Recalque, Repressão e Censura para a Psicanálise

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Na primeira fase e sua obra, Freud cria uma fórmula que vai da percepção até a parte somática (sintomas). Para Freud, existe um mecanismo mental que promove o recalque, recalmento ou repressão, que nada mais é que uma tentativa da mente de não se lembrar (não quer deixar vir ao consciente) eventos traumáticos.

Existe um desenho que se chama Pente de Freud, que representa esta percepção somática.

Num primeiro momento temos uma percepção, que irá gerar o traço de memória/trauma (o primeiro traço de memória, segundo Freud, é o nascimento), e partir deste primeiro traço de memória teremos vários outros traumas na vida.

Estes traços são jogados no nosso inconsciente, onde são recalcados e através de representações via pré-consciente, ele sai através de uma descarga chamada por Freud de “Prazer”, que é a parte Motora.

Barreiras que ocultam o trauma

Para Freud, uma ideia que vai do indivíduo até a sua expressão, passa por três barreiras. Estas três barreiras são:

  • Recalque: que está entre o Ics e o Pcs;
  • Censura: que está entre o Pcs e o Cs;
  • Repressão: que é externa, mais próxima de questões culturais e sociais;

Cada uma destas barreiras cumpre um papel importante e específico.

Ao chegar uma ideia pra mim, eu analiso e vou tomar decisões a partir da minha percepção e do meu conjunto de valores éticos, religiosos, enfim, tudo aquilo que foi um dia construído, principalmente pela minha família.

O inconsciente é constituído na primeira infância e nele está todo o desprazer que temos; o que é do inconsciente não se lembra, se repete. Ele é um ambiente, um modo de funcionamento que faz cadeias associativas entre ideias, através de processos de representações, e assim pode ser acessado por meio da Associação Livre de Ideias.

Assim, pode-se concluir que, o analista ouve o inconsciente do analisando e, por isso, a escuta deve ser algo a ser trabalhado pelo analista.

O que é Psicanálise?

Pode-se dizer que a psicanálise é o estudo criado pelo teórico e pesquisador Sigmund Freud na passagem do século XIX para o século XX.

Freud estudou a mente humana através de procedimentos investigativos de processos mentais como: os pensamentos, os sentimentos, as emoções, as fantasias e os sonhos, tendo como intenção maior a interpretação do inconsciente.

Freud deu voz ao inconsciente e logo em seguida à pulsão. E então, ele chega à Psicanálise.

A Psicanálise é um método baseado na investigação prática, para o tratamento das neuroses. Ele começa seus estudos sobre histeria, chegando à Teoria da Sedução e após uma autoanálise, escreve o seu primeiro livro, “A Interpretação dos Sonhos”

Como a interpretação dos sonhos ajuda a desvendar o recalque?

O recalque está preso no inconsciente. O inconsciente é de difícil acesso. Talvez a forma mais livre para o inconsciente se manifestar (bem mais do que a Associação Livre, pois nela o paciente está sob vigília) é por meio dos sonhos: os sonhos representam o que há de mais bruto em nossos desejos e pulsões.

“A Interpretação dos Sonhos” aborda os processos inconscientes, pré-conscientes e conscientes envolvidos nos sonhos.

“Não se devem assemelhar os sonhos aos sons desregulados que saem de um instrumento musical, atingido pelo golpe de alguma força externa, e não tocado pela mão de um instrumentista; eles não são destituídos de sentido, não são absurdos; não… implicam que uma parcela de nossa reserva de representações esteja adormecida enquanto outra começa a despertar. Pelo contrário, são fenômenos psíquicos de inteira validade – realizações de desejos; podem ser inseridos na cadeia dos atos mentais inteligíveis da vigília; são produzidos por uma atividade mental altamente complexa”. (Freud, Ed.Imago, 2001, p.136).

A partir daí, Freud desenvolve a Teoria da Fantasia, chegando nas neuroses infantis, deixando de lado a Terra da Sedução.

A Psicanálise é a arte dentro da ciência da psique. A arte no sentido de interpretação de entendimento da alma humana, do inconsciente. Freud afirma que o inconsciente é real e que a pulsão representa as excitações provenientes do interior do corpo.

“(…) as pulsões do ego (também denominadas como de “autopreservação”, cujo protótipo é o da “fome”) e as sexuais (ou de “preservação a espécie”), sendo que, após sucessivas modificações, mais precisamente a partir do clássico trabalho “Além do princípio do prazer”, de 1920, ele estabeleceu de forma definitiva a dualidade de Pulsões de Vida (ou Eros) e Pulsões de Morte (ou Tânatos), que, em algum grau, coexistem fundidos entre si” ZIMERMAN, 1999, p.77).

Assim, Freud defende que somos, além de uma estrutura somática, uma estrutura psíquica.

Uma compreensão da estrutura psíquica

Por volta de 1.900, Freud junto com Breuer, estuda os mecanismos psíquicos da Histeria e eles publicam então, o livro “Estudos sobre a Histeria”, onde defendem que essa neurose era causada por lembranças reprimidas na infância.

Assim, Freud chega a Metapsicologia e cria a Primeira Tópica que tem como estruturação o consciente e inconsciente:

  • O inconsciente: Onde nasce a pulsão e onde se encontra o recalcado.
  • O pré-consciente: Que faz uma transposição/ ligação entre o inconsciente e o consciente.
  • O consciente: Que é toda a influência que nos temos do mundo exterior.

A primeira teoria que surge então é a Ab- reação, onde existe algo recalcado que quer sair. Utiliza através do método da hipnose e da técnica da Catarse e superação de trauma para fazer um tipo de cura.

E assim Freud descobre o pré-consciente e as repressões. Descobre que existe uma energia no inconsciente que se chama libido que não sai para o mundo exterior por causa das repressões.

Ao descobrir isso, Freud percebe que este estudo precisa ser melhorado e cria então o seu segundo trabalho: A segunda tópica.

A repressão na segunda tópica

Na segunda tópica (a segunda e mais avançada tentativa de Freud de compreender as partes ou instâncias do aparelho psíquico), Freud descobre que existe dentro do inconsciente o ID, EGO e SUPEREGO.

  • No ID, que traduzido do alemão é “isso”, onde encontra-se toda essa energia libidinal. É a instância psíquica mais profunda e vasta. É onde está o recalcado. Para chegar ao consciente, Freud define o EGO.
  • O EGO é o mediador. É onde cria-se uma negociação e um equilíbrio entre o ID e o SUPEREGO. Atua como supervisor dos processos psíquicos, evitando o sofrimento psíquico exacerbado.
  • O SUPEREGO é tudo aquilo que nos é ensinado e condicionado pelo social e pelo cultural, em geral, a partir da relação com os pais. O Superego pode oferecer os parâmetros morais ou sociais que o ego adotará como justo na hora de decidir o que precisa ser recalcado.

Freud chamou a metodologia para tratar o ID, EGO E SUPEREGO de Associação Livre de Ideias, onde ele fala que o inconsciente é livre de ideias, e onde se encontra as percepções e sensações.

A técnica que ele usou é a Interpretação e ressignificação de representações; transferência; resistência.

Freud então diz que nós temos em nossa vida um desejo de colocar pra fora aquilo que está recalcado mas, não fazemos por entendermos que é algo desprazeroso, ou seja, há uma repressão. Desta forma, representamos através da transferência, entre o analista e o analisando.

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