Poder: significado, benefícios e perigos

Posted on Posted in Comportamento, Psicanálise

Se você chegou até aqui é porque tem interesse no tema poder. Este artigo quer conversar sobre isso com você. Aqui vamos trazer o conceito implícito nesta palavra, algumas visões sobre ele, além dos benefícios e perigos de tê-lo.

O que é poder?

Entender o que é algo é às vezes muito complexo. Nós podemos pensar em poder de vários pontos de vista. Nós iremos abordar aqui alguns deles. É assim que poderemos construir um conhecimento sobre os temas que estamos interessados, não é?

No dicionário

Vamos começar com a definição que o dicionário nos dá. Primeiramente, a palavra poder tem origem na palavra latina possum.potes.potùi.posse/potēre. Ademais, pode ser um verbo transitivo e intransitivo, direto ou indireto e também um substantivo masculino.

Dentre suas definições vemos:

  • É uma autorização ou capacidade de resolver;
  • É ter autoridade;
  • Ação de governar um país, uma nação ou uma sociedade;
  • É a capacidade de realizar certas coisas;
  • Superioridade absoluta utilizada com o propósito de chefiar ou administrar algo;
  • Ter posse de algo, ou seja, ação de possuir algo;
  • Atributo ou habilidade de realizar alguma coisa;
  • Atributo de ser eficiente;
  • Significa força, energia, vitalidade e potência.

Dentre os sinônimos estão: comando, governo, faculdade, habilidade posse, mandato, aptidão, potência.

Conceito

Em relação ao conceito, podemos dizer que é o direito de mandar, agir, ou deliberar sobre algo. É exercer autoridade, soberania, influência, poder sobre alguém ou algo. Também é a capacidade de fazer algo, como já vimos.

E, desde os primórdios da humanidade, as relações entre pessoas se dão tendo em vista quem é poderoso ou não. Ou seja, se pautam em um monopólio, seja ele econômico, militar, empresarial, entre outros.

Essa relação entre pessoas se estabelece quando uma das partes depende da vontade do outro. Ou seja, de alguma forma, as partes não são independentes da outras.

Não necessariamente é uma dependência completa; pode ser em uma, ou várias áreas. E não acontece apenas em relações pequenas, mas também em grupos, de grupos sob outros grupos, e etc. Quanto mais dependência de um, mais poderoso é outro sobre esse.

Além disso, podemos pensar em ser poderoso do ponto de filosófico e sociológico. A seguir vamos falar um pouco desses dois pontos de vista:

Na sociologia

Dentro da sociologia esse conceito é definido como a habilidade de impor sua vontade sobre os outros. Independente de esses resistirem, a partir do momento que se abre espaço e instala-se uma posição de destaque, elevada, temos um caso de poder.

O poder pode ser de vários tipos, como por exemplo, o social, o econômico, e o militar. Dentre os pensadores que discutiram sobre o tema podemos destacar Pierre Bourdieu e Max Weber.

Pierre Bourdieu se preocupava com o poder simbólico. Ou seja, algo invisível que é exercido dentro de uma esfera de cumplicidade entre as partes envolvidas. Por outro lado, Max Weber considerava o poder uma probabilidade de um grupo determinado obedecer um determinado comando.

O poder pode ser exercido em grupos diferentes e em áreas diferentes. Em todos os casos ele implicará em algo, seja bom ou ruim, na sociedade.

Na filosofia

Dentro da filosofia política há abordagem das diferentes perspectivas de Hobbes, Arendt e Michel Foucault. Vamos falar um pouco sobre a perspectiva de cada um desses pensadores:

A perspectiva de Hannah Arendt é que para ser poderoso está implícita, necessariamente, a existência de duas ou mais pessoas. Ou seja, sempre ocorre de maneira relacional. Considerando isso, a política pressupõe a legitimação do poderoso, ou seja, os governantes devem estar de acordo com a relação que isso acarreta.

Segundo ela, isso se dá porque a política se contrapõe ao mundo natural. Isso acontece, pois a imposição do poder pela força bruta é substituída pela razão. Ou seja, não é através da violência que o poderoso chega a essa posição. E quando se perde a autoridade, a violência tem voz.

Para entender a perspectiva de Thomas Hobbes é interessante citá-lo: “a organização do Estado e dos poderes coincide com um contrato social que substitui o estado de Natureza no qual dominava a força física e a lei do Mais Forte“.

Quando há o poder nas mãos de todos, na realidade, este poder é inexistente. Isso porque, no limite, o poder é exercido pelo mais forte esse o Estado de Direito.

Já para Foucault, o poder é menos uma propriedade que uma estratégia. Consequentemente os seus efeitos não são atribuídos a uma apropriação de algo, alguém.

Leia Também:  Profissão Psicanalista: aspectos legais e jurídicos

Na verdade, o poder seria atribuído a disposições, táticas, os funcionamentos. O poder se exerceria e não se possuiria. E esse não seria um privilégio da classe dominante, mas o resultado de posições estratégicas.

Bom ou ruim?

É incrível que ao procurar sobre poder na internet encontramos o tema relacionado a coisas ruins. Você também percebeu isso?

Nós não sabemos exatamente o motivo disso. Porém não é difícil de ver que algumas pessoas quando tem poder fazem coisas moralmente duvidosas. É provável que isso interfira na maneira como as pessoas veem o poder.

Nesse último tópico, queremos conversar sobre os perigos do poder, mas também sobre seus benefícios.

Perigos

A centralização do poder nas mãos de poucos leva a grande maioria dominada à insatisfação. Além disso, essa insatisfação pode ser acompanhada de falta de perspectivas de mudanças. Ou seja, ocorre uma dependência tão grande entre as partes que o outro se sente incapaz de sair da situação.

Alguns sociólogos, como Crozier e Friedberg, dizem que o poder sempre apresenta um aspecto ofensivo. E que ter poder é aproveitar as oportunidades para melhorar situação.

Por exemplo, um dos tipos de poderes que existe quase sempre nas empresas é o poder coercitivo. A base desse poder é a capacidade de punição.

Dessa forma, aquele que não quer ser punido vai obedecer. Veja, por exemplo, casos em que o funcionário se submete a algumas atividades para não ser punido. Isso gera uma relação conflituosa. Consequentemente, a qualidade da relação é afetada nos níveis hierárquicos.

Além disso, algumas pessoas, quando se tornam poderosas, se esquecem de si. Não é raro ver que quando a pessoa atinge poder, seja econômico ou outro, ela esquece de suas origens. Ou até, acha que pode conseguir que os outros façam tudo que ela quiser.

Esse distanciamento da sua essência fundamental faz com que a pessoa se torne vazia e necessitada de ser mais poderosa. É um ciclo vicioso.

De certo modo, a dependência que o ser poderoso gera é sentida por todas as partes. Afinal, quem é subordinado precisa que o outro o domine e quem domina precisa dominar. Contudo, esse domínio só ocorre pelo poder.

Benefícios

Se considerarmos que em toda relação há certo poder, então é impossível excluir isso de nossas vidas. Consequentemente, não podemos acreditar que tê-lo só tem facetas ruins. Para falar de seus benefícios, achamos interessante citar as “táticas de poder”.

Essas táticas são práticas de influência exercidas para alcançar um objetivo. São ferramentas utilizadas por gestores de empresas a fim de influenciar seus subordinados ou superiores para benefício da organização. Elas também podem ser utilizadas no governo, partidos políticos, ambientes familiares, e outras áreas.

Um estudo clássico de Kipnis, Schmidt, Swaffin-Smith e Wilkinson (1934) identificou sete táticas mais representativas nas organizações.

Essas táticas representam como os funcionários influenciam outros. Além disso, quais os fatores determinantes na escolha de uma tática específica. É preciso salientar que todas as táticas podem ser usadas de maneira boa ou ruim. Ou seja, podem gerar desconforto e um ambiente ofensivo.

Porém, é preciso cautela e respeito com o outro. Dessa forma, é possível ajudar, orientar e conduzir para um objetivo.

Concluindo

Vivemos em uma relação social e é impossível se ver livre de situações de poder. Porém, isso nem sempre será algo ruim. Líderes não precisam ser cruéis e seus subordinados não precisam abaixar a cabeça e se submeter situações desumanas. É preciso cuidado e cautela.

Precisamos reconhecer quando uma situação é sufocante e humilhante. Só assim poderemos sair disso e não a replicarmos. O poder fazer o que se quer é um exemplo de poder também. E mesmo aqui, há um poder relacional, afinal, impomos nossa vontade a quem nos circunda. É preciso entender que, mesmo que não obrigamos ao outro a viver como nós, exigimos que ele nos aceite.

Ter poder é uma linha tênue, por isso é muito importante falar sobre isso e analisar as situações. Falando nisso, o nosso curso de Psicanálise Clínica online pode te ajudar a conhecer mais do tema caso você tenha ficado interessado. Confira!

Foi útil para você? Curta, Comente e Compartilhe!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *