Todo grande avanço tecnológico da humanidade introduziu o uso de novas ferramentas de suprir antigas necessidades, as redes sociais se tornou um meio facilitador para relacionamentos atualmente.
Uma tecnologia como toda ferramenta, pode ser usada para o bem ou para o mal, e essa decisão, é relativa ao elemento moral e ético por parte do usuário.
Cabe ao livre-arbítrio humano.
Nas últimas décadas houve um enorme avanço na tecnologia de comunicações e de difusão e circulação de informações resultando no fenômeno da internet e das redes sociais.
Onde provocam-se mudanças relevantes no comportamento da sociedade, as redes sociais, por exemplo, se mostraram a utilidade de conectar pessoas e propagar ideias.
Também possuem um aspecto ambíguo já que podem trazer consequências positivas ou negativas.
Redes Sociais e Infelidade
Alguns dados sugerem que as redes sociais, além de facilitar a infidelidade conjugal, deixam vestígios dessas relações que podem ser encontradas e coletadas pelo parceiro traído.
Podem inclusive, servir como provas em um processo judicial de dissolução de união estável e/ou divórcio.
Há estimativas, segundo as quais, atualmente 30% (trinta por cento) dos divórcios e separações são causados por relacionamentos extraconjugais.
São iniciados ou potencializados nas redes sociais, os casos de infidelidade ocorrem em qualquer tipo de rede social, porém, com maior frequência são usadas redes como Facebook e aplicativos como WhatsApp.
Além de sites de encontros onde pessoas comprometidas buscam aventuras extraconjugais como pistas das traições pelos perfis na internet.
A Facilidade Com Desconhecidos
O fato é que “navegar” pelo ambiente virtual da internet é como caminhar em um espaço público no mundo real e é possível usufruir de um passeio agradável, um aprendizado enriquecedor.
Ou até mesmo, passar por uma experiência desagradável com consequências inesperadas e indesejadas.
Na internet, há muitas pessoas bem-intencionadas, com o propósito de compartilhar conhecimentos ou ajudar desconhecidos de forma absolutamente desinteressada.
Mas, também há golpistas procurando vítimas, pedófilos “caçando” crianças ou adolescentes, etc.
Em termos de infidelidade conjugal é preciso destacar que as redes sociais têm um papel importante como ambiente facilitador, mas não se pode subestimar o uso de redes como fator provocador de infidelidade.
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Já que é preciso lembrar que a infidelidade, em geral, só encontra espaço para acontecer em uma relação que já se encontra fragilizada por outros problemas.
A Satisfação Nas Redes Sociais
O fato é que, além do papel importante das redes sociais no fim de relacionamentos, as redes também exercem grande influência no surgimento de novos relacionamentos.
E por se basearem em premissas irreais, tem grandes chances de gerar frustrações e durar pouco.
Entretanto, antes de adentrar nesse assunto é preciso tecer algumas considerações iniciais e não é possível fazer isso sem citar Sigmund Freud.
Para Freud a insatisfação é o motor da ação humana porque uma pessoa plenamente satisfeita para de desejar e, consequentemente, para de agir.
Para o gênio austríaco, pai da Psicanálise, o desejo humano nunca é satisfeito de uma vez por todas.
Porque quando a pessoa alcança um objetivo, o desejo se desloca para um novo objeto o que gera uma busca incessante.
A Busca Do Prazer
Em 1929 Freud escreveu ‘O Mal Estar da Civilização’, esta obra instigante onde ele explica que, mesmo vivendo com o conforto e o bem-estar que a civilização proporciona, o ser humano padece de uma insatisfação crônica.
Já que o ser humano é programado para a busca incessante do prazer.
O que significa que não existe felicidade plena e duradoura, mas apenas a felicidade episódica que se esgota diante de um novo objeto de desejo.
Assim, para Sigmund Freud nunca estamos satisfeitos com nada.
Essa insatisfação permanente é simplesmente um mecanismo psíquico comum aos humanos, cujo objetivo é nos manter em movimento constante.
A Fantasia Nas Redes Sociais
E sempre em busca de um objetivo, cabendo destacar que esse movimento constante não é, necessariamente, um movimento físico.
Até porque, qualquer movimento físico é precedido de um “movimento” psíquico.
Freud também ensinou que diante de uma realidade que nos desagrada há a tendência de criar uma fantasia.
Por exemplo, idealizando algo ou alguém para enxergar uma situação muito melhor do que a que realmente existe.
É claro que a decepção e a frustração virão, mais cedo ou mais tarde.
No mundo atual, com o visível desgaste de valores espirituais e a supervalorização das aparências com o predomíniodo “ter” sobre o “ser”.
As redes sociais tornaram-se o ambiente ideal para pessoas que pretendem aparentar ser o que não são e possuir aquilo que não tem.
As Milhares Amizades
É nesse contexto doentio que pessoas se gabam de “ter milhares de amigos”.
Quando, às vezes (na vida real), sofrem de dificuldades para se relacionar até com a própria família.
Classificam como “amigos” pessoas que só conhecem pela internet, “amigos” sobre os quais nada sabem.
E não podem sequer confiar que são realmente o que alegam ser.
Nesse mesmo mundo virtual, ferramentas de edição de imagem permitem que pessoas com transtorno dismórfico corporal alterem suas próprias fotografias.
Chegam ao ponto de sua imagem real ficar apenas vagamente semelhante às fotos alteradas que mostram a “beleza” que elas gostariam de ter.
A Fuga Da Realidade
O mundo virtual das redes sociais tem o potencial de ser (para quem precisa disso) o mundo de fantasia a que se referiu Sigmund Freud, quando falava de mecanismo de fuga para aqueles a quem a realidade não agrada.
Ou é simplesmente insuportável.
São pessoas com fragilidade egoica, com baixa autoestima e insegurança crônica que dependem excessivamente da validação e da aprovação de terceiros.
Pois, é nesse ambiente virtual de aparências e frivolidades que muitos relacionamentos se iniciam hoje em dia, e são fadados a ter pouca duração.
Porque logo os envolvidos percebem que o(a) parceiro(a) não é quem fingia ser e quem se imaginava.
O Relacionamento Na Era Digital
Não significa que todo e qualquer relacionamento iniciado sob algum grau de influência de redes sociais esteja destinado ao fracasso.
Mas, o fato é que, mesmo antes da existência das redes sociais a relação de muitos casais se deteriorava.
Pois, com o passar do tempo os parceiros tinham suas expectativas frustradas em relação ao outro.
Simplesmente porque tais expectativas haviam sido construídas sobre um parceiro “idealizado” e não sobre a “pessoa real”, por exemplo e a rotina da vida em comum vai, com o passar do tempo, tornar cada vez mais visível.
O ambiente virtual das redes sociais tem o poder de exacerbar a tendência de idealizar uma pessoa perfeita e casais empenhados no sucesso de uma relação.
E devem se precaver contra a criação de expectativas irreais quanto a seus parceiros.
É sempre muito recomendável não perder de vista a realidade de que todos tem defeitos e virtudes.
Uma relação saudável é, acima de tudo, buscar manter sempre aberto e ativo um canal de comunicação de mão dupla.
A Comunicação Como Saída
Uma vida em comum pressupõe tolerância e concessões mútuas e as eventuais e normais divergências (que são inevitáveis).
E devem ser resolvidas com um diálogo aberto e sincero.
Um casal não pode permitir que a fantasia e as falsas aparências do mundo virtual contaminem a relação a dois.
Acima de tudo, uma relação conjugal deve ser cultivada a cada dia.
Não se pode permitir que o tempo (e a atenção), que devia ser dedicado ao parceiro(a) seja direcionado para a internet e para as redes sociais.
É claro que na vida moderna não se pode simplesmente banir o mundo virtual e suas redes sociais, mas é preciso ter em mente que o equilíbrio e a moderação são desejáveis e necessários.
Afinal de contas, como ensinou o mestre Freud, todo excesso é prejudicial e é sempre o resultado de alguma carência.
Este artigo foi desenvolvido através do Trabalho de Conclusão de Curso de Formação em Terapia de Casais do aluno Antonio Carlos Cardoso.
