clivagem

Significado de Clivagem: definição, sinônimos, exemplos

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Tanto física quanto mentalmente, nós conseguimos fazer uma divisão de nossa estrutura. Podemos fazer isso propositalmente ou não. Em geral, essa separação acontece em decorrência de uma incapacidade ou necessidade de mudança de um ser ou objeto específico. Você compreenderá melhor essa proposta ao mostrarmos o significado de clivagem, seus sinônimos e exemplos.

O que é clivagem?

Em suma, a clivagem se trata de uma fragmentação específica de um objeto ou pensamento, ocasionando a sua mudança. O termo é utilizado sob diversas perspectivas para se estudar essa alteração, tanto em tamanho, quanto em significado do elemento. Desse modo, o uso do termo ganha identidade própria quando usado na:

Psicologia

A Psicologia afirma que é o fenômeno correspondente à impossibilidade de pensar na parte positiva e negativa de alguém como partes de um todo realista.

Política

Já no caso da política, o termo corresponde à diferenciação de grupos sociais por motivos religiosos, culturais, ideológicos, étnicos ou políticos.

Mineralogia

Nesse âmbito, o conceito consiste no meio pelo qual os minerais se dividem de acordo com planos paralelos bem colocados.

Linguística

Quanto à Linguística, a clivagem ocorre quando uma única oração se divide em duas.

Embriologia

Nesse caso, trata-se da divisão celular que acontece nos embriões, de modo a contribuir para o seu desenvolvimento.

Genoma

Aqui, a clivagem corresponde à engenharia genética no genoma começando pelo ADN.

Na busca por um sinônimo de clivagem encontramos separação, afastamento, divisão, cisão, fragmentação, desmembramento, desagregação, fracionamento, parcelamento, etc.

A clivagem na Psicanálise

A clivagem, no original alemão Spaltung, é uma defesa interna que polariza crenças e ações, sendo seletiva com relação aos seus atributos negativos ou positivos. Tanto Freud quanto outros autores aplicaram o termo para falar da divisão do homem. Eles fizeram isso principalmente no estudo de psicopatologias, como personalidade dupla nos pacientes.

Já que existe o desdobramento alternante da consciência, os psicanalistas defenderam a coexistência de duas personalidades que se ignoravam. Tanto que reconheceram o complexo sintomático da histeria como justificativa para a clivagem da consciência formando partes psíquicas separadas.

Contudo, a origem e a finalidade dessa característica divisória no conjunto histérico ainda são pouco claras. Vale dizer que a visão freudiana da separação da consciência por meio do recalque se fortalece por causa da divergência apreciativa. Essa concepção de Freud se opõe à perspectiva de outros estudiosos que apontavam a existência de “fraqueza da síntese psicológica” ou “histeria hipnoide”.

A visão de Freud

De acordo com Freud, a clivagem é fruto de um conflito. Ainda que possua valor descritivo para o psicanalista, também não contém um teor explicativo relevante. Entretanto, a existência dessa divisão alimenta a questão sobre o porquê e como o sujeito consciente se divide de suas representações.

Freud ainda utilizou a palavra Spaltung para estudos que envolviam a divisão intrapsíquica desde a descoberta do inconsciente. Porém, no seu próprio trabalho, ele somente usou esse termo alemão de maneira episódica para estudar a separação sistemática do aparelho psíquico. Além desse sistema, incluiu também as instâncias e o desdobramento egoico no uso dessa ferramenta.

Freud vs Bleuler

Paul Eugen Bleuler, psiquiatra suíço, usava o Spaltung para explicar os sintomas de afecções da chamada esquizofrenia. O termo Spaltung não somente é dado de observação, mas também indica uma hipótese sobre o funcionamento da mente. Assim, concebe a clivagem mental em grupos associativos diferentes como parte psíquica desagregada por causa de uma fraqueza associativa primária.

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Ao contrário de Bleuler, Freud critica a aplicação da esquizofrenia colocada aqui, não adotando a ideia do psiquiatra. Mesmo assim retoma a noção sobre a divisão psíquica perto do fim da vida com uma perspectiva nova se comparada a da sua juventude.

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Clivagem do ego

Freud inicia a sua abordagem na clivagem do ego no estudo sobre as psicoses e o fetichismo. De acordo com o psicanalista, essas afecções mostram com evidência o relacionamento entre a realidade externa e o ego. Por meio disso que Freud defendeu a existência de um mecanismo específico, o Verleugnung, onde o protótipo é a recusa da castração.

Segundo Freud, em cada psicose há duas atitudes psíquicas, uma que considera a realidade e outra que desliga o ego dela. Porém, esse tipo de clivagem não é exatamente uma defesa do ego, mas um caminho para coexistir de dois processos de defesa. Enquanto um se volta à realidade e a recusa, o outro se direciona à pulsão, sendo redundante na criação dos sintomas neuróticos.

Quando nós observamos a teoria psicanalítica sobre uma pessoa percebemos um sujeito com atitudes psíquicas opostas e independentes. Logo, Freud tenta trabalhar um novo modelo de recalque usando a clivagem do ego, intrassistêmica, em vez da clivagem entre instâncias. Embora esse processo não firme compromisso entre as atitudes opostas, as mantêm simultaneamente sem estabelecer relação dialética.

Clivagem do objeto

Criada por Melanie Klein, a ideia de clivagem do ego a identifica como uma defesa primitiva contra a angústia. Um objeto visado pelas pulsões destrutivas e eróticas é dividido entre “bom” ou “mal”, fazendo com que tenham destinos independentes nas projeções e introjeções. Dessa forma, a clivagem do ego participa ativamente na posição depressiva e paranoide-esquizoide, incidindo sobre o objeto total.

Segundo a escola kleiniana, a clivagem do objeto é seguida da clivagem correlativa egoica em “bom” ou “mal”, porque o ego é formado pela introjeção dos objetos. A partir daí percebemos que as ideias de Melanie apontam algumas das indicações feitas por Freud sobre a relação sujeito-objeto.

Exemplos de clivagem

Em relação ao sentido de clivagem na Psicanálise e Psicologia, de um modo geral, nós conseguimos exemplificar da seguinte forma:

  • Um indivíduo bastante religioso que pensa que as outras pessoas ou são condenadas ou abençoadas. De modo seletivo, enxerga o extremo das pessoas com base em sua construção pessoal.
  • O filho de um casal divorciado que evita um dos pais enquanto acaba idolatrando o outro.

Considerações finais sobre clivagem

A clivagem determina o processo de transformação e divisão em um objeto, seja ele físico ou mental. Na parte mental, temos uma oposição em relação a um mesmo item, mudando seletivamente a nossa perspectiva sobre ele. Ou seja, podemos enxergar o seu lado negativo ou positivo conforme a nossa construção psíquica e necessidade de atuação.

O mecanismo de defesa da mente serve como um filtro, de modo a escolher atributos bons ou ruins ao polarizar crenças. Ter essa clareza sobre esse mecanismo colabora diretamente ao estudo de psicopatologias que dividem a mente humana. No final das contas, temos uma ferramenta que designa a divisão do homem sobre si mesmo.

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