mente e software

Mente e Software: uma analogia

Posted on Posted in Conceitos e Significados

Entenda sobre a mente e software. Segundo a teoria psicanalítica, a mente, a princípio, segundo a primeira tópica de freud, se divide em consciente, pré-consciente e inconsciente.

Em sua segunda tópica freud nos trouxe um novo mapeamento complementar que subdivide o psiquismo humano em regentes que se completam conflitando, divergindo e dialogando entre si. Estes regentes que constituem o eu psíquico são o “Isso, o Eu e o super eu (Id, Ego e Superego).

A mente e software

Dado a esta constituição psíquica, somos por natureza ambíguos e inclinados em uma busca por prazer e em contra ponto por uma zona de conforto que faça sessar estes conflitos, por assim dizer, somos tendenciosos tanto pela vida quanto pela morte. Morte esta que se constitui na paralização do desejo, para fazer sessar os conflitos inconscientes, uma vez que a vida é desconforto.

Quando nascemos, caso não recebamos todos os cuidados, nascemos morrendo, pois somos inaptos a vida, sem instinto de sobrevivência e totalmente dependentes. Nascemos apenas id desejante, uma coisa, um isso, que anseia por uma completude. Completude esta que depende de um objeto externo, que é, para este ser que não sabe de si, até então desconhecido.

A criança não sabe do desejo, sendo esta apenas um corpo do desconforto, um “isso desejante” que encontra o desejo e retorna ao desejo, pelo estimulo que recebe da mãe que lhe ampara e conforta em seu seio. A boca, onde então se concentra a libido está pronta para o prazer e encontra o prazer no estimulo do toque que recebe. O bico do seio estimula a boca que sente prazer e por isso suga o leite.

Desejo, mente e software

O leite enquanto alimento é resultado do prazer da sucção que sacia e conforta temporariamente, mas a busca pelo seio, objeto até então do desejo reivindica a mãe que é entendida como parte de sí, parte de si que ora é presente, ora é faltante. No retorno pelo prazer existe a completude pela presença daquela que atende a esta primeira demanda que é oral.

Nesta fase da vida, a vida não se constitui senão apenas como uma extensão do corpo que o acolhe, pois o bebe é inteiramente ID e percebe a mãe como parte de si mesmo, dai surge a sensação de desamparo na ausência da mãe e de completude pela presença do corpo materno. A presença do pai neste primeiro momento não é notada, solicitada ou necessitada existindo apenas a sua mãe, que basta pela completude que representa, sendo para este ser desejante uma extensão de si mesmo.

A presença do pai ou a figura paterna representada por aquele que se impõe, aquele que contribui com o corte e a posterior castração que Lacan reconheceu como sendo a lei, vai surgindo na vida do bebe aos poucos concorrendo e contribuindo para que este perceba a mãe como individuo, como alguém que se ausenta e não responde unicamente ao seu desejo, mas que atende a outras demandas concorrentes. Ao perceber a lei (figura paterna), que limita o alcance do seu desejo percebe que o seu desejo agora tem limites e fronteiras.

O superego

Neste momento começa a surgir o superego resultado da imposição daquilo que não pode, contrapondo o ID desejante. Deste conflito e por estas demandas que o ego se estabelece oprimido pelo desejo e pela lei… É um querer que tudo deseja, mas não pode tudo. Na medida em que a lei se impõe com seus limites e estes limites são inconscientizados, as experiências introjetadas, os traumas recalcados e os desejos reprimidos, o individuo começa a operar automaticamente com suas funções e disfunções.

As repetições que ocorrem independente do não querer da consciência, são sintomas que indicam o mal funcionamento deste software, segundo analogia que faço, que rege a nossa vontade. A nossa mente funciona como um software que foi programado por estímulos do meio de convivência, forjado por idealizações de terceiros e pelas interpretações que fazemos com os recursos que temos, que se atualiza a partir das experiências e pode ser revisado e reprogramado com a ajuda da psicanalise justamente porque esta contribui com o autoconhecimento.

Este software roda automaticamente no inconsciente determinando as nossas ações aquém e pra além da nossa vontade consciente, nossa vontade consciente pode-se comparar, para simplificar o entendimento, à tela do computador ou celular que opera uma função que é resultado de uma serie de operações que não são visíveis a quem se utiliza de uma ferramenta de aplicativo por exemplo.

Leia Também:  O que é Adolescência: significado em história e psicanálise

Hardware, mente e software

O mesmo se aplica ao cérebro humano (hardware) que operado por um software (a mente) que roda o seu programa de forma funcional ou disfuncional segundo as experiências da vida do individuo. Esta mente ou software se protege dos desconfortos bloqueando o acesso da consciência aos conteúdos de desprazer alienando a pessoa de si mesma, a que chamamos de mecanismos de defesa.

Estes mecanismos aparecem com muita clareza durante a análise a fim de proteger o ego (eu) das informações recalcadas guardadas no porão da mente. Até aí, tudo bem se estas informações recalcadas não interferissem no funcionamento do individuo. Tais interferências inconscientes são tão presente que poderíamos chama-las de determinantes sobrando a consciência o papel de interferir, isso quando interfere, na vontade.

Ora se o individuo age por forças inconscientes não é a sua vontade que prevalece! Não é ele quem decide, logo o barco da vida navega no piloto automático segundo decisões equivocadas de uma mente inconsciente forjada nos ambientes imperfeitos, das famílias imperfeitas com interpretações equivocadas que, se não forem ressignificadas inviabilizam e paralisam a vida.

Conclusão

Por estas razões todos nós deveríamos investir em nós mesmo, gastando tempo e dinheiro para propiciar uma revisitação aos porões da inconsciência, a fim de escapar da severidade tirânica do inconsciente, com uma boa analise, sem pressa, meta ou tempo, com a ajuda, é claro, de um bom psicanalista.

Este artigo sobre uma analogia entre mente e software foi escrito por João Luiz Ecks([email protected]). Concluindo o curso de psicanalise e graduando em pedagogia.

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



    Quero informações para me inscrever na Formação EAD em Psicanálise.

    One thought on “Mente e Software: uma analogia

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado.