Ser psicanalista é exercer uma profissão comum ligada à saúde mental e assumir uma forma muito específica e delicada de escuta ativa

Ser Psicanalista: A profissão da escuta ativa

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Ser psicanalista não é apenas exercer uma profissão comum ligada à saúde mental, mas sim assumir uma forma muito específica e delicada de escuta ativa.

Como também, de responsabilidade diante do profundo sofrimento humano que bate à porta todos os dias.

A psicanálise não trabalha com respostas prontas tiradas de manuais nem com soluções rápidas.

E também não promete a felicidade em poucos dias, pois ela se orienta pelo cuidado com a palavra sagrada do sujeito.

Significado De Ser Psicanalista

Com tudo aquilo que aparece de forma inconsciente no discurso entre uma frase e outra.

Por este motivo, ser psicanalista envolve um compromisso ético imenso que vai muito além do simples conhecimento teórico exigindo uma posição subjetiva que é construída com muito suor ao longo da formação.

A formação do psicanalista não acontece de maneira imediata nem se resume a colecionar cursos ou certificados bonitos na parede.

Ela é um processo contínuo e vivo que envolve o estudo teórico, a análise pessoal e a supervisão clínica constante.

Esses três elementos são fundamentais porque permitem que o futuro analista compreenda a teoria.

Como também, experimente a própria análise na pele e reflita sobre os casos atendidos com a ajuda de quem já caminhou mais.

A análise pessoal ocupa um lugar central e insubstituível nesse percurso, pois é nela que o sujeito entra em contato com seu próprio inconsciente reconhecendo seus limites conflitos e as repetições dolorosas.

Limites estes que marcaram sua história.

Humildade Do Psicanalista

Esse processo é vital, porque ninguém pode escutar a dor do outro sem antes ter se confrontado.

Principalmente confrontado com a própria dor de forma honesta e corajosa sentindo o peso do silêncio e a força da palavra que liberta.

Ser psicanalista também significa ter a humildade de aceitar que o saber não está todo do lado do profissional como se ele fosse um mestre da verdade.

Na clínica psicanalítica o analista não se coloca como alguém que sabe tudo sobre o paciente, mas como alguém que escuta e acompanha o surgimento do saber do próprio sujeito que está ali falando.

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Contudo, essa postura exige um cuidado extremo, no entanto, é comum que o analisando atribua ao analista um lugar de autoridade quase mágica e esse fenômeno chamado transferência.

Faz parte do tratamento e precisa ser manejado com uma ética impecável.

A Escuta Ativa Em Ser Psicanalista

O analista não deve jamais se aproveitar dessa posição para massagear o próprio ego nem buscar reconhecimento pessoal, mas sim sustentar.

Um lugar de falta que permita ao outro falar e se responsabilizar por sua própria história de vida.

A ética da psicanálise não está ligada a regras morais rígidas que dizem o que é certo ou errado, mas à forma como o analista conduz o tratamento respeitando a singularidade absoluta de cada sujeito que é único no mundo.

Isso significa não impor valores pessoais, não julgar as escolhas alheias e principalmente não tentar direcionar a vida do paciente como se o analista soubesse o que é melhor para ele.

O objetivo real não é adaptar o sujeito a padrões sociais de comportamento, mas ajudá-lo a compreender seus próprios desejos conflitos e sintomas que muitas vezes gritam no corpo.

E principalmente o que a boca não consegue dizer.

O Respeito Do Tempo Na Análise

Dessa forma, a psicanálise se diferencia de práticas que buscam apenas a eliminação rápida do sofrimento, sem considerar o sentido profundo que ele pode ter para cada pessoa em sua história particular.

Outro aspecto muito importante do ser psicanalista é o cuidado amoroso com o setting analítico.

Inclui o espaço da sessão, a frequência, os horários e o contrato estabelecido com muito respeito.

Esses elementos ajudam a organizar o tratamento e oferecem uma segurança emocional necessária para que o trabalho clínico aconteça de verdade.

O contrato analítico mesmo quando não é um papel assinado estabelece limites claros e reforça a responsabilidade de ambas as partes envolvidas no processo.

O respeito a esses limites faz parte da ética profissional e contribui para a construção de um vínculo terapêutico sólido e confiável onde o sigilo é um ponto essencial e inegociável.

Espaço Seguro No Setting

Tudo o que é dito em sessão deve ser preservado como um tesouro.

O espaço da análise precisa ser um lugar totalmente seguro para a fala mais íntima.

O psicanalista deve ter consciência da importância desse compromisso.

Evitando exposições indevidas e mantendo o silêncio que não é falta de interesse, mas uma forma de sustentar a escuta e permitir que o sujeito encontre suas próprias palavras de cura.

Ser psicanalista também envolve reconhecer que a formação nunca está completa.

Onde o analista continua aprendendo com cada caso e com cada encontro clínico novo.

Importância Do Tripé Psicanalítico

A supervisão e o estudo contínuo ajudam a manter uma postura crítica evitando certezas absolutas que fecham as portas para o novo.

Essa ausência de garantias exige do analista muita humildade.

Assim como, disposição para questionar a própria prática o tempo todo lidando com suas próprias limitações emocionais.

Portanto, a análise pessoal pode ser retomada sempre que necessário para manter a escuta limpa e ética.

A paciência de escutar sem pressa, aceitando que a formação é longa mas recompensadora.

A escolha de ser Psicanalista implica responsabilidade e cuidado com o outro, um compromisso eterno com a escuta que transforma vidas através do encontro sincero entre dois seres humanos.

Este artigo foi desenvolvido através do Trabalho de Conclusão de Curso de Formação em Psicanálise Clínica da aluna Jheniffer Oliveira.

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