resistência e transferência

Resistência e Transferência em Psicanálise

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Dentre os conceitos da clínica psicanalítica, dois dos mais falados são resistência e transferência. Em linhas gerais, vamos à uma definição do que são resistência e transferência. em Psicanálise, segundo Freud.

Uma breve definição sobre resistência e transferência

1. O que é resistência? é a barreira que o paciente impõe ao analista e a si mesmo, como mecanismo de defesa. Afinal, é mais fácil o ego continuar sendo quem ele é, ou acha que é.

2. O que é Transferência? é o vínculo de confiança entre paciente e analista. Para Freud, seria uma espécie de “amor”, como de um filho (paciente) para uma mãe (analista). Aumenta-se a confiança, quebram-se parte das defesas e o inconsciente torna-se mais acessível.

O papel da Resistência e da Transferência em psicanálise

Em carta encaminhada a Georg Groddeck, em 1917, Freud afirma que todo terapeuta que leve em conta o conceito de resistência e transferência no tratamento pode dizer que está de fato fazendo psicanálise.

Para o médico vienense, portanto, a essência de seu método, aquilo que garantiria sua singularidade, seria a consideração da resistência e transferência no processo terapêutico.

1. Conceito de Resistência – O que os psicanalistas chamam de resistência diz respeito àquilo que faz com que a psicanálise se diferencie de um procedimento meramente educativo. Com efeito, a educação tradicional pressupõe que a realização de uma tarefa por qualquer indivíduo depende da capacidade dele para tal.

2. Conceito de Transferência – Quando o paciente sente-se acolhido pelo psicanalista e tem com este uma relação de confiança. A partir disso, há uma aproximação próxima ao conceito de amor dos pais. O paciente “baixa sua guarda” e permite-se abrir mais suas questões. Assim, a transferência é positiva ao tratamento, na visão de Freud.

Dois diagnósticos, conforme a Educação

Embora essa ideia pareça estupidamente lógica, a clínica psicanalítica mostra que não é bem assim. Afinal, o que mais se encontra nos divãs são pessoas que possuem a plena capacidade para não fazerem aquilo que lhes prejudica e mesmo lhes fazendo mal, não conseguem deixar de fazer!

A educação, diante de alguém nessa situação, teria apenas duas opções de diagnóstico: ou a pessoa não possui de fato a capacidade para deixar de fazer o que lhe prejudica (ainda que diga que possua) ou, na verdade, não quer deixar de fazê-lo.

A descoberta de uma terceira possibilidade

Freud descobriu uma terceira possibilidade de explicação, que resultou no conceito de resistência.

Ele observou que o sujeito pode ter a capacidade e a vontade consciente de deixar de renunciar ao seu sintoma e ainda assim não conseguir abandoná-lo, em função de determinados fatores inconscientes. São justamente esses fatores que Freud denominou de resistências.

Considerar a resistência, nos permite entender porque o indivíduo frequentemente diz: “Eu gostaria de mudar, mas não consigo”. Se ele não consegue, não é porque não queira, mas porque a mudança traria consigo uma série de consequências imaginárias e reais que este indivíduo ainda não é capaz de suportar.

Sobre a incapacidade de dizer não às pessoas

Um exemplo banal nos ajuda a esclarecer essa ideia. Tomemos um paciente que afirme não ser capaz de dizer “não” às demandas de pessoas à sua volta nos momentos em que conscientemente gostaria de fazê-lo.

Trata-se de uma dificuldade experimentada por muitas pessoas. O paciente afirma que deseja ser capaz de dizer “não”, mas infelizmente não consegue. Observem: ele quer, tem boca e sabe falar, mas, por alguma razão, não consegue.

Ao analisar alguns casos de pessoas conhecidas, pude notar que o indivíduo teme imaginariamente ao dizer “não” para alguém. Ele pensa que a pessoa passará a não mais amá-lo ou a não lhe dar a atenção que costumava dar.

A transferência é uma forma de retomar o amor dos pais

Essa consequência, certamente possível, mas que em outras pessoas não produziria mais do que um leve mal-estar, mas para esse sujeito, que não consegue dizer “não”, poderia implicar num processo de separação.

Para esse sujeito, o amor e olhar do outro podem ser tão necessários que, sem eles, o sujeito teme não mais existir ou a viver num estado de angústia nefasta. Podemos também associar que esse temor está próximo às experiências que o indivíduo vivenciou quando era bebê.

Assim, o ambiente pode não tê-lo acolhido suficientemente bem, de modo que ele não foi capaz de se sentir existindo independentemente do olhar do outro.

É necessário estar seguro se sentir seguro para enfrentar

Nesse sentido, se Freud diz que levar em conta a resistência é uma das marcas do tratamento psicanalítico. Isso significa que o psicanalista não é adepto do famoso dito psicoterapêutico. Esse dito terapêutico afirma: “Eu posso te ajudar, mas você tem que querer.”.

Entendo que para o psicanalista esse suposto “querer” que faria o paciente abandonar o sintoma não é fruto da sua “força de vontade”. Mas sim resultado da relação do sujeito com o ambiente. A resistência do indivíduo sinaliza a função defensiva do sintoma.

Sem a doença, o sujeito fica indefeso e entregue à angústia. Por essa razão, ele resistirá até o momento em que a angústia não for mais um inimigo do qual é preciso se defender. Ou até o ponto em que se sentirá suficientemente seguro para enfrentá-la sem utilizar o sintoma como defesa.

É necessário levar em consideração um segundo conceito de Freud

Para que isso ocorra, é preciso que o clínico possa levar em conta o segundo conceito que Freud aponta como sendo parte da essência do método psicanalítico: a transferência.

A Transferência no processo analítico

Transferência – Considera a transferência como o eixo do tratamento. Significa entender que o sujeito não vem ao psicanalista para falar sobre sua doença, mas para manifestar essa doença. É essa a realidade espantosa que Freud observou desde seus primeiros tratamentos de pacientes histéricos!

Chama-se “transferência” porque de fato o paciente transfere sua doença para o setting terapêutico. Tal fator, faz com que o problema possa ser abordado ao vivo e a cores. Para que transformação do paciente possa acontecer de maneira direta e imediata.

Voltando ao exemplo do indivíduo que não consegue dizer “não” às pessoas que compõem o seu círculo de relacionamentos. Ocorrerá que, a medida em que o analista passa a ser uma dessas pessoas, ele também não conseguirá dizer “não” ao terapeuta.

Quebrando barreiras com a ajuda do analista

A primeira pessoa a quem ele poderá dizer “não” sem medo de deixar de existir será ao analista. O mesmo, diferentemente do ambiente inicial no qual o sujeito se constituiu, será capaz de suportar esse “não”. Desse modo, continua-se mantendo o acolhimento intacto.

Conclusão

Transferência, portanto, não significa que o analista é uma tela em branco, onde o paciente irá projetar todas as suas fantasias. Trata-se de um laboratório da vida, onde misturas podem ser feitas, substâncias podem ser decompostas sem medo.

As considerações da resistência e transferência são, portanto, umas das marcas da psicanálise. Isso porque o método psicanalítico sustenta que a relação entre analista e paciente é o espaço onde a doença se manifesta. É também o lugar onde ela será compreendida e tratada. Assim como, o processo de resistência é muito comum nos tratamentos psicanalíticos. E, portanto, se torna uma passo a ser enfrentado pelo terapeuta e paciente.

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