Pedagogia da Autonomia

A Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire

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No artigo de hoje, iremos nos debruçar sobre a obra Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire. Esse livro traz uma série de reflexões pertinentes sobre a relação professor-aluno, além de dar algumas diretrizes sobre o conhecimento dentro do ambiente escolar. Portanto, venha conosco!

1 – Início de carreira

Paulo Freire nasceu em Recife, Pernambuco, no dia 19 de setembro de 1921. Já em 1943, ingressou na Faculdade de Direito do Recife. Depois de se formar, continuou atuando como professor de português no Colégio Oswaldo Cruz, onde estudou. Profissão esta que tinha antes mesmo de iniciar a graduação.

Na ditadura civil-militar, Paulo Freire foi exilado na Bolívia e passou por diversos países, desenvolvendo programas pedagógicos. Todos estes programas de acordo com o método que ele desenvolveu. Além disso, lecionou em Harvard e na ONU.

Freire foi criador do MOVA, o Movimento de Alfabetização de São Paulo. Esse programa se dá em locais onde há demanda por alfabetização. Aulas ocorriam em creches, associações comunitárias e igrejas. Uma vez que a alfabetização ocorria, os responsáveis estimulavam os alunos a seguirem com os estudos.

Freire também ocupou vários cargos em governos e prefeituras. No governo de Luiza Erundina, foi secretário da educação entre 1988 e 1991. É o brasileiro com mais títulos de doutor honoris causa, tendo seu reconhecimento em universidades como Harvard, Cambridge e Yale.

2 – A Ética na pedagogia

O livro Pedagogia da Autonomia – saberes necessários à prática educativa foi o último de Paulo Freire. Ele publicou a obra ainda em vida, no ano de 1996. Nele, encontramos em apenas três capítulos a condensação de suas ideias. Muitas delas o autor discutiu ao longo de sua trajetória como professor, escritor e ativista.

O livro inicia com uma reflexão de Freire sobre a ética. Para o autor, quem se dispõe a encarar a missão de ser um professor, deve estar ciente do seu papel de ensinar. E para isso, é necessário se revestir de uma ética, para que o método de ensino não se vincule a interesses difusos.

O que o autor pretende dizer nessa introdução é que a prática educativa sempre deve se conectar a uma ética. No entanto, tal ética não é aquela que se liga aos interesses do mercado, que formam alunos apenas para o trabalho. Trata-se de uma ética que promove a liberdade de reflexão, que estimula os diferentes tipos de opiniões. Ademais, sem discriminar os critérios de raça, classe e gênero.

Além disso, o professor que respeita p saber científico e metodológico não deve mentir. Também não deve censurar diferentes autores e saberes apenas por não concordar com tais estudos. Não só esse profissional deve exercer a ética como professor, mas deve exercê-la enquanto qualidade como ser humano. Isto é ser uma pessoa ética em todos os aspectos.

3 – A prática docente: primeira reflexão

No primeiro capítulo, Paulo Freire chama a atenção para o fato de que todos nós quando estamos fazendo algo, já demonstramos um conhecimento prévio. Em seu exemplo, a prática de cozinhar denota uma prática advinda de uma pesquisa anterior.

Isto é, ninguém que começa sua vida escolar é uma pessoa sem conhecimentos. Seja uma criança que aprendeu a falar e a copiar gestos dos seus pais, seja um adulto que não sabe ler e escrever, mas conhece diferentes tipos de objetos. Todos nós temos uma trajetória.

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Por isso, Freire nos diz que aquele que está no papel de formador deve entender que ensinar não é transferir conhecimento. Portanto, ele deve sim criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção.

Ainda sobre o primeiro capítulo

Ao refletir sobre as práticas pedagógicas, Paulo Freire nos mostra algo simples, mas ao mesmo tempo magnífico. Para ele, não há docência sem discência. Ele estimula essa prática dialógica. O professor não detém o saber absoluto e o aluno não é uma tabula rasa. O professor aprende ao ensinar e o aluno ensina ao aprender. Isso faz parte de um saber rigoroso e fundamental.

A busca pela pesquisa constante e o respeito aos educandos também fazem parte da trajetória de um educador. Ao respeitar as histórias de vida dos alunos, abre-se espaço para um debate saudável e democrático. A curiosidade e a troca de experiências são importantes para uma boa relação entre esses dois lados.

Ou seja, aqui, Freire critica o método de ensino “bancário” e autoritário. Defende um ensino baseado no respeito, dedicação e na autonomia do educando.

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    4 – Ensinar não é transferir conhecimento

    No segundo capítulo, Freire vai mais a fundo e disseca essa frase acima. Ao não transferir conhecimento, o professor respeita e valoriza a autonomia do aluno. Pois, como dito anteriormente, o conhecimento é fluido e não pode pertencer a um ou mais seres específicos.

    Quando o educador ensina, ele reconhece a própria condição de ser inacabado. Ele é condicionado a estimular a vontade dos alunos em aprender. E assim, essa troca se torna perene.

    Sendo assim, o ensinar preza por uma tolerância e entendimento do educador do meio onde vive. Muitas vezes, o professor desdenha dos alunos por causa do lugar onde vivem ou a origem social. Mas isso é deixado de lado ao reconhecer o ensino como sendo primordial dentro da sala de aula, e de lá para a vida.

    5 – Ensinar é uma especificidade humana

    No último capítulo, Paulo Freire aborda a questão da autoridade do educador. Segundo o autor, o professor deve levar a sério a sua formação. Os estudos e o entendimento pela sua formação são necessários, pois, caso contrário, sua incompetência levará à anulação da sua autoridade.

    Ele critica o fatalismo que é dado como fato consumado às pessoas mais desfavorecidas. Professores mais tendenciosos colocam situações de desigualdade social, capitalismo desenfreado e globalização favorecendo os mais ricos como fatos imutáveis. Para Freire, tal discurso deve ser encarado como ilegal, pois, isso apenas ressoa a voz do opressor, que não quer que o status quo seja alterado.

    Para que isso seja evidenciado, o professor precisa estimular os alunos que alcancem uma nova consciência. Ele mostra um cenário onde os educandos precisam saber o seu papel no mundo, que é o de protagonistas da própria história, rompendo com a ideologia opressora e castradora das suas mentes.

    Por isso, aqueles que fomentam a ideia de uma escola sem ideologia, na verdade, apenas querem marcar a ferro e fogo a sua própria. Ou seja, eles sabem que educadores e educandos cientes do poder do ensino são pessoas perigosas e que, ao tomarem as rédeas das próprias vidas, através de uma pedagogia transformadora, o cenário irá mudar.

    Considerações finais

    O livro Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire é um singelo convite à auto-reflexão dos docentes. Em um país onde a educação não é levada em conta, entender qual é o papel do educador e seus alunos no mundo é uma tarefa árdua, mas que vale muito a pena.

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