psicanálise é uma forma de psicoterapia

Psicanálise é uma forma de psicoterapia?

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Nesse artigo vamos falar que a Psicanálise é uma forma de psicoterapia, tema que vem gerando grandes debates anos a fio, desde 1950, em escala mundial e ainda sem um consenso. Afinal, a Psicanalise é ou não é, uma forma de psicoterapia?!

Muitos pesquisadores estão divididos entre os que concordam e o que discordam sobre a Psicanálise estar inserida dentro da Psicoterapia. No fecho do enfoque (pequeno artigo) será ofertada uma opção de resposta para a indagação que é instigante e um clássico tremendamente atual da Psicanálise em escala global.

Psicanálise é uma forma de psicoterapia

Nesse artigo (pequeno enfoque) vamos tratar desse tema que vem gerando grandes debates, anos a fio, desde a década de 1950, em escala mundial e ainda sem um consenso. Afinal, a Psicanalise é ou não é, uma forma de psicoterapia? Muitos pesquisadores estão divididos entre os que concordam e o que discordam sobre a Psicanálise estar inserida dentro da Psicoterapia.

No decorrer do artigo vamos abordar o que é uma psicoterapia, seus critérios; vamos entender se a Psicanálise integra as ciências denominadas de ‘Psi’ alojada na classificação ‘Psicoterapia’ ou se existe uma taxonomia técnica (classificação) independente, em pé de igualdade com a Psicologia e Psiquiatria. Vamos confrontar o dilema dialético dos prós e contras, entender o correto ‘lócus’ da Psicanálise.

Saber o porquê de o tema ser tão complexo e sobre o real papel do Sigmund Freud (1856-1939) na sua percepção de como encarava a Psicanálise. No fecho do enfoque vamos ofertar uma opção de resposta sobre a indagação proposta: ‘A Psicanalise é ou não é, uma forma de psicoterapia?’ Esta é uma questão histórica e instigante, um problema clássico tremendamente atual da Psicanálise em escala global. Para entender bem o problema vamos começar pelo ponto de partida ou pela estaca zero: O que é uma Psicoterapia ?

O que é uma psicoterapia?

Para entender bem essa questão temos que compreender a justaposição e o contexto de emprego das partículas ou fragmentos conceituais ‘psico’ com ‘terapia’, o seu real significado. O primeiro critério incontestável é que a ‘psicoterapia’ é uma forma de tratamento que busca tentar a remissão (ou cura) ou minorar uma patologia ligada a mente e cérebro, que se manifesta em forma de transtornos e síndromes psicológicas e reequilibrar a pessoa superando tal condição existencial.

O foco de aplicação das chamadas psicoterapias seria em tese, de dissolver o sofrimento psicológico. Neste sentido e direção, houve uma aproximação ou interface entre as ‘ciências P’ (Psicologia, Psiquiatria e Psicoterapias) da Filosofia e demais ciências sociais humanas e técnicas. Esta teria sido a razão do surgimento do movimento pró clínico: filosofia clínica, sociologia clínica, antropologia clínica, teologia clinica, direito clínico, engenharia clínica, pedagogia clínica, sem falar na própria psicologia, psiquiatria e psicanálise clínicas.

O segundo critério ventilado é que todas essas ciências e técnicas com seus métodos passaram a praticar uma forma de psicoterapia própria com seu ferramental. Por essa razão muitos pesquisadores passaram a falar na psicoterapia psicanalítica querendo significar o emprego de uma técnica específica da Psicanálise. De forma genérica, o termo corresponde a um tratamento com métodos psicológicos com ferramentas e instrumentos peculiares a cada tipo de saber.

Psicanálise é uma forma de psicoterapia

Neste passo, cada uma teria a sua caixa de ferramentas, filosofia clínica com o seus instrumentos, idem sociologia clínica, teologia clínica, psicologia clínica, psiquiatria clínica, psicanálise clínica e assim sucessivamente. O propósito da psicoterapia seria o psicológico, cada qual com seu instrumento de aplicação e aferição de seus resultados, alguns usando hipnose, outros a sugestão, o aconselhamento, a palavra, a associação, mediação, abstração, a cognição, o despertar da consciência, chacras, energização, meditação, e tudo mais.

O terceiro critério seria a busca desejável de uma nova condição pessoal, que cada ciência ou técnica vai denominar a sua forma de remissão, cura, superação, cessação, transformação, debelação, partilhamento, nivelação, alinhamento. Por exemplo, na Teologia Clinica teremos o aconselhado e esperançoso; na Filosofia Clínica, o partilhante; na Psicanálise, o analisando, na Psicologia e Psiquiatria, o paciente todos na busca de uma cura ou remissão.

Alguns pesquisadores chamam essa situação de argumento circular, porque a psicoterapia veste muitas vezes uma roupagem de teoria e não clínica em todas as ciências, técnicas e artes e estão lidando com a realidade concreta, pois ‘terapia’ significa busca do cuidado, do zelo, do benefício e da mudança para melhor, uma cura ou remissão de uma condição existencial; ao passo que, ‘psíquico’ é a parte psicológica, envolve o pensamento e a auto percepção humana, a cognição. Sequer remetem a visão clínica nesta fase, que seria um atributo da medicina.

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Freud e a Psicanálise

Por essa razão, surgiram os considerados tipos chamados de proto ou pseudo psicoterapias pelo planeta todo, muitas do mundo oriental e ocidental desconhecidas entre si, legadas pela tradição inclusive milenar. Por exemplo, fumar um cachimbo de um xamã, no México tem sido considerado uma psicoterapia. Inalar ervas, raízes do Santo Dai-me, uso de pomadas de cobras, gel de tubarão, óleo de baleia, tudo sendo considerado psicoterapias assoadas ao somático.

Nessa trilha, alguns pesquisadores passaram a entender que Sigmund Freud (1856-1939) ao refutar a hipnose para acessar o inconsciente e ter criado seu método peculiar, sua especificidade, a associação de palavras e ideias, pela via da linguagem, estaria a Psicanálise inserida dentro das Psicoterapias, em se tratando das ‘ciências P’ (psicológicas). A visão e percepção era inserir e aprisionar e conter a Psicanálise como uma mera nova forma de Psicoterapia.

Psicanálise integrando as Ciências ‘P’

Depois de muitos debates e publicações em literaturas especializadas se firmou em parte, sem consenso, um certo grau de entendimento de que o posicionamento (lugar, ‘o lócus’) da Psicanálise no quadro (moldura) das Ciências Psi, (ou P), estaria alojada dentro das Psicoterapias, porque foi entendido que seria uma modalidade que tem objeto e suas ferramentas peculiares ao trato do inconsciente sob o prisma freudiano. Então, ao se referirem as ‘ciências psi’ a tendência era manifestar Psicologia, Psiquiatria e Psicoterapias onde estaria inserida e alojada a Psicanálise. Alguns teóricos e pesquisadores passaram a falar em ‘psicoterapia psicanalítica’ desmembrada da Psicanálise, a teoria, o ouro, e uma prática de terapia, seria a prata, ou prata e o cobre.

Porém, um segmento forte se insurgiu com a visão de que a Psicanálise não é psicoterapia. A Psicanálise esta em pé de igualdade, paridade e simetria e isonomia de status com a Psicologia e a Psiquiatria, sendo esta ultima, uma pós-graduação. Não temos no Brasil a graduação em Psiquiatria. O psiquiatra é um médico, com seis anos de estudos, mais residência e uma pós na área. Já o psicólogo pode ser bacharel, se for profissional liberal ou pesquisador, ou licenciado se for orientado para o magistério.

O psicanalista sempre foi consuetudinário, ou seja, forjado pela tradição extra-acadêmica. Os defensores dessa corrente argumentam que o objeto da Psicanálise é o inconsciente e possui sua linha própria. O curioso é que tanto o médico, como o psicólogo, podem, ser psicanalistas, mas o psicanalista não pode ser psicólogo e nem médico. A formação é represada e institucionalizada. Para muitos analistas, o efeito da Psicanálise poderá até ser psicoterápico, mas não é psicoterapia. Porque tem seu ferramental, tem escutas das singularidades e estruturas pró forma clínicas próprias, fora do eixo legalista médico e psicológico que tem a ficha clínica como base na anamnese.

Psicanálise é uma forma de psicoterapia: psicanalista

O psicanalista busca acessar o ‘inconsciente’ pelos enraizamentos, historicidades e singularidades usando seu instrumento, a associação de palavras e ideias, que é a forma freudiana de acessar o inconsciente. Não existe generalização padronizada de tentativa de enquadrar, ou buscar de um CID (código internacional de doença), no CID-10, num mero mosaico de classificações dentro do DSM/Manual do Diagnóstico das Desordens Mentais, DSM-5, em que pese às categorias patológicas sejam manejados e operacionalizados conceitos da taxonomia psicopatológica e requerem, em muitos ‘cases’, interfaces (inter, multi, pluri ou trans, ou ainda meta e polidisciplinares).

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    Este tem sido um confronto ou conflito dialético dos prós versus os contras da Psicanálise ser ou não ser uma psicoterapia. Muitos pesquisadores autônomos consuetudinários, ou seja, forjados pela tradição e legados esparsos, partir da segunda geração de psicanalistas se fixaram no objeto da Psicanálise.

    O objeto da Psicanálise

    O objeto por excelência da Psicanálise é o “inconsciente”. Isso é ponto pacificado. A Psicologia tem seu objeto no comportamento e nos mecanismos de defesa do ‘ego’ mas, labora no ‘superego’ e também, no ‘id’, que no mesmo passo faz a Psiquiatria, que é uma pós-graduação de bacharel médico; entretanto, tem seu objeto assentado no cérebro e suas disfunções e desequilíbrios bioquímicos e divide tarefas com a emergente Neurologia. Precisam do ferramental dos exames de imagens, como a tomografia, a ressonância magnética, contrastes, liquor, e tudo mais.

    Porém, vale salientar que as três áreas das ciências ‘psi’, tratam também de forma imbricada e conexa dos traumas, crises, pressões, estresses, impactos severos de patologias como oncologia, óbitos, situações das inter relações humanas, da busca da felicidade, da escatologias das sociedade pessimistas e otimistas, das insatisfações ou inconformismos modernos e pós-modernos, dos mal-estares, da ansiedade, depressão, angustias, dos diversos transtornos e síndromes, da relação matéria-espirito, insônia e sono, do rentismo monetário, dos confrontos ateísmo e agnosticismo com o teísmo, dos atos carnais, dos terceiros sem rosto e dos nossos rostos, do estoque de tempo existencial, das taxas de atenções, da energia do dinheiro, dos transtornos de dependência das telas, das parafilias, das emoções e sentimentos entre outros.

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    Este arcabouço todo converge naturalmente para os consultórios e clínicas. O diferencial será o ‘lócus’ de cada área das Ciências P. Vamos nos limitar no exame do posicionamento do lugar da Psicanálise nessa moldura.

    O ‘lócus’ da Psicanalise

    Para entendermos de forma inequívoca o lugar (‘lócus’) da Psicanálise temos que compreender bem o seu conceito enraizado. Quando referimos ao ‘lócus’ estamos nos focando no lugar do papel que ocupa e sua repercussão no tecido social. A Psicanálise é uma teoria e método técnico de atuação na investigação dos processos psíquicos inconscientes, da vida psicoemocional singular que busca interpretar os transtornos e conflitos mentais internos e interpessoais balizados pela fala, ouvindo e associando com emprego do cognitivo, firmado pelo autoconhecimento de seus gatilhos.

    Esta certeza de ‘per si’ já firma que a Psicanálise não é um psicoterapia. Também, que inexiste uma psicoterapia psicanalítica desmembrada da psicanálise propriamente dita. A tentativa de clivagem e fragmentação da teoria e sua prática (que seria sua ‘práxis’ – ou teoria na pratica), é que levou segmentos a aceitarem a Psicanálise como uma psicoterapia compondo a galeria do ‘mix’ das psicoterapias.

    A questão de tentar enquadrar a Psicanálise como uma psicoterapia envolve, portanto uma série de complexidades. A superação das complexidades tem uma chave que precisa ser virada, através da análise do papel crucial de Freud.

    Psicanálise é uma forma de psicoterapia e o papel de Freud

    O conhecimento da história de Salomão (Sigmund) Freud 1856-1939), do início de sua biografia até o momento que criou a Psicanálise é um ponto vital e muito esclarecedor. Não basta apenas puxar e empurrar a mera visão do pai de uma nova teoria psicológica chamada de Psicanálise visando conquistar mentes e corações.

    Freud deixa claro nas entrelinhas de seu percurso cognitivo existencial como médico, desejava acessar ao inconsciente o que tentou primeiro pela hipnose e depois desistiu e criou outro método de acesso ao inconsciente, para acessar aos traumas, ao material psíquico arquivados na parte profunda da mente, aos recalques e repressões, e entender a formação reativa, as projeções, as racionalizações, o emprego das defesas, a negação, os isolamentos, os deslocamentos e regressões, as sublimações, as descargas de energias pulsionais, buscando dissolver o sofrimento.

    Este papel foi fundamental para firmar a Psicanálise como um todo único, uma nova ciência, arte, técnica e método com seus conceitos, referenciais e arcabouços. Alguns divergentes e se dizentes pesquisadores, mas teóricos, sustentam que é possível acessar o inconsciente por outros caminhos, entretanto, não ofertaram uma teoria. Muito pelo contrario, utilizaram a teoria de Freud e outras teorias da Psicologia e Psiquiatria. Alguns argumentam que a psicografia espírita é uma forma de acessar os inconscientes, mas não conseguiram estruturar uma nova teoria que viesse a substituir a Psicanalise.

    Conclusão

    Face ao todo que foi supra exposto vamos ofertar uma opção de resposta ao questionamento levantado. Temos plena cognição que a questão envolve uma série de complexidades porque os pesquisadores ainda não são convergentes com relação se a psicanálise é ou não, uma forma de psicoterapia. A fórmula que vem sendo usada tem sido a de que as Ciências Psi ou P, seriam apenas três: Psiquiatria, a Psicologia e as Psicoterapias. E sob, o guarda-chuva das Psicoterapias, a Psicanálise estaria em tese e a priori, inserida.

    Isso significa dizer que a Psicanálise seria uma forma de psicoterapia nivelada com outras formas. Porém, estudos profundos com base até na própria biografia de seu sistematizador, Sigmund Freud (1856-1939) tem revelado que a Psicanálise é uma ciência, uma arte, uma técnica e um método com vida própria, caminho solo e em linha própria e esta ao mesmo nível da Psicologia e da Psiquiatria. Respondendo então, a questão propostas, se a Psicanalise é ou não é, uma forma de psicoterapia (?) ofertamos a resposta de que o correto quando se referir as Ciências Psi ou P, significa expressar Psiquiatria, Psicologia, Psicanálise e Psicoterapias, os quatro P das ciências psicológicas além das filosofias, da sociologia, antropologia.

    A Psicanálise não é uma mera psicoterapia e não esta inserida ou subsumida na categoria ‘Psicoterapias’. A Psicanálise é um todo único, uma ciência, arte, técnica e método que tem seu objeto por excelência no inconsciente e possui o seu ferramental e instrumentos de acesso e avaliação, diagnóstico, prognóstico atuando em visão solo e linha própria.

    Singularidade

    Todo o seu saber decorre da percepção consuetudinária, ou seja, da tradição tendo uma produção focada nas singularidades. Este é seu perpétuo e eterno diferencial como um novo entrante e potencial substituto no tecido social. Nada consegue se igualar a Psicanálise.

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    Quanto à formação dos psicanalistas, em que pesem as propostas emergentes pela linha acadêmica, de se criar o bacharel e o licenciado, e as pós graduações, mestrados e doutorados e até um phD,(pós-doutorado) a sua qualidade esta no percurso consuetudinário, na tradição e legados de gerações que trilharam e forjaram produção extra academia. A Psicanálise independe da titulação acadêmica.

    Artigo escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira, formado em História e Filosofia. PG em Psicanálise. Realizando PG em Filosofia Clínica e estudos de Psicanálise Clínica e concluindo PG em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica. Contato via e-mail: [email protected]

    3 thoughts on “Psicanálise é uma forma de psicoterapia?

    1. Este enfoque (pequeno artigo) tem despertado uma crescente atenção e interesse em alguns sobre o papel da ‘academia’ versus a ‘extra academia’ (por fora da academia) e a Psicanálise, tendo em vista que foi lançado um curso EaD de bacharel em Psicanálise, pela UNINTER, com chancela do MEC, Min Educação. Neste conceituado blog tem um artigo que li, recomendo, com o título ‘Significado do Academicismo: seus prós e contras’. Excelente esse enfoque. Vamos oportunamente, dentro do devido estoque de tempo, fazer um enfoque sobre a academia e a psicanálise. Vale frisar que quando nos referimos a academia significa expressar os cursos de bacharel, licenciado, os pós graduações lato e stricto senso (mestrados e doutorados) registrados, com chancela e homologação do MEC. A ‘extra academia’ é a tradição, o chamado ensino e aprendizado consuetudinário, que vem por fora do academicismo. Sabemos que a produção literária da Psicanálise em alto volume tem sido consuetudinária e duma excelência muito forte, por fora da academia (extra academia) e muitos textos usados na academia. E muitos analistas estão divididos, alguns a favor do bacharelado e licenciatura inclusive, pela academia, e outros, contra. O tema é instigante. A Psicanálise evoluiu muito pela extra academia em que pese já existam PG (pós graduações) em Psicanálise. Outro tema que vem tendo pressão de muitos setores seria ao bacharel em Psiquiatria e não mais ser pós graduação de bacharel médico. E a redução da medicina para 5 anos. Além da abertura de tudo para o EaD, com pontos de práticas homologados. Como todos sabem, a Psicologia continua proibida no formato EaD. Nesse sentido existe a percepção de é preciso abrirem tudo para o acesso da capilaridade social que por hora são de nichos fechados e blindados por leis até inconstitucionais. E nisso entra a democracia ou seja, o tudo e o todo o mais possível para todos no tecido social sem discriminação. É a batalha forte ainda de nichos versus a capilaridade. Manter nicholado ou abrir para o todo capilar social ? Vamos examinar isso oportunamente.

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