Significado de Transferência em Terapia

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A análise da transferência é o elemento central do processo psicanalítico. É o ponto que permitirá a eficácia do tratamento. Neste artigo, abordaremos o Significado de Transferência em Terapias, especialmente a terapia psicanalítica.

Abaixo está a conceituação de transferência de Laplanche e Pontalis:

“Transferência é o processo pelo qual os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados objetos no quadro de um certo tipo de relação estabelecida com eles, eminentemente, no quadro da relação analítica. Trata-se de uma repetição de protótipos infantis, vivida com um sentimento de atualidade acentuado.” (514)

Por sua vez, Freud diz que “o tratamento psicanalítico não cria a transferência, mas a descobre, a torna possível, de igual modo que a outros processos psíquicos ocultos.” Etchegoyen diz que “a transferência existe fora e dentro da análise, a única diferença é que nesta ela é detectada continuamente. Assim, durante o processo psicanalítico, o analisando estará transferindo para tratar”.

 

Significado de Transferência para Freud

Para Freud, a transferência tem a finalidade auxiliar do processo psicanalítico e pode ser definida por 3 parâmetros, descritos por Etchegoyen:

  • realidade e fantasia,
  • consciente e inconsciente,
  • presente e passado.

O analisando revive a vida emocional que não pode recordar e é nessa transferência que ela deve ser resolvida. A transferência é um processo primário, inconsciente, uma relação de objeto cuja raiz é infantil, e que confunde o passado com o presente, dando-lhe um caráter onde as respostas são inadequadas, inapropriadas.

A transferência se dá na relação do analisando com o psicanalista, despertando nesse analisando o mesmo afeto que o fez banir tal desejo.

É transferindo para tratar. Assim, para que o tratamento psicanalítico tenha sucesso, o analisando necessita estar consciente do obstáculo da resistência, expresso na transferência, para superar a dificuldade.

 

Conceito de Transferência como repetição de um modelo infantil

Entendendo a transferência como uma reedição de um protótipo infantil, e sabendo que muitas vezes as fantasias da infância são vivenciadas como se fossem fatos reais.

E entendendo também o inconsciente, como o local onde os elementos, objetos da transferência, estão recalcados, compreendemos que, através do processo psicanalítico eles vêm à tona de forma bem atualizada em termos de sentimentos, através dessa transferência, que é o processo pelo qual os elementos recalcados são revelados pelas pelas palavras ou pelos atos.

 

A ação do Psicanalista na relação de transferência

O psicanalista deve intervir, mesmo que através do silêncio, para que demonstre que compreendeu em qual lugar o analisando o coloca, se de mãe, pai ou outro. E, após isso, um certo distanciamento é importante e faz-se necessário para que o paciente analise essa transferência e evolua em seu tratamento psicanalítico.

Os afetos que são objetos desse processo de transferência do analisando para o psicanalista, podem ser considerados como um enamoramento, mas um enamoramento todo especial, pois não se baseia em objetivos sexuais, trata-se da transferência que é dada, um transferindo para tratar.


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O psicanalista deve ter o cuidado e orientar, ressaltando para o analisando, que este amor que foi transferido, não é amor legítimo, visto que tem que ser esclarecido, pois pode ser tomado pelo analisando como uma verdadeira paixão.

 

O significado da transferência no sucesso terapêutico

O psicanalista deve ter a competência de suspeitar de tudo que venha a interferir na cura, pois diversas situações podem se manifestar como resistência, durante esse processo psicanalítico. E esse “amor” deve ser visto como uma manifestação no curso da análise.

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O psicanalista deve estar ciente, que é a partir do momento que os conteúdos recalcados importantes ameaçam se revelar, que é aí o momento que desencadeia a transferência.

Dentre os procedimentos técnicos que Freud evidencia em seus artigos sobre técnicas de psicanálise, o manejo da Transferência é um que ganha destaque; “A dinâmica da Transferência” (1912b/1996) e “Observações sobre o amor transferencial”(1915b(1914)/1996).

A posição do analista é parte principal do processo no manejo da Transferência. Em “A dinâmica da Transferência”, sobre o início do tratamento (1913a/1996) e também em “Recordar, repetir e elaborar”(1914b/1996), Freud tratará a transferência enquanto fator sine qua non ao tratamento analítico.

O fenômeno de transferência relaciona-se a determinada parcela da libido que o analisando não dirige à realidade, mas para figuras vivenciadas na relação analítica. Dessa forma, transferindo para tratar.

Freud, em “Recordar, repetir e elaborar”, nos diz que devemos ter gratidão com a velha técnica da hipnose, pois a partir dela foi proporcionada a descoberta do inconsciente e seu determinismo na vida mental do paciente.

 

Transferência e Hipnose

A hipnose permitiu o acesso à determinados conteúdos e à formulação dos processos psíquicos que a psicanálise descobriu.

O abandono da hipnose denota a fronteira entre o momento pré – psicanalítico e a psicanálise. Houve uma consolidação ética, quando Freud retomou a quarta parte de “Estudos sobre a histeria”(1985(1983)/1996), quando vislumbrou a mudança do posicionamento, onde podemos relembrar que as resistências enfrentadas por Freud no atendimento aos pacientes, o fez ver que elas deveriam ser da mesma natureza que os levou ao estado patológico.

Assim ele se deparou com a teoria do Recalque.

 

Significado de Transferência e Resistência

A transferência e a resistência , são para Freud, o ponto de partida para a psicanálise. A Repressão e a Resistência são suas descobertas.

A força do Recalque indica sua importância na vida mental e sugere o Recalque enquanto um conceito que, se não for considerado, desequilibra a base sobre a qual a psicanálise se sustenta. Essa dinâmica é fundamental para se compreender o conceito de Inconsciente.

A psicanálise nasce à partir de um método de investigação que culmina em método de tratamento, o que foi uma das primeiras comprovações das hipóteses levantadas por Freud, que ela seria terapêutica.

Podemos perceber isso em “Algumas palavras a respeito da psicanálise como forma de terapia.”(Freud,1933(1932)/1990, p.185).

 

Os dois benefícios da transferência na análise psicanalítica

Assim, a transferência emerge como uma resistência e também demonstra a proximidade da revelação do conflito inconsciente.

Freud alerta que o processo transferencial tem duas vantagens, pois se o analisando coloca o psicanalista no lugar do pai ou da mãe ele também está dando ao psicanalista o poder que o superego exerce sobre o ego, visto que os pais foram a origem do seu próprio superego.

Assim, através do novo superego (do psicanalista), o analisando dispõe agora de uma oportunidade para corrigir erros, erros esses onde os pais foram responsabilizados ao educá-lo, e dessa forma, transferindo para tratar. Freud recomenda ao psicanalista, que tenha a frieza emocional do cirurgião e diz que o psicanalista deveria inspirar-se na máxima: “Je le pansai, Dieu lê guirit.” (Eu lhe fiz os curativos, Deus o curou).

 

Concluindo: o significado de transferência em terapia

Durante o processo psicanalítico, percebemos que a atenção do analisando vai, cada vez mais, em um crescente, se voltando para a figura do psicanalista.

Para entendermos o significado de transferência, precisamos compreender Freud.

Freud salientou ser de muita utilidade, a compulsão a repetição na transferência e disse: “Como um pátio de recreio que só é permitido expandir com liberdade quase total e onde se espera que nos seja mostrado tudo aquilo que está escondido na mente do paciente sob a forma de instintos patogênicos (Freud, 1914c, p.154).

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Sendo a situação transferencial manejada de forma satisfatória… Acontece o seguinte… “…Nós, normalmente, conseguimos dar um significado transferencial novo a todos os sintomas da doença e substituir sua neurose habitual por uma “neurose de transferência”, da qual o paciente pode ser curado através do trabalho terapêutico. (Freud, 1914c, p.154).

Por fim, a neurose transferencial é uma nova edição de uma doença antiga, por assumir todos os aspectos da doença. Mas sendo uma “doença artificial”, o que permite, dessa forma, a nossa intervenção para ajudar o paciente. Sobre o

Artigo sobre significado de Transferência, escrito por Karla Oliveira, Psicanalista e psicoterapeuta (Rio de Janeiro-RJ, kaiol23517@gmail.com).

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