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Relacionamento com clientes: 3 dicas da Psicanálise

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A parte da psicanálise que estuda o relacionamento com clientes, ou consumidores, tem como base a mente do consumidor no ato em que ele compra determinado produto ou serviço.

Nesta abordagem, o consumo é uma forma de manifestação dos desejos internos do indivíduo, já que o mesmo aplica desejos e conflitos internos no produto comprado. Assim, o consumo se define com uma erupção dos desejos da pessoa, e o que ela compra serve como o que o satisfaz parcialmente.

Para entender melhor, como a psicanálise pode compreender e melhorar o relacionamento com clientes, teremos que voltar a alguns textos de Freud e sua teoria da personalidade.

Freud e a personalidade

Freud desenvolveu o conceito da psicanálise quando sistematizou a teoria da personalidade e a forma de tratar problemas psíquicos, através do método catártico. Nela, ele acreditava que a forma mais correta de encontrar a origem e acabar com esses problemas era através da liberação de afetos. Anos depois, ele apontou essa questão à estrutura do aparelho psíquico humano, que ocorre durante a infância.

Para entender melhor essa estrutura por ele apresentada, é necessário apontar que o ser humano é composto por “energia dos instintos sexuais”, a libido tende a se deslocar pelo corpo, ainda criança, na maturação psicossexual e, então, para outrem. Assim, Freud aponta que o sujeito é marcado pelo desejo e a libido se projeta para materializar o mesmo.

A libido no indivíduo

Até os primeiros anos de existência, as crianças possuem a libido concentrada na boca. Neste período, ela possui a mania de levar objetos à esta região, pois se trata do único local que elas possuem um controle natural. Pessoas que possuem fixação nesta época, tendem mais a fumar, comer, falar e beber de forma compulsiva.

Outras fases de concentração da libido, são: dos três aos quatros, quando a libido se desloca para região anal. Aos cinco anos, quando a criança vive a fase fálica, e a libido migra para o órgão genital, ocorrendo o “complexo de Édipo”. Nele, o menino vê a mãe como objeto de desejo, e a menina o pai. Como não possuem o objeto de desejo (pais), ela converte sua energia da libido para si, gerando: insegurança, agressividade e instabilidade de afeto.

Após esse período, a criança vive um período latente, onde preocupa-se mais em socializar. Em seguida, com a entrada na pré-adolescência, o indivíduo passa a ter a libido configurada na fase genital, que se permanecerá até a fase adulta.

A formação por inteiro do aparelho psíquico se dá com o fim dessa maturação psicossexual. Ela, se forma com três pontos: id, ego e superego, sendo a correspondência de cada um:

  • id: relaciona-se ao inconsciente, sendo intrínseco ao ser humano desde o dia de seu nascimento;
  • superego: formado no período da castração, quando o indivíduo descobre que nem tudo que ele almeja ele terá, de acordo com as regras da sociedade;
  • ego: é o ponto de equilíbrio dos dois outros pontos, manifestando em forma da consciência.

Compreendendo a publicidade através da psicanálise

A publicidade, como forma de comunicação com o indivíduo, trabalha com foco nessa estruturação psicossexual, direcionando suas campanhas para os grupos que possuem determinada fixação em alguma das fases. Como exemplo, comerciais de bebidas, apelam ao focar em pessoas degustando o produto, atingindo indivíduo que possuem a fase oral mal concluída. Assim, obtém-se um comportamento de compra por meio da semelhança com a situação apresentada no comercial.

Dicas da psicanálise para melhorar o relacionamento com clientes

A forma eficiente de agir da propaganda é ligada diretamente ao ato de manipular os três pontos (instâncias) do aparelho psíquico humano. Entretanto, emitir valores que machucam o superego não adiantam em nada. Assim, os apelos que focam no id, podem se portar muito mais eficientes.

Outro dica psicanalítica relacionada à publicidade está na busca da marca pelo o amor de seus clientes. Na psicanálise, essa questão é tratada como amor transferencial, onde todo amor é transferido, já que é baseado em nossos pensamentos. Realizar de forma correta essa transferência, trará a satisfação (ou liberação da libido).

Por dica final, destacamos a função do psicanalista em adentrar o inconsciente e encontrar sintomas de conflitos do indivíduo, como ele é feito por sentimentos, que muitas vezes se confundem. Nisso, a publicidade pretende criar um relacionamento com clientes através do “amor”, fidelizando-os e com o objetivo de fazê-los consumir mais. Assim, utilizar-se de ferramentas que mantém a libido no inconsciente, tendem a resultar em benefícios à marca.

A forma de trabalhar esses pontos do inconsciente é o maior desafio para os publicitários, entretanto conhecendo essa base teórica da psicanálise, tende a resultar em bons frutos para o desenvolvimento de um relacionamento com os clientes.

Uma alternativa para qualquer publicitário é aprofundar os seus conhecimentos para a área psicanalítica, através de algum curso de psicanálise.

Conhecer a forma ativa de pensar, e também o seu inconsciente, tende a ser uma das melhores ações para saber com quem realmente você está conversando e tentando atingir.

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2 thoughts on “Relacionamento com clientes: 3 dicas da Psicanálise

  1. Estou lendo os artigos nos emails que recebo sobre o curso,estou bem interessado,ate porque desde jovem sempre gostei de ler sobre jung ,freud, trabalho em atendimento a clientes,já atuei em vendas de publicidade em jornal,realmente é no minimo uma otima ferramenta de trabalho e de interação com pessoas.

    1. Prezado Mauro, obrigado por sua mensagem. Você tem toda a razão. A Psicanálise é um campo do saber enriquecedor, para o autoconhecimento, para ajudar outras pessoas, para agregar em outros ramos de atividade ou mesmo para atuar especificamente como psicanalista. Você será bem-vindo para estudar conosco!

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