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Tipos de ansiedade: neurótica, real e moralista

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Para a psicanálise, existem três tipos de ansiedade: a ansiedade neurótica, a ansiedade real e a ansiedade moralista. Qual exemplo e significado de ansiedade neurótica? O que esses tipos de ansiedade têm em comum e o que têm de diferenças?

A Psicanálise se contrapõe à Sugestão

No decorrer da história médica de Freud, dois pontos são mantidos: a sexualidade infantil e o inconsciente. Além disso, também é mantida a livre associação, já que está técnica quebra as barreiras e resistências do paciente.

No tocante à psicanálise freudiana, a resistência tem como propulsor a transferência, que é ambígua. Através deste fenômeno há a construção e interpretação. Assim a psicanálise se contrapõe à sugestão.

A entrevista preliminar através da fala livre

Para a psicanálise, a entrevista é um importante fator, tendo o condão de direcionar a transferência ao psicanalista. É a partir da finalização da totalidade das entrevistas preliminares que o psicanalista marca a entrada no discurso analítico.

Nestas entrevistas o paciente fala livremente através da associação, dando dignificação às linhas que guiarão sua análise, é neste momento crucial que o analista irá decidir se irá receber o paciente ou não. Estas entrevistas marcam a configuração do sintoma analítico, estabelecendo o significante.

Assim, as entrevistas preliminares cumprem as seguintes funções:

  • instaurar a transferência num nível simbólico;
  • implicar o sujeito no sintoma, para que se configure um sintoma analítico;
  • corrigir a demanda, transformando a demanda de amor ou de cura em demanda de análise;
  • colocar o sujeito a questionar-se sobre seu sintoma.

Classificação dos atos falhos

Freud elabora o conceito de ato falho, que consiste em um algo que fora sem querer, mas que também fora inconscientemente querendo. Em sua teoria, pode dividir este ato em 3 tipos, a seguir:

  1. Atos falhos na linguagem (falar, escrever ou pensar palavras “indesejadas”);
  2. Atos falhos de esquecimento (esquecer algo aparentemente “sem querer”);
  3. Atos falhos de comportamento (tropeçar, cair, boicotar algo ou se autoboicotar).

Apesar das diferenças entre os três tipos de atos falhos, eles possuem uma unidade na linguagem.

As tópicas freudianas

Fala-se corretamente de duas tópicas freudianas, sendo a primeira aquela em que a distinção principal é feita entre inconsciente (Ics), pré-consciente (Pc) e consciente (Cs); e a segunda a que distingue três instâncias: o id, o ego e superego.

Para que um ato psíquico seja consciente, é necessário que percorram todos os níveis do sistema psíquico; já o sistema inconsciente é regido por processo primário, também o pré-consciente.

Em contraponto ao Cs, o Ics é aquilo que “não é sabido”, devendo-se levar em conta, no processo analítico, que psíquico o que chega a ser consciente provém do inconsciente.

Mecanismo a serem considerados no Inconsciente

  • deslocamento: um fato ou lembrança é visto fora de seu lugar, de forma muitas vezes ilusória;
  • condensação: duas lembranças são unidas para criar um fato novo, muitas vezes irreal;
  • projeção: idealizar uma memória ou uma percepção de forma muito distante do vivido;
  • identificação: julgar que uma memória tem relação com um fato ou interpretação.

No inconsciente a cronologia não existe, e tampouco no sonho.

O processo primário consciente

Em termos didáticos, estabelece-se uma cisão firme entre Pcs e Ics, funcionando ambos de acordo com o processo secundário. O processo primário, em termos gerais, nasce desde os primeiros momentos da vida, quando o sistema Ics compreende praticamente a totalidade do aparelho psíquico.

Relacionado ao processo primário do inconsciente devemos listar as seguintes características:

  • Ausência de cronologia;
  • Ausência de conceito de contradição;
  • Linguagem simbólica;
  • Igualdade entre realidade interna e externa;
  • Predomínio do princípio do prazer.

Para conseguir a correspondência que falta a Teoria Topográfica, Freud cria a Teoria Estrutural, que consiste em subdividir a mente em três grupos de funções, denominada o Id, o Ego e o Superego.

Os 3 Tipos de Neuroses

O Id está integrado pela totalidade dos impulsos instintivos. Tem conexão íntima com o biológico,. É o responsável pelo processo primário, diante da manifestação do desejo, forma, no plano do imaginário, objeto que permitirá sua satisfação, sendo uma instância estruturalmente inconsciente.

Para Freud, o Ego é uma parte do id modificado pelo impacto ou interação das pulsões internas e dos estímulos externos.

Cabe ao Ego organizar uma síntese atual tornando o indivíduo único e permitindo-lhe uma adaptação ativa ao mundo presente, pela detecção dos perigos reais e psicológicos que ameacem a integridade do indivíduo. Esses perigos podem ser classificados em:

  • ansiedade real
  • ansiedade neurótica e
  • ansiedade moral.

Freud diz que O Superego só se forma na mente sadia, pois está integrado ao Id e ao Ego e é o controlador de ambos. De forma genérica podemos definir esta subdivisão tópica, como sendo a “voz da consciência”.

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Prevenindo contra um perigo iminente, a ansiedade atua de 3 formas distintas e se apresenta em condições de luta ou de fuga:

  • Ansiedade real – consiste em medos reais do mundo exterior;
  • Ansiedade neurótica – basicamente o medo de que os instintos escapem ao controle;
  • Ansiedade moralista – como nome sugere, é o medo do Superego em ferir seu próprio código moral.

Considerações finais

Pode acontecer que a ansiedade se torne em ansiedade livremente flutuante. Isso ocorre quando os sentimentos ansiosos, que emanam de um conflito específico, se expandem para uma série de situações aparentemente neutras.

Assim, o indivíduo não consegue explicar qualquer ligação entre os sentimentos ansiosos e quaisquer outras situações específicas.

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Autor: Leonardo Araújo, exclusivo para o nosso blog Psicanálise Clínica.

 

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