Psicologia Ambiental

Psicologia Ambiental: o que estuda, como atua?

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Ainda que muitos não percebam, a humanidade e a natureza se relacionam intimamente, de modo que ambas se acabam causando efeitos uma na outra. Já que isso acontece de modo subjetivo também, precisamos de mecanismos científicos para construirmos análises bem elaboradas sobre essa relação. É isso o que veremos entendendo melhor o significado de Psicologia Ambiental e como ela atua.

O que é Psicologia Ambiental?

A Psicologia ambiental busca entender como as condições ambientais influenciam em nossas capacidades cognitivas. Nisso, avalia como os nossos comportamentos sociais se alteram e como isso pode impactar em nossa saúde mental. Sem contar a contribuição para estudar a interpretação e percepção das pessoas em relação ao meio ambiente.

O psicólogo ambiental pode facilmente encaixar o seu trabalho dentro de outras áreas de conhecimento de forma complementar. Por exemplo, Sociologia, Ergonomia, Antropologia urbana, paisagismo, desenho industrial, Biologia, urbanismo e Geografia, Medicina, Engenharia florestal, arquitetura… Entre outros.

O método de abordagem compreende uma vista que atravessa a real essência do problema. Com isso, ele se beneficia da abertura de várias abordagens na sua resolução, como um lado experimental ou de observação. Nesse caminho se valerá do molde de pesquisa-ação em que o psicólogo ambiental vai contribuir na teoria e prática.

Construção histórica

Kurt Lewin, psicólogo, fez parte dos primeiros estudiosos a pesquisar o relacionamento do ambiente com o ser humano. A proposta de Lewin era tornar claro como o ambiente nos influencia e como isso se estabelece. Incluindo a forma como reagimos, agimos e nos organizamos conforme ele se apresenta.

De acordo com a Psicologia ambiental cada contexto em que nos inserimos pode definir o que é meio ambiente. A exemplo, citamos construções como casas, ruas, ambientes físicos de trabalho, instituição de ensino… Etc. Essas peças atuam sobre nós moldando e refletindo o nosso comportamento tanto em grupo quanto individualmente.

Acompanhando a proposta, conseguimos perceber a existência de cinco princípios que devem ser considerados na investigação:

  1. O ambiente em questão pode ser alterado;
  2. Isso deve estar inserido em cada contexto do nosso cotidiano;
  3. Esse meio em questão e as pessoas são vistos como apenas uma entidade;
  4. Tanto o meio quanto a pessoa se influenciam mutuamente;
  5. Por fim, a pesquisa investigativa precisa colaborar com outras ciências e incluí-las.

Passagens

No momento em que a Psicologia ambiental é reconhecida como ciência, permitimos o entendimento das reações do indivíduo ao ambiente. A partir disso podemos avaliar e captar o modo que os espaços físicos podem nos influenciar a depender do lugar. Nisso fica claro mais claro ideias sobre espaço pessoal, a dimensão temporal e até projeção no futuro enquanto se referencia ao passado.

Sem contar que podemos observar a relação do indivíduo sobre como a aparição de doenças afeta o seu comportamento. Desse modo, o psicólogo ambiental se mostra extremamente útil a respeito das questões ambientais com abordagens multidisciplinares. Aqui se abre espaço para resolução de complexidades utilizando de diversas visões que se encaixam perfeitamente.

Evoluções

Egon Brunswik, psicólogo e PhD, foi quem utilizou primeiramente “Psicologia ambiental”. Esse termo apareceu em seus trabalhos quando ele estava fazendo uma pesquisa sobre percepção. Além disso, se valeu da abordagem probabilística para lidar com problemas envolvendo funções cognitivas, construindo estudos sobre representatividade do design. Sem contar o conceito de validação ecológica: um problema só vale a pena ser lidado se é importante na vida das pessoas estudadas.

Roger Garlock Barker foi assistente, colaborador e aluno de Kurt Lewin e a partir da Psicologia ambiental desenvolveu a Psicologia ecológica. Isso ocorreu porque enxergou algo além do trabalho de Lewin e se dedicou à organização dos eventos da vida cotidiana. Para isso, a sua equipe estudou crianças em situações comuns e viu que o comportamento depende de cada contexto.

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Com isso, a Psicologia ecológica ficou categorizada como o modelo de Barker em seus avanços nos lugares de idioma germânico. Ela se corresponde à vertente ambiental classificada como anglo-americana.

Equação de Kurt Lewin

Como bem sabe, a mira da Psicologia ambiental é estudar o relacionamento do ser humano com a natureza e vice-versa. A busca pelas melhores condições de vida se confirma através da equação de Kurt Lewin. C = f/ P xA em que o ambiente, A, determina o comportamento, C, se confrontando com a interação, x, da pessoa, P, e o ambiente.

A consideração do meio ambiente acaba colaborando na consideração da própria estrutura de um sistema. Nisso, o ambiente acaba sendo objeto subjetivo, já que o homem pode modificá-lo conforme as suas necessidades.

A teoria ecológica do desenvolvimento humano de Bronfenbrenner faz uma classificatória ambiental, dividindo em quatro sistemas focando na lado psicossocial. Nisso, o homem evolui enquanto se relaciona com:

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Microssistema

É quando acontecem as relações interpessoais imediatas e frequentes do cotidiano, como por exemplo casa, trabalho, escola… Etc.

Meso e exossistemas

Esses dois sistemas funcionam de modo semelhante, falando sobre os processos entre duas ou mais situações. Contudo, meso indica que alguém está colocado em todos os contextos. Já exossistema, por sua vez, indica que a pessoa está ausente em um, porém ainda tem influência dele.

Macrossistema

Colhe as formas de sistemas mais amplificados o que inclui economia, cultura, política, educação… Etc. Nisso, seus efeitos são mais indiretos e surgem quando as pessoas interagem nos microssistemas que participa.

Papéis, formas e significações

Observando a psicologia ambiental captamos a visão dela de que o ser humano tem história, é concreto e contextualizado culturalmente. Sem contar a sua identidade pessoal e social, bem como a sua capacidade cognitiva e afetuosa. Nisso, somos biopsicologicamente complexos, crescendo ativamente enquanto somos integrados por sistemas compostos que interagem mutuamente entre si.

Esse tipo de Psicologia não pretende solucionar os problemas ambientais, mas focar na crise da sociedade no ambiente. Com isso, fica entendido que, com base nas definições de cada um, as pessoas não existem sem o ambiente e vice-versa. Assim é importante entender como uma pessoa entende e percebe o ambiente, como se influencia e é contribuída por ele.

Entre os atributos do ambiente ele deve dar proteção, filtrando a quantidade e qualidade de agentes externos. Indo além, deve permitir a transmissão da cultura, interesses, valores, desenvolvimento e prazer, a depender da disposição para aprendizado.

Aplicações

Um equívoco bastante comum sobre a Psicologia ambiental é categorizá-la majoritariamente sobre questões de degradação ambiental. Entretanto, a disciplina não se limita apenas nesse contexto. Ainda que seja algo de extrema relevância e complexidade, existem outros caminhos de intervenção e aplicação da área.

Por exemplo, planejamento de imóveis, tratamento de resíduos sólidos, estudos e planejamento de equipamentos urbanos, como trens, ciclofaixas… Além disso, relações de vizinhança, sequelas de desastres ambientais, impacto de ambientes variados em populações específicas. Sem contar as reações de quem vive em condição extrema, mudanças nas condições de vida, avaliações ambientais… Etc.

Os índices de estresse ambientais são estudados para que se entenda e acompanhe as influências do comportamento social. Por exemplo, de que maneira a exposição contínua a um barulho pode atrasar o desenvolvimento de crianças. O calor também como a causa de prejuízos sociais, mudando a forma de se relacionar e alterando negativamente o humor.

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Considerações finais sobre Psicologia ambiental

A abrangência da Psicologia ambiental é vasta o suficiente para significar a relação humana com o ambiente. É como olhar um organismo dividido, mas que ainda continua a se influenciar e mudar constantemente.

Contudo, é preciso ampliar as perspectivas para que possamos enxergar todo o espectro de aplicação. Dessa forma, a nossa vista em relação ao entorno ajuda na construção de espaços que contribuam à felicidade e satisfação. Isso se mostra nas intervenções bem construídas que pavimentam a nossa interação com o ambiente.

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