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Teoria do Conflito: definição e exemplos

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Desde o seu remoto início, a sociedade esteve propensa a se dividir em grupos, seja por crenças ou por poder aquisitivo. Graças a isso, a lacuna criada entre uma parte dominante e outra trabalhadora gera conflitos de natureza socioeconômica. Conheça a teoria do conflito desenvolvida por Karl Marx, absorvendo sua definição e entendendo alguns exemplos.

O que é a teoria do conflito?

A teoria do conflito defende que a divisão da sociedade em classe burguesa e operária gera conflitos devido às suas naturezas. Proposta por Karl Marx, o trabalho afirma que sempre haverá cissões se houver permanência desse sistema na sociedade. Assim , levando isso em consideração, podemos avaliar a afirmação como verdadeira, já que o capitalismo se enraizou em grande parte da sociedade ocidental.

Para Marx, o conflito é resultado direto da divisão social pelo poder e riqueza.

Os burgueses têm em suas mãos o controle de fabricação e produção das entidades legais e políticas. Dessa forma, o resultado direto seria a exploração da classe trabalhadora. Contudo, esta última ficaria sempre a mercê das vontades e imposições da classe dominante.

Pelo olho de Karl Marx

Karl Marx possuía uma visão bem questionadora da realidade em que vivíamos. Neste caso, segundo ele, a classe alta tinha acesso aos recursos que precisava para produzir graças ao dinheiro que possuía. Contudo, por outro lado, a classe operária não estava preparada financeiramente para ter os mesmos recursos que sua contraparte.

Como resultado, precisariam oferecer trabalho físico para alcançar tudo o que precisavam, convergindo com os interesses da burguesia. A partir daí a classe operária se torna dependente direta do dinheiro da elite. Dessa forma, para sobreviver, precisa trabalhar continuadamente para garantir seu sustento. Caso se recuse, certamente passará por dificuldades.

Ainda que algumas pessoas não apoiem completamente a teoria, outros defendem uma premissa fundamental dela. A teoria do conflito propõe que as duas classes vivam em equilíbrio para evitar a criminalidade.

Assim, para isso, a classe dominante criaria leis novas. Dessa forma, essas leis serviriam para manter o bem-estar geral e manter o controle na classe operária.

Quatro etapas de conflito

Karl Marx observou um padrão persistente desse conflito em diferentes momentos. Independente da sua natureza, isso corrobora que possuímos uma tendência natural para criar esse conflito entre diferentes nichos econômicos sociais. Assim, para entender melhor a teoria do conflito, veja essas quatro etapas:

Comunismo primitivo

Sendo a única exceção à regra, o comunismo primitivo mostrava uma maior equidade entre os membros. Nesta era, a maioria das sociedades possuíam níveis básicos quanto ao desenvolvimento. Em suma, a terra era de todos e não existia escravidão. Tudo o que era produzido através do trabalho servia para suprir vontades imediatas do coletivo.

Sociedade antiga

Esse período vai desde a criação da escrita até a queda do Império Romano. Note que essa era é marcada pela criação de produtos artesanais, além da agricultura e comércio. Este modelo lembra um escopo do que viria a seguir, bem mais bruto, demorado e simples na sua natureza.

Sociedade feudal

A sociedade feudal era fortemente marcada pela hierarquização e um lado estamental. Dificilmente alguém conseguia mudar sua posição, isto é, subir para um nível superior. Além disso, podemos observar que havia uma posição definida de acordo com a família em que a pessoa nasce. Quanto mais posses você e sua família possuíam, mais elevado era o seu nível.

Sociedade capitalista moderna

Configura-se no modo de vida que temos hoje em grande parte da sociedade ocidental. Mais do que nunca, o sistema capitalista controla tudo e, por que não, a todos nós. A desigualdade e dependência econômica que esse modelo produz é reflexo direto da disparidade entre classes. O modelo é fortemente defendido por uma gigantesca massa de pessoas pertencentes à classe alta.

Princípios

Para elaborar a teoria do conflito, foram analisados o direcionamento dos conflitos, as estratégias e até as alianças feitas. Portanto, essas características podem ser vistas mais como descritivas e menos dedutivas. Contudo, independente disso, são de extrema importância para estudar o fenômeno. São elas:

Incompatibilidade

Os interesses de grupos diferentes é a razão aos conflitos intergrupais. Assim sendo, a incompatibilidade e divergência são os seus catalisadores, acirrando uma disputa pelo bem estar de cada classe. Seu esforço e medidas corresponderia diretamente à força do seu poder aquisitivo.

Solidariedade entre minorias

Uma tendência comum e bastante observável hoje até é a união de indivíduos oprimidos contra um mesmo opressor. Assim, a ideia de uma ameaça vinda de um grupo em direção ao outro faz com que os ameaçados se solidarizem entre eles. Essa união serviria para trabalhar contra a força opressora. Isso porque suas forças unidas resultariam em uma ação mais forte.

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Ameaça

Uma ameaça de verdade causa revolta. É como se o próprio movimento agressor servisse de imã e puxasse eventuais hostilidades no seu caminho. Um grupo identifica atitudes do lado oposto que o desagradam e se mobiliza de forma imediata contra ele. Dessa forma, como mencionamos mais acima, isso causa comoção e solidariedade.

Exemplos

Um dos melhores exemplos para visualizar é a greve dos caminhoneiros, ocorrida entre o período de 21 a 30 de maio de 2018. Os caminhoneiros de todo o país paralisaram suas atividades, em decorrência do descontentamento com os empresários e o governo. Assim, como consequência, a cissão entre grupos resultou numa decadência de todas as operações no país.

Especialistas apontam como uma das causas a acomodação da classe política na cultura de evitar problemas. Apenas quando a situação fugiu do seu controle, tomaram a iniciativa de usar os recursos presidenciais existentes. A ação retardatária resultou em um tormento para todas as classes sociais que perceberam o quanto são dependentes desta outra.



Um movimento interessante que observamos aqui é que o protesto não foi aderido voluntariamente por todos, mas recebeu apoio ainda assim. Muitos indivíduos comuns alegaram que não queriam passar pelo momento, mas precisavam apoiar os caminhoneiros como podiam. Como visto acima, as minorias se juntam para lidar com o ente opressor.

Comentários finais

A teoria do conflito aborda uma questão importante dentro da sociedade. Assim, ela esquematiza como cada indivíduo reage diante de um sistema que enaltece certas posições sociais. Isso evidencia uma óbvia desvantagem de uns em relação aos outros. Dessa forma, fomentando um conflito natural e que continua perdurando com o passar do tempo.

Podemos notar que a hostilidade é um movimento comum a essa teoria. Isso é uma resposta imediata à opressão que a classe dominada sofre em relação aos caprichos da categoria dominante. Mesmo em uma sociedade moderna como a nossa, o padrão continuará a se repetir. Dado o caminho em que nos encontramos, tende a se perpetuar.

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