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Superego em Freud: significado e exemplos

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Faremos um resumo sobre o significado de Superego em Freud. Como se forma o Superego, como ele se desenvolve? Basicamente, estaremos estudando como os valores morais da sociedade são introjetados como valores morais de um indivíduo.

O início dos estudos de Freud sobre o Ego

Lembro que o Ego começou a ser analisado por Sigmund Freud como um segmento do Id. De fato, historicamente, era exigido no dia-a-dia do homem primitivo mais instintos, representados pelo Id, do que a razão, representada pelo Ego.

Cabe informar que, no plano teórico, o Ego surgiu com base no princípio da realidade, procurando satisfazer os desejos do Id, mas de uma maneira realista, social e ética.

Isso porque o Superego representa o mundo à volta dos indivíduos, pois, afinal, como diz Ortega Y Gasset, trata-se do “indivíduo e de sua circunstância”. Esse indivíduo é representado pelo meio que o circunda, com seus problemas vitais do dia-a-dia.

O Ego, segundo Hume

David Hume (1711-1776), por outro lado, filósofo e cientista social, no seu Tratado da Natureza Humana (1738), diz que o Ego (ou razão) é e sempre será um “escravo dos instintos”, considerando que seria impossível um mundo guiado pela razão, pois, segundo ele:

A razão não nos diz quais devem ser os nossos objetivos; em vez disso, diz-nos o que devemos fazer, dado os objetivos que já temos.

Isso torna a Ego, segundo Hume, um simples “instrumento que ajuda a atingir objetivos que foram determinados por algo diferente da razão”, no caso, o Id”.

O Superego como algoz do Ego

Mas foi Sigmund Freud (1856-1939) quem fez, em minha opinião, a analogia mais apropriada sobre o papel do Ego e do Id na mente humana. Para ele, o Ego e o Id se assemelham, respectivamente, ao “cavaleiro” e ao “cavalo”.

Há uma diferença, pois o cavaleiro usa as próprias forças para controlar o cavalo, enquanto o Ego usa as forças do Id para alcançar seus propósitos.

É de se notar, porém, que Freud vai mais longe, ao ensinar que o Id não é o único a afetar o Ego. Há outro mecanismo psicanalítico que age no inconsciente e que atua igualmente como algoz do Ego, ao qual se deu o nome de Superego.

As funções morais da personalidade

O Superego corresponde, de modo geral, ao que comumente chamamos de consciência e compreende as funções morais da personalidade, as quais incluem:

  • a aprovação ou desaprovação de ações e desejos baseados na retidão;
  • a auto-observação crítica;
  • a autopunição;
  • a exigência de reparação ou arrependimento por ter agido mal;
  • o autoelogio ou a autoestima como recompensa por pensamentos e ações virtuosas ou recomendáveis.

Contudo, há quem faça questão de dividir, explicitamente, o Superego em dois componentes: o ideal do ego e a consciência.

O ideal do Ego e a consciência

O ideal do ego, então, seria aquela parte do Superego que inclui as regras e os padrões dos bons comportamentos. Trata-se daqueles que são aprovados não só pelas figuras dos pais e de outras autoridades; e que costumam nos dar prazer, proporcionam orgulho e realização.

A consciência, por sua vez, seria aquela parte do Superego em que as regras e os comportamentos são considerados ruins e nos deixam com sentimentos de culpa.

Essas regras podem ser tão fortes que, se as violarmos, vão inquietar a nossa consciência, e nos criar remorsos.

Resumindo, quando nos engajamos em ações que se ajustam ao “Ideal do Ego”, nos sentimos bem com relação a nós mesmos ou orgulhosos de nossas realizações. Quando fazemos coisas que nossa consciência consideram ruins, há probabilidade de experimentarmos sentimentos de culpa.

A criança segundo a obra “Três Ensaios sobre a Teoria da sexualidade”

Freud enfoca, na sua obra “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”, que a criança é guiada, desde que nasce, pelo Id. Ao chegar à fase edipiana, ela desiste dos seus propósitos com relação ao sexo oposto, reprimindo os seus instintos sexuais! Começa a sua formação ética e moral, moldada por esse segmento mental que Freud chamou de Superego.

Acho, entretanto, que essa parte social avançou um pouco em relação ao tempo de Freud. As relações sociais já começam na família e se completa nas relações com os amiguinhos da escola infantil ou da creche que frequenta.

A criança passa a ter noção do direito de propriedade, ao saber distinguir o lápis, a régua, a borracha, o caderno, o livrinho e os brinquedos que são seus, daqueles que são dos seus coleguinhas.


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Os efeitos do Superego na infância

Nessa infância, a ação primária do Superego também age de forma a suprimir aqueles impulsos ou desejos do Id que são considerados errados ou socialmente inaceitáveis, como o de bater numa amiguinha. Cabe à professora, nessas ocasiões, a tarefa de juíza dos conflitos, podendo ser mais uma referência futura para ela do certo e do errado.

Assim, o Superego, ao estar agindo junto ao Ego como um repressor do Id, ou dos instintos da criança, me trazem à lembrança a imagem de uma situação que pode levá-la a um sentimento de culpa no futuro.

Sem que ninguém saiba, nem ela própria, como o adquiriu, caso ainda haja resquícios de insegurança na criança, em que a vergonha possa ser um traço acentuado.

Os efeitos das repreensões paternas

Cabe, portanto, o alerta de que, enquanto nos estudos freudianos o Ego começa a se desenvolver durante os três primeiros anos de vida de uma criança, e que o Superego só passa a tomar forma em torno dos cinco anos de idade.

Hoje esse conceito pode se desenvolver mais cedo, forçado pela ausência da mãe e do pai em que ambos assumem a responsabilidade financeira do lar.

Mas, ainda que a maioria dos conteúdos do Superego sejam conscientes, e possam ser apanhados pela percepção, Freud ensina que as ações podem não ser perceptíveis, quando há uma relação harmoniosa entre o Ego e o Superego.

Conclusão: definição e formação do Superego

O papel moral do pai (dizendo o que precisa ser feito) contrasta com o papel amoroso da mãe. O pai é, por excelência, a voz que introjeta na criança os valores morais.

Veja que estamos falando de papéis sociais normalmente praticados: há famílias que podem ter outras configurações e papéis. E este papel paterno pode ser exercido por outras instituições morais, como os professores (educação), os padres e pastores (religião), a mídia, a cultura, o Estado etc.

O Superego surge em consequência da introjeção das proibições e exortações paternas na fase edipiana, dos desejos sexuais e agressivos do complexo edipiano. Tudo por causa dos numerosos acréscimos e alterações que sofre mais tarde, na infância, na adolescência e, mesmo, na idade adulta.

Resumindo, quando nos engajamos em ações que se ajustam ao “Ideal do Ego”, nos sentimos bem com relação a nós mesmos ou orgulhosos de nossas realizações. Quando fazemos coisas que nossa consciência considera ruim, há a probabilidade de experimentarmos sentimentos de culpa.

Este artigo sobre o Superego na Psicanálise foi criado por Tania Welter, de maneira exclusiva para o Curso de Formação em Psicanálise Clínica (veja nossa seção de Dúvidas Frequentes sobre o Curso).

 

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