Percurso histórico da Histeria: Entenda este Fato

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A palavra “Histeria” está em circulação há mais de 2.000 anos. Ao analisar o histórico da Histeria, supõe-se que Hipócrates, o “pai da medicina”, tenha usado a palavra pela primeira vez como um termo genérico que designava enfermidades do útero. Porém, uma doença correspondente ao termo foi registrada em manuscritos egípcios.

O histórico da histeria como categoria descritiva

A Histeria, como categoria descritiva, foi empregada de diversas maneiras, em períodos históricos e contextos culturais diferentes. Para explicar a histeria, tentou-se apontar para uma aflição particular que faz o útero “migrar”. Além disso, levantaram a hipótese de propensão de pacientes à mentira e à manipulação, para lesões nos nervos, estados de êxtase e vários outros aspectos.

Como doença, a histeria tem uma ligação antiga com a mulher. Embora os pacientes de sexo masculino tenham sido, às vezes, identificados e discutidos, a histeria foi vista primordialmente como distúrbio feminino.

A forma de manifestação da histeria

Um aspecto fundamental do histórico da histeria era que ela se manifestava no corpo do paciente, de uma forma mutável, e não podia ser atribuída a nenhuma causa concreta.

Esse fato originou algumas teorias, que relacionavam a histeria a estados demoníacos. Entre os sintomas clássicos da histeria, encontravam-se:

  • sensação de sufocamento;
  • tosse;
  • acessos dramáticos;
  • paralisia dos membros;
  • ataques de desmaio; e
  • incapacidade repentina de falar.

Em suma, uma doença que parecia sem razão e difícil de diagnosticar.

Os documentos da história da histeria

A história documental da histeria começa nos primeiros escritos médicos e filosóficos. Hipócrates, nascido em 460 a.C., já se referia a esse mal, sobre o qual só se possuíam conhecimentos rudimentares.

Foram descritos como pessoas que procuravam o templo de Apolo, em meio a convulsões e gritos, mas eram, na realidade, pessoas histéricas.

Hipócrates foi o primeiro a tentar explicar tais manifestações, vinculando-as a um deslocamento do útero, histeron, em grego, originando o nome Histeria. Sendo assim, para ele, tratava-se de uma anomalia ginecológica. Essa concepção que perdurou na clínica e na terapêutica da histeria até o século XIX.

A matriz da histeria

Os médicos do Egito e outros povos primitivos também acreditavam que a matriz da doença era um órgão que podia se deslocar no corpo. Desse modo, Platão sustentava essa mesma teoria. Além disso, ele descreveu a histeria como afecção que acomete mulheres que ficavam estéreis por muito tempo após a puberdade.

Essa teoria antecipa, de certa forma, a máxima psicossomática, a qual dizia que “uma vida sexual insatisfeita pode provocar uma neurose”. Séculos mais tarde, Galeno, médico e filósofo romano, com seus conhecimentos de anatomia, discordou de tal teoria.

Galeno afirmou que o útero não poderia mudar de lugar. Entretanto, na Idade Média, o conceito de histeria baseado na medicina antiga é atribuída a um deslocamento do útero e a ação de vapores tóxicos. Esses vapores seriam de origem genital, mas sempre com um fator causal: a intervenção do demônio.

Somente com a Renascença, período caracterizado pela transição do feudalismo para o capitalismo, que a histeria volta para o campo da medicina. Sendo assim, liberados do conceito de demônio, os médicos voltaram a considerar a histeria do ponto de vista somático e alguns pesquisadores relacionaram a semelhança entre a crise histérica e o orgasmo.

Em 1616, Charles Lepois, médico francês, rompeu com as teorias tradicionais, do ponto de vista clínico, reconheceu a histeria masculina e infantil. Ele assinalou também que a histeria acometia em particular indivíduos hipocondríacos.

Em 1862, com as pesquisas de Charcot, a histeria começou então a ser considerada uma afecção nervosa. Ele conseguiu demonstrar, através do uso da hipnose que as paralisias eram uma representação do psiquismo do paciente.


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O legado de Freud no histórico da Histeria

Desse modo, anos mais tarde, Breuer e Freud desenvolveram suas teorias da neurose. Eles publicaram, em 1983, o estudo preliminar sobre “O mecanismo psíquico dos fenômenos Histéricos”. Em 1895, era publicado o livro Estudos sobre a histeria e, com ele, lançadas as bases da concepção psicanalítica.

O fato é que a histeria foi o mal que permitiu a Freud ir ligando os primeiros elos para assentar as bases da psicanálise. A histeria, com as suas características, comportava uma mobilização geral de sintomas e motivações, sendo compreensível que a psicanálise começasse a desenvolver-se por esse caminho.

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