uma persoectiva orgânica. Desse modo, a angústia nasceu de diversas maneiras, até evoluir e ser classificada como transtorno de pânico.

    Características do transtorno de pânico

    Nesse sentido, o transtorno do pânico, caracteriza-se por crises de medo e pânico inesperadas. Ademais, podem ter sintomas físicos, como:

    • náuseas;
    • suor;
    • taquicardia.

    Assim como sintimas emocionais, como:

    • sensação de morte iminente;
    • desespero incontrolável, sem causa aparente.

    Dessa forma, algumas situações específicas podem causar os “gatilhos” que geram a síndrome do pânico. Nesse sentido, a ansiedade é definida com um sentimento humano universal. Contudo, ela ocorre em resposta a situações de impotência ou ameaças ou diversas.

    Além disso, pode estar associada a outras situações de estresse. Isso faz com que a pessoa evite tais situações com medo das crises. Logo, começa a existir uma restrição de determinados atos e situações pela própria pessoa. Portanto, muitas vezes ela acaba se isolando para evitá-las, gerando um medo exacerbado.

    Alguns exemplos e consequências

    Sendo assim, é esse excesso de medo que marca a síndrome do pânico. Então, quando as crises são recorrentes, as implicações na vida da pessoa podem ser inúmeras, causando diversos desconfortos. Além disso, provoca um grande sofrimento psíquico, prejudicando as relações sociais e pofissionais.

    Muitas vezes, as respostas desses estressores são o sentido que prepara o organismo para lidar com as adversidades do mundo. Logo, as crises de pânico podem durar longos períodos, causando grandes prejuízos ao funcionamento global do indivíduo.

    Sendo assim, muitas pessoas têm medo de sair de casa, viajar, andar de carro, fazer uma cirurgia, entre muitos outros pânicos. Nesses casos, a ansiedade surge de maneira intensa, afetando os hábitos do dia a dia.

    Então, em algumas pessoas, esses sintomas podem ser percebidos por outros, como os casos de alcoolismo e de mudança de comportamento. Dessa forma, podem ser observadas as causas do sofrimento para os outros e os prejuízo para si próprio.

    Diagnóstico

    Assim, os profissionais de saúde mental fazem o diagnóstico do transtorno. Desse modo, o profissional realiza conversas com o paciente para analisar sua situação. Além disso, são realizados exames físicos para descartar outras doenças.

    Contudo, para ter uma definição concreta do transtorno de pânico, o paciente precisa apresentar um ataque  inesperado ao longo da vida. Ainda, acompanhar, por pelo menos um mês, a recorrência ou consequências desse ataque.

    Por conta disso, é comum que algumas pessoas que sofrem de transtorno também desenvolver agorafobia. Ou seja, o medo excessivo que as levam a evitar os lugares ou situações que lhes causam pânico.

    Dados sobre o transtorno do pânico

    Em geral, se desenvolve por volta dos 20 anos, com as maiores taxas entre 30 e 39 anos de idade. Porém, quando surge na adolescência, a síndrome do pânico aumenta o risco de desenvolvimento de outros transtornos psiquiátricos na vida adulta. 

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    Nesse sentido, outro dado importante é que a incidência é de 2 a 3 vezes maior em mulheres do que em homens. Sendo que um dos fatores que costuma estar associado é o tabagismo. Pois, está ligado ao desenvolvimento mais precoce da doença.

    Ademais, cerca de 30% dos casos de pânico está associado aos transtornos depressivos e de ansiedade. Dessa forma, a frequência de uma crise de pânico pode ser muito variável e tende a diminuir com o avançar da idade.

    Contudo, há duas possibilidades para as crises:

    1. começa e termina de modo súbito e atingem o pico da sensação de medo e angústia em pouco tempo. Ou seja, há uma rápida evolução e aumento de intensidade;
    2. ao desencadear a crise e começar a sentir os sintomas físicos, a pessoa acredita que tais sintomas estão colocando sua vida em risco. Por exemplo, ao perceber o batimento cardíaco acelerado, desencadeado pela crise, podendo gerar um ataque cardíaco e lavá-la à morte. 

    Por mais que os ataques de pânico sejam comuns em diversos tipos de fobias ou transtornos de ansiedade, eles não constituem um diagnóstico de transtorno ou síndrome do pânico.

    Assim, a maior diferença entre os outros diagnósticos está na forma em que esses ataques iniciam. Isto é, sem uma exposição direta a situações de medo e sem serem sucedidos por ações e pensamentos que visam evitar novas crises.

    O que significa saúde mental: ataques de pânico e transtorno de pânico

    Contudo, é importante diferenciar os ataques de pânico e o transtorno de pânico.

    Ataques de pânico

    Desse modo, ataques de pânico são definidos como crises de medo e desconforto intensos.  Então, estes são acompanhados por quatro ou mais sintomas que apareceram de forma rápida e bruta.

    Mas se acalmam em um pico máximo de 10 minutos. Logo, os principais sintomas são:

    • taquicardia;
    • sudorese;
    • tremores;
    • falta de ar;
    • sensação de desmaio;
    • náuseas;
    • tonturas;
    • vertigem;
    • desrealização ou despersonalização;
    • sensação de desconforto ou de enlouquecer;
    • medo de morrer;
    • pavor de anestesia
    • sensação de formigamento;
    • calafrios
    • ondas de calor.

    Assim, estes sintomas podem estar presentes em outros transtornos, como a ansiedade e depressão. Portanto, as crises de pânico, em geral, são inesperadas e podem estar ligados a alguma situação de estresse. Ainda,  como alguma situação que predisponha crises, como lugares fechados e locais com multidão.

    Transtorno de pânico

    No entanto, se tais crises forem frequentes, inesperadas e ocorrerem dentro do período de um mês, acompanhados de preocupações persistente é preciso ficar atento. Pois, se houver novos ataques, com interferência na vida pessoal e profissional, pode diagnosticar o transtorno de pânico.

    Ademais, vale ressaltar que este diagnostico só pode ser dado por um profissional de saúde mental. E isso, depois de descartar a existência de algumas doenças físicas, como hipertireoidismo.

    Ainda, o diagnóstico de transtorno de pânico só pode ser dado com a presença no mínimo de quatro sintomas. Contudo, sua frequência e a gravidade variam de pessoa para pessoa. Para a Psicanálise, o diagnóstico clínico do transtorno de pânico se dá a partir de uma análise.

    Além disso, de como estão articuladas as subestruturas psíquicas. Ou seja, a relação entre os sintomas, o caráter, a inibição e a estereotipia.

    Tratamento para o transtorno de pânico

    As crises de pânico podem ter uma explicação psicológica e fatores necrobióticos e nem sempre é possível identificar o que desencadeou as crises. Pois, cada paciente interpreta de uma forma diferente esses eventos. Além dos fatores genéticos, há uma base biológica para o transtorno de pânico.

    Pois, eles estão relacionados às alterações nos neurotransmissores monoaminérgicos cerebrais. Então, os benzodiazepínicos são eficazes porque bloqueiam as crises de pânicos de forma rápida.Contudo, esse tipo de medicamento apresenta um grande índice de dependência, como também leva ao aumento da dose.

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    Porém, são diversos os medicamentos que podem auxiliar no tratamento do transtorno do pânico. Mas devem  sempre estar aliados a um acompanhamento psiquiátrico e à Terapia Cognitivo-Comportamental. Por isso, é importante os tratamentos farmacológico e psicoterápico neste transtorno.

    Assim, o profissional poderá indicar o melhor tratamento para cada pessoa. Pois, o objetivo é alcançar a maior eficiência nos resultados. Portanto, após a interrupção do tratamento farmacológico, é fundamental seguir com o acompanhamento psiquiátrico. Pois, visa a prevenção de recaídas.

    Como obter saúde mental?

    Além disso, a necessidade da avaliação psicodinâmica de cada caso. Assim, é possível  identificar a influência dos fatores biológicos e dinâmicos no paciente. Então, é fundamental que o psiquiatra avalie bem o paciente.

    Desse modo, foi observado que 96% dos pacientes que tinham transtornos pânico tratados com farmacológicos e com psicodinâmica apresentaram melhores resultados que os grupos tratados com as psicoterapias breves.

    Logo, a psicodinâmica alcançou mudanças mais significativas em três eixos: queixas principais, funcionamento da personalidade e resultados gerais. Ou seja, a maioria das pessoas encontra melhora significativa com esse tipo de tratamento.

    Contudo, o sucesso do tratamento varia entre as pessoas. Pois, algumas podem responder após alguns meses, enquanto outras pessoas podem precisar de mais de um ano. Entretanto, o tratamento pode ser mais extenso se uma pessoa tiver mais de um transtorno de ansiedade.

    Ainda mais se ela sofre de depressão ou abuso de substâncias. Nesse sentido, os tratamentos devem ser adaptados às necessidades do paciente.

    O que é saúde mental e Terapia Cognitivo-Comportamental?

    O tratamento com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) vem tendo inúmeros resultados. Assim, os estudos mostram que esta é a mais indicada para tratar os transtornos de ansiedade. E, em especial, o transtorno de pânico.

    Portanto, essa terapia surgiu na década de 1960 com a insatisfação dos psicólogos e dos psiquiatras com os métodos tradicionais. Assim, após anos de pesquisa e práticas clínicas usando outras alternativas de tratamento. Desse modo, a atuação da Psicoterapia Cognitiva-Comportamental foi se ampliando.

    Logo, vem sendo utilizada para tratar problemas específicos. Pois, ficaram conhecidas como as melhores para este tipo de crise. Sendo assim, a TCC tem a intenção de cuidar do paciente de forma didática. Porque, ela ensina sobre a compreensão do corpo, identificando sintomas e sensações.

    Desse modo, com treino e persistência o paciente poderá obter controle diante de suas crises. E assim, obter melhoras. Isso porque, com o tratamento ele tem a possibilidade de modificar seus padrões de pensamentos. Ou seja, trabalhar na modificação de crenças relacionadas às situações e experiências vividas.

    Logo, a TCC ensina as pessoas a relaxar e evitar a hiperventilação. Isso porque, o paciente realiza exposições graduais, nas quais são avaliadas as sensações físicas e uma análise das cognições envolvidas.

    Características da saúde mental

    Na tentativa de descobrir o diagnóstico dos transtornos mentais, os profissionais despreparados solicitam exames caros e desnecessários. Assim, permitem, memso sem a intenção, que o sofrimento destes pacientes se prolonguem. Ainda, não descobrem as causas das crises.

    Por isso, é preciso observar se existem sobreposições entre os sintomas de pânicos e outros problemas clínicos. Assim como, a agorafobia, o transtorno de somatizações e quadros de transtornos afetivos não tratados de maneira correta.

    Assim, com o intuito de obter saúde mental é preciso observar as vastas cacterísticas desses transtornos. Pois, envolvem a pessoa, causando vulnerabilidade em toda as áreas da sua vida.

    Conclusão sobre o que é saúde mental

    Nesse sentido, a melhor alternativa para obter saúde mental são os tratamentos combinados. Contudo, a grande parte dos estudos indica Terapia Cognitivo-Comportamental, junto ao tratamento farmacológico, como os mais eficazes para os transtornos de ansiedade.

    Desta forma, percebe-se que, para o tratamento seja bem-sucedido, o trabalho terá que ser em conjunto. Ou seja, as partes devem caminhar juntas visando os mesmos objetivos. Sendo assim, o terapeuta e o paciente vençam essa guerra.

     

     

    Este conteúdo sobre o que é saúde mental foi escrito por João Carlos de Moura para o Curso de Formação em Psicanálise Clínica.

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