Traição e relações extraconjugais segundo psicanalistas

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Todo relacionamento está sujeito à traições da parte de ambos os envolvidos. Nesse contexto, vale destacar que essa atitude pode ser de vários tipos e níveis. Porém, dentre as mais diversas traições, a que mais se fala diz respeito às relações extraconjugais.

Nesse artigo, nós queremos conversar com você, leitor, sobre o que é a traição. Além disso, dado que ela pode se manifestar em vários níveis, é preciso ter uma ideia de quais são eles. Considerando isso, trouxemos aqui como a psicanálise analisa esse casos.

O que é traição e como definir as relações extraconjugais

A traição tem se tornado mais comum entre casais ultimamente. Ou melhor dizendo, tem se falado mais sobre traição. Afinal, nas sociedades mais antigas a traição sempre ocorreu. Contudo, o ato de trair era visto como um sinal de virilidade, mas apenas no caso dos homens. Quando a traição era responsabilidade feminina, no caso da Roma Antiga, por exemplo, havia exclusão e perda dos bens.

Hoje em dia ainda encontramos notícias que abordam inclusive o apedrejamento de mulheres adúlteras. Para você ter ideia, não faz muito tempo que as leis do Irã foram alteradas tendo uma punição alternativa em vista.

Estimativas americanas sugerem que, de 50% a 75% dos casados, já cometeram, pelo menos uma vez, algum tipo de traição. No Brasil, as estimativas apontam que entre os homens há um percentual de 70,6% de pessoas que já traíram. Entre as mulheres, o número chega a 56,4%.

No entanto, tendo toda essa informação, ainda não está claro o que é a traição. Assim, vale definir aqui que estamos falando do ato de trair dentro de um casamento, em que uma das partes envolvidas decide ter uma ou mais relações extraconjugais. Ou seja, contrai-sem relações com pessoas fora do contrato amoroso estabelecido.

Nesse contexto, há vários subtipos dentro dessas traições como, por exemplo:

Infidelidade emocional

Esse subtipo diz respeito a relações extraconjugais no campo emocional, isto é, uma pessoa comprometida se relacionou emocionalmente com uma outra fora de seu casamento. Um exemplo desses casos é o flerte por redes sociais em que não há apenas um interesse físico, mas sobretudo emocional.

Infidelidade sexual

As relações extraconjugais que envolvem sexo entre o parceiro e outra pessoa é a traição mais falada. Nesse caso, pode haver apenas um envolvimento físico e não emocional.

Infidelidade mista

Nesse caso, a traição sai do ambiente virtual para o físico. A pessoa pode se apaixonar pelo outro virtualmente e, em decorrência disso, relações extraconjugais mais sérias tomam forma.

As relações extraconjugais segundo a psicanálise

Assim como há diferentes tipos de traições, há diferentes formas de perceber a traição e as relações extraconjugais. De qualquer forma, precisamos pensar a infidelidade de uma visão tridimensional. Ou seja, a da pessoa traída, a da que trai e a da terceira pessoa envolvida.

Em uma visão mais comum, a primeira pessoa pressupõe a quebra do pacto de exclusividade na relação. Essa quebra gera sofrimento por ter que dividir a pessoa com outro alguém uma vez que um compromisso de monogamia havia sido instaurado.

Motivos para trair

Esse rompimento do compromisso pode ocorrer por conta de muitos motivos. Algumas vezes é a falta de algo no relacionamento atual. Para outras pessoas, a atitude é movida por um desejo de conquista, de inovar, ou até da tentativa de manipulação.

Quem ama trai

O último caso apresentado mais acima está ligado ao relacionamento tóxico. No que diz respeito a isso, a psicóloga Feldman ainda acrescenta que “quem ama trai”, algo que muitas pessoas questionam. De acordo com ela, a pessoa que ama…

“[…]trai, e muitas vezes não por razões ligadas ao relacionamento, que pode ser extremamente satisfatório, existir um sentimento de amor recíproco, intensidade na relação, mas, mesmo assim, há espaço para a traição”.

O papel da insegurança nas relações extraconjugais

Um outro ponto que Feldman indica como motivação da traição é a insegurança. Para ela…

“O indivíduo trai e deixa sinais para que o outro perceba e se sinta inseguro em relação ao seu próprio valor. Ele trai com medo do outro traí-lo primeiro. Com isso o outro perde o foco em si e passa a se relacionar com aquilo que o outro quer que ele sinta. E vira uma relação doentia”.

Homem versus mulher

Ainda segundo a sua perspectiva, as motivações dos homens são mais físicas. Já a das mulheres, por outro lado, envolvem sentimentos. Além disso, a psicóloga pensa na traição por uma espécie de ética. Ela diz que…

“Existem pessoas que se sentem traídas só quando existe sexo e outras com olhares. Mas quem cerceia a liberdade do outro corre mais riscos de ser traído. A pergunta é: em uma relação bem estruturada onde o diálogo permeia a relação, qual o dano que a traição por palavras, pensamento e omissões pode trazer?”


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Com isso, podemos inferir que Feldman pensa nas relações extraconjugais como algo destrutivo. Afinal, ela cita que a relação estruturada deve ser entendida como um ambiente que repele a traição, mas para conquistar um relacionamento assim o amor nem sempre é suficiente.

Outro ponto de vista

Para a psicanalista Regina Navarro Lins “trair tem uma conotação pesada na palavra. As pessoas dizem que a mulher trai quando está abandonada. Mas, na imensa maioria das vezes, as pessoas têm relações extraconjugais porque variar é bom”, afirmou.

Dessa forma, para ela, a traição deve ser encarada de maneira mais leve. Isso se garantiria na medida em que exclusividade, essencial para a monogamia, virou uma obsessão para nossa sociedade. Sendo assim, as pessoas deveriam se preocupar mais com o fato de estarem sendo amadas e não de serem exclusivas.

Consequentemente, as relações extraconjugais não deveriam ter grande peso na definição de um rompimento, por exemplo. Nesse contexto, o que uma pessoa faz fora do relacionamento não deveria ser uma  preocupação.

Poliamor

Para Lins, as relações estão mudando e o poliamor tende a ganhar mais espaço a cada dia, uma vez que está mais associado com o sexo do que o casamento deveria. Ademais, no casamento fidelidade não tem nada a ver com sexo e quem se casa deve estar mais preocupado em construir uma vida legal juntos e ter projetos em comum.

Comentários finais sobre as relações extraconjugais

As relações extraconjugais podem ser vistas e sentidas de maneiras plurais. Consequentemente, podem deixar marcas profundas e traumatizar uma pessoa no que diz respeito a como ela encarará seus futuros relacionamentos.

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