sobre ser psicanalista

Sobre Ser Psicanalista: formação e atuação do profissional

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Neste artigo entenderemos mais sobre ser psicanalista. Além da polêmica já estabelecida entre os que advogam que a Psicanálise deveria ser exercida apenas por psicólogos e/ou psiquiatras e aqueles que defendem a necessidade de institucionalizar academicamente a formação psicanalítica, o que realmente foi estabelecido por Sigmund Freud, assim como por Lacan e outros grandes nomes que sedimentaram as bases do campo de estudos do inconsciente sobre a formação e a atuação daquele que se pretende analista? É sobre isso que refletiremos neste texto.

A formação para se tornar psicanalista demanda que a pessoa conclua curso de formação em instituto ou entidade especializado. Além disso, o curso deve contemplar:

  • Teoria psicanalítica: estudos teóricos dos conceitos-chave em psicanálise.
  • Supervisão: casos trazidos por psicanalista-professor do instituto, para reflexões dos alunos, em encontros ao vivo.
  • Análise: o aluno ter experimentado como funciona “ser analisado”.

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Era uma vez: sobre ser psicanalista

Muito antes da Psicologia consolidar-se enquanto área do estudo da mente, através, principalmente, de experiências comportamentalistas de caráter científico, Freud já investigava, por caminhos ainda não explorados, as dinâmicas do inconsciente. A esta altura, meados do século XX, os transtornos mentais eram frequentemente tratados por neurologistas, formação esta que o próprio Sigmund possuía.

Entretanto, não raramente, esses transtornos eram associados a questões de gênero, como no caso da histeria, que regularmente era diagnosticada como tendo origem em problemas relacionados ao útero feminino, sendo a própria palavra Histeria, originada do grego Hister, que significa útero, ainda em uma visão herdada dos filósofos helenistas. Apesar disso, nesta mesma época, Jean Martin Charcot, renomado neurologista francês, a partir dos seus estudos sobre a dinâmica mental, já admitia a existência de patologias físicas cujas origens encontravam-se em instâncias psíquicas, não necessariamente fisiológicas.

Ao que, após diversos estudos, Freud e Breuer, alguns anos mais tarde, associaram às emoções recalcadas no inconsciente as causas de tais doenças, sugerindo abordagens diferenciadas desses fenômenos. Ao dar início à Psicanálise, Freud estipulou que uma das premissas de funcionamento da nova área de estudo da mente seria necessariamente a composição de um amplo repertório cognitivo-cultural por parte daqueles que se propunham psicanalistas.

Sobre ser psicanalista e sua formação

Apesar de isso, e, talvez, também por isso, parecia contraditório ao neurologista que essa nova abordagem psíquica estivesse “presa” ao exercício da medicina, ou, até mesmo, a órgãos reguladores, que pretendessem aprovar esta ou aquela forma de ensinar e/ou de praticar a psicanálise, pois, o processo de formação de um psicanalista, na visão dos grandes nomes da teoria psicanalítica, dependeria, inicialmente de três perspectivas fundamentais que pressuporiam níveis substanciais de liberdade epistemológica e social.

O famoso tripé da formação psicanalítica

Segundo Jacques Lacan, “a Psicanálise não se transmite como qualquer outro saber.”, uma vez que as condições para a realização da abordagem terapêutica no campo psicanalítico são novas a cada paciente e, portanto, se estabelecem de acordo com os processos transferenciais, positivos ou negativos, que vão se instituindo inconscientemente a cada nova experiência que se dá no set analítico.

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Em virtude disso, o psicanalista só consegue conduzir suas análises dentro da clínica na medida da evolução vivenciada, anteriormente, em sua própria análise pessoal, sendo este movimento parte essencial daquilo que lhe fornecerá condições para estar no lugar de analista diante de outros. É por isso que o próprio Lacan também nos afirma que “o psicanalista só se autoriza por si mesmo (…) e por alguns outros.”

Em seu texto A questão da análise leiga, de 1926, Freud destaca três perspectivas fundamentais para a formação do psicanalista:

  • A perspectiva epistemológica inerente à formação teórica do analista e que pode ser aqui representada pela formação técnica, pelos estudos sequenciais a esta formação, pelos grupos de discussão entre psicanalistas, jornadas teóricas das quais participa, enfim, pelo estudo constante e ininterrupto do campo teórico da psicanálise, estudo esse a ser permanentemente realizado pelo analista.
  • Análise pessoal, esta etapa de formação é representada pela experiência instituída pelo divã no campo transferencial, onde o analista se torna analisando. O saber analítico obtido com a formação teórica não é suficiente para formar o analista, este se formará também a partir da experiência com a sua própria prática analista quando o sujeito verá outro especialista ocupando o lugar do “sss” sujeito suposto saber. A partir desta experiência, ao vivenciar suas angústias no set psicanalítico, o analista constrói importantes experiências no campo transferencial, experienciando o seu próprio inconsciente.

A Supervisão

Eesta etapa ocorre quando o analista pode dialogar com outro analista mais experiente sobre os conteúdos trazidos por seus pacientes durante as sessões. Esse movimento suscita a possibilidade de elaboração e reflexão sobre os casos, viabilizando o controle e promovendo trocas de experiências e reflexões clínicas que poderão ser consideradas por outros analistas em comunidade.

Sobre ser psicanalista: não é sobre quem pode ser psicanalista

Para muito além do debate sobre qual é a formação mais adequada e suficiente, ou se mudanças institucionais devem acontecer nos meios acadêmicos para uma pretensa regulamentação da formação psicanalítica, como nos advertem Freud, Lacan e outros grandes nomes da Psicanálise, esta formação excede, em muitos aspectos, a teoria em si.

Enquanto tratamento terapêutico que se estabelece, em uma de suas formas essenciais, através de processos transferenciais inconscientes, exercer a psicanálise envolve os limites do analista em sua própria jornada de autoconhecimento.

Formar-se psicanalista é então sobre ajudar outras pessoas a encontrarem o caminho para si mesmas e através de si mesmas, enquanto procura-se o próprio caminho. Vamos pensar sobre isso?

O presente artigo sobre como ser Psicanalista, formação e atuação em psicanálise, foi escrito por Samantha B. Santos. Psicanalista em formação. Mestranda em Formação de Professores e Especialista em Educação. Contatos: @sbs.santos / [email protected]

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    One thought on “Sobre Ser Psicanalista: formação e atuação do profissional

    1. Parabéns pelo post! O conhecimento nos liberta, do preconceito, da ignorância e nos abre portas para o sucesso!

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