sintomas da síndrome do sotaque estrangeiro

Síndrome do sotaque estrangeiro: causas e sintomas

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Síndrome do Sotaque Estrangeiro é uma doença rara, em que a pessoa desenvolve uma fala semelhante a um sotaque estrangeiro. Geralmente a patologia é desenvolvido em razão de algum tipo de dano cerebral, como, por exemplo, traumatismo craniano ou acidente vascular cerebral. Entretanto, já foram diagnosticados alguns casos desencadeados de fortes enxaquecas.

De antemão, não se trata de mudança de idioma de maneira súbita, mas sim de distorções na fala. Ou seja, a pessoa apresenta distorções em suas articulações e coordenação, resultantes em uma fala incomum.

O que é Síndrome do Sotaque Estrangeiro?

Em suma, a síndrome do sotaque estrangeiro é condição médica sob a qual os pacientes têm sua fala alterada de forma similar a um sotaque estrangeiro. Ou seja, de fora repentina, passa a ter alterações em sua língua nativa, apresentando sotaques de línguas estrangeiras.

A fala, sobremaneira, é alterada em termos de tempo, posição da língua, entonação, soando como se um sotaque estrangeiro fosse. Vale ressaltar que a fala não fica desordenada, permanecendo compreensível.

Como se trata de uma doença rara, somente existem cerca de 100 casos registrados em todo mundo. Dos estudos desses casos, se demonstrou que, em sua maioria, são desencadeados de danos cerebrais, envolvem a área responsável pela linguagem.

Em outras palavras, nesta síndrome, a pessoa tem afetada a fala de tal forma que se percebe alteração em sua língua nativa, pois passa a desenvolver uma fala similar a um sotaque estrangeiro. Como, por exemplo, um brasileiro passa a desenvolver sotaque de um americano.

Principais sintomas da síndrome do sotaque estrangeiro

Síndrome do sotaque estrangeiro resumo sintomas

De antemão, saiba que os sintomas da síndrome do sotaque estrangeiro são temporários. No geral, dentre os casos diagnosticados, os sintomas surgiram durante a recuperação de pacientes que sofreram danos ou lesões cerebrais.

Quando nascemos somos expostos à diferentes sotaques e padrões de fala, porém, logo após a adolescência, o sistema fonético permanece praticamente fixo. Por isso a síndrome do sotaque estrangeiro é peculiar, pois os seus sintomas afetam este sistema.

Desse modo, dentre os principais sintomas de alterações da fala da pessoa, que soam como um sotaque estrangeiro, estão:

  • alterações durante a fala como entonação, ênfase e ritmo;
  • encurtamento ou alongamento de vogais;
  • substituição, exclusão ou distorção de consoantes;
  • alterações na articulação e vocalização;
  • movimentação da língua ou mandíbula de maneira diferente na fala, criando um som diferente ao padrão de fala.

Causas para síndrome do sotaque estrangeiro

Por existirem poucos casos registrados pelo mundo, não se têm causas específicas para a síndrome do sotaque estrangeiros, existindo casos, inclusive, que não se pode verificar nenhuma causa relacionada. Porém, dentre os diagnósticos, as principais causas apresentadas para a síndrome são:

  • Acidente Vascular Cerebral;
  • enxaquecas;
  • problemas de desenvolvimento;
  • lesões cerebrais ou aneurismas;
  • distúrbios psicológicos ou psiquiátricos;
  • tumores cerebrais;
  • esclerose múltipla;
  • lesões cerebrais traumáticas.

Tratamentos para síndrome do sotaque estrangeiro

Por ser uma doença rara, muitas vezes o diagnóstico e tratamento para síndrome do sotaque estrangeiro envolve uma equipe multidisciplinar, incluindo neurologistas, especialistas em saúde mental (como psicólogos, psicanalistas e psiquiatras) e fonoaudiólogos. Nesse sentido, estes profissionais atuarão nos seguintes aspectos:

  • fonoaudiólogo: este especialista em distúrbios de fala e comunicação ajudará a diagnosticar a extensão das mudanças na fala. Caso necessário, poderão solicitar exames médicos para descartar outros distúrbios com sintomas semelhantes, como, por exemplo, afasia;
  • neurologista: um médico ajudará a identificar possíveis causas relacionadas a questões físicas cerebrais, ao analisar exames médicos, como, por exemplo, ressonância magnética ou tomografias computadorizadas. Para que, assim, possa relacionar os sintomas com a atividade cerebral;
  • especialistas em saúde mental: estes profissionais ajudarão a pessoa a lidar com os impactos sociais e emocionais relacionados ao novo sotaque. Ou, até mesmo, aplicar técnicas para descoberta das causas psicológicas que possam ter desencadeado a síndrome. Como, por exemplo, realização de testes psicológicos para avaliação de leitura, escrita e compreensão da linguagem.

Para as causas de ordem psicológica, os tratamentos mais utilizados são os realizados por sessões de psicoterapia. Em sessões individualizadas, o profissional da saúde mental utilizará de técnicas para que a pessoa possa recriar seu sotaque anterior, através exercícios direcionados.

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Além disso, em terapia, terá orientações focadas em estratégias terapêuticas comportamentais que lhe ajudarão a ter hábitos positivos para combater pensamentos e comportamentos que lhes são destrutivos.

Por outro lado, em caso de pacientes que sofrem lesões cerebrais físicas, geralmente, são prescritos medicamentos. E, nos casos mais graves, pode ser necessária intervenção cirúrgica.

Casos relatados

Conforme pesquisas, encontramos alguns dos raros casos da síndrome do sotaque estrangeiro pelo mundo. Especialistas acreditam que, atualmente, existem cerca de 20 pessoas que sofrem do distúrbio.

Primeiros casos

O primeiro caso ocorreu em 1907, descrito pelo neurologista francês Pierre Marie (1853-1940), onde uma paciente que apresentou um problema cerebrovascular e, como sequela, teve paralisia do lado direito do corpo (hemiplegia direita).

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    Ao passar do tempo, a paciente apresentou dificuldades de pronunciar palavras com o sotaque que lhe era usual. A paciente tinha um sotaque da região de Paris, França, quando então passou a ter o sotaque de outra região do país.

    Outro caso de destaque ocorreu em 1943, com a paciente Astrid, na Noruega, diagnosticado pelo médico Georg Monrad-Krohn (1884-1964). Após ser atingida por estilhaços de arma de fogo no cérebro, durante sua recuperação, passou a apresentar problemas com sua fala.

    Então, Astrid passou a ter um sotaque alemão, o que lhe causou diversos problemas, sobretudo de ordem pessoal, tendo em vista que relatos demonstram que a jovem estava em meio a Segunda Guerra Mundial. Este foi um dos casos mais conhecidos da síndrome.

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    Casos recentes

    Com exemplos recentes, em 2013 foi publicado pela BBC o caso de Sarah Colwill, uma americana que, com a síndrome do sotaque estrangeiro, passou a falar com o sotaque chinês. Isso ocorreu logo após uma forte crise de enxaqueca.

    Por fim, em 2016, a também americana Lisa Alamia, após uma cirurgia na mandíbula, teve o diagnóstico da síndrome. Tendo em vista que passou a ter um sotaque de inglês britânico.

    Contudo, saber sobre a síndrome do sotaque estrangeiro é de suma importância, tendo em vista a raridade da condição e a dificuldade que se tem de diagnosticá-la e tratá-la.

    Sobretudo pela particularidade desta condição, se você sofreu qualquer dos sintomas aqui descritos, é necessário procurar ajuda dos profissionais aqui indicados, o mais breve possível. Pois, além das condições físicas, podem desencadear em transtornos psicológicos mais graves, diante das mudanças, pessoais e sociais, causadas pelo novo sotaque.

    Você já conhecia esta síndrome? Nos conte nos comentários abaixo o seu conhecimento no assunto e, ainda, tire todas as dúvidas. Teremos o maior prazer em falarmos mais sobre esta rara doença.

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