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Falta de tempo na visão de um psicanalista

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Como estudante do quinto semestre do curso de Psicologia, já tive acesso a algumas das muitas possibilidades de investigação e entendimento da psique. Um tema que cada vez mais afeta corações e mentes é a falta de tempo, dentro da vida corrida moderna.

Nesse breve percurso como aluno, ainda não me coube um mergulho aprofundado em todas as possibilidades de estudo da área, em função da necessidade do cumprimento de uma grade curricular e a disposição de pouco tempo que me é dado para isso.

Novamente estamos falando de falta de tempo.

A minha experiência com a Psicanálise

O fato é que, anterior ao início do curso, eu já havia feito contato com a Psicanálise na condição de paciente, sentindo-me bem sucedido na escolha da abordagem que fiz.

Tive notória ampliação do entendimento que se deu comigo, em relação às queixas que eu apresentava e que, em análise, me devolveram conforto, deixando em mim a imagem que trago até hoje, de um carretel de linha, existencial, que fora puxado e que, de modo algum, parece, se rebobinar.

O caminho de quem se dispõe a entrar em análise

A fala que eu trago aqui diz respeito à necessidade de deslocamento que a psicanálise impõe a quem de fato se permite entrar em análise, dotando-se de disposição caminhar na direção de seu próprio sótão, na tentativa de ascender à luz de sua própria existência.

Não é fácil, pois é a custa de algum sofrimento que se descobre que um outro habita esse sótão, e se contrapõe terminantemente ao fato de acender essa luz.

A terceira ferida narcísica da humanidade

A esse outro, superpoderoso, Freud nos apresentou chamando-o de inconsciente, aquele que viria a provocar a terceira ferida narcísica na humanidade, quando, a partir daquele instante, não deixaria dúvidas de que “o homem não é mais o senhor de sua própria casa”.

De certa forma, isso reitera o desconforto desse mesmo homem ao descobrir-se originário do macaco, como posto na ciência de Darwin, e ainda em Copérnico, a nos dizer que o homem não é o centro do universo.

A Era dos cliques instantâneos

É sob esses pontos de vista que a psicanálise continua a ser, para mim, um desconforto necessário no processo de assepsia existencial. Tão fundamental em um mundo onde a dor humana parece ter perdido lugar e importância.

Num tempo onde tudo é muito rápido, e um tanto considerável de pessoas julgam como suficientes as revelações que fazem de si nos cliques instantâneos de suas próprias fotografias, retocadas ao bel prazer, como se isso legitimasse o desejo de ser aquilo, ou aquele, que não são.

Os quinze minutos de fama

Parece-me que é necessário parecer feliz, não havendo, de fato, lugar para o sofrimento e para o que não pareça belo nos aplicativos de comunicação das redes sociais, de modo que tão pouco parece haver vida fora deles.

É preciso ser rápido para segurar os quinze minutos de fama preditos por Andy Warhol. Enfim, é preciso estar atento e forte para não ser frágil e sucumbir às mazelas de ser uma pessoa comum.

A falta de tempo causada pelo surgimento da internet

Sendo esses nossos dias caracterizado pela falta de tempo, onde se percebe a rapidez dos acontecimentos e da comunicação, causada, dentre outras coisas, pela surgimento da internet, torna-se uma queixa contra a Psicanálise, o tempo que se leva para a obtenção de resultados quando buscados no uso de sua técnica.

Na contramão dessa questão está o interesse econômico de um mercado que, cada vez mais privilegia as curas rápidas como, por exemplo, desejam os planos de saúde, na ampla rede de serviços, vinculando a isso uma tabela de preços que melhor lhe convém.

A crise da Psicanálise

São tempos que torna pertinente um olhar apurado para o que alguns especialistas apontam para a chamada crise da Psicanálise.

Ela deve ser percebida sob o aspecto artesanal da sua prática, presente desde sua criação, até as características ultra modernas desses nossos tempos, que alteram nossos padrões de comunicação, e que terminam por influenciar não só a formação, mas a prática, clínica como dito pelo escritor e Psicanalista David Zimerman, num texto do livro “Fundamentos Psicanalíticos, teoria, técnica e clínica”.

As necessidades da Psicanálise Moderna

Foi ainda com esse texto que o autor me fez pensar acerca da necessidade da Psicanálise contemporânea, entrar em análise, para que possa dar conta de absorver os aspectos positivos presentes no conceito da palavra crise.

No texto ele afirma que “…admitindo uma crise na Psicanálise, ela não pode ser vista dissociada da crise do Psicanalista” que sob determinado aspecto são acusados de manter um determinado sectarismo que promove a distinção de seus pensadores acima da distinção dos seus pensamentos.

Conclusão

É preciso lembrar que as questões trazidas dissertativamente aqui, são elucubrações de um estudante que deseja sim, em algum momento, participar ativamente dessa e de tantas outras discussões cabíveis no universo psicanalítico.

Apoio-me unicamente em algumas leituras oferecidas neste módulo e em outras poucas fora dele, que parecem fortalecer a liberdade que tem aqueles que, ainda de forma incipiente, acabam de iniciar um projeto, como eu faço nesse curso de formação em psicanálise clínica.

É necessário, portanto, de conhecimento teórico e prático da clínica psicanalítica, para obter a chance de perceber a Psicanálise na relação com as pessoas, com o mundo e com a cultura que nos cerca, o que, de certo, comporá meu campo de trabalho.

Autor: Maurício Pinheiro

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