Toxicomania: definição dentro da Psicanálise

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Uma das maiores características da humanidade é a sua constante curiosidade na busca por algo. Seja pela mera apresentação ou indução pelos problemas, muitos recorrem às drogas como uma forma de fuga. Entenda mais sobre o processo de toxicomania de acordo com os princípios clínicos da psicanálise.

O que é toxicomania?

Falando de forma simplificada, toxicomania se caracteriza como um abuso de drogas, bem como a sua repetição. Vale ressaltar que não há uma necessidade efetiva no uso desses entorpecentes, bem como indicação terapêutica que os libere. Dessa forma, os usuários encontram as drogas de maneira voluntária.

A toxicomania funciona como um carro de montanha-russa antes de uma grande descida. Assim sendo, o vício começa com o impulso no consumo. Contudo, com o tempo, o indivíduo aumenta as doses, bem como a sua frequência, causando uma dependência física e psíquica avassaladora. Por fim, o indivíduo e aqueles que o amam arcam com as consequências desses hábito.

Note que há uma ligação abusiva entre o sujeito e o objeto do vício. Para visualizar melhor, enxergue isso como um relacionamento qualquer onde uma das partes é mais agressiva que a outra. Há um medo em se abandonar a relação porque teme não conseguir recomeçar. Com o dependente funciona de modo semelhante. No entanto, ele é o refém do ente dominante, no caso, as drogas.

O que leva um indivíduo ao vício?

Vale trazer à pauta que o acesso às drogas é livre para qualquer pessoa. Contudo, o que determina que uma pessoa se torne um usuário ou não é o modo como cada sujeito enxerga esse objeto. Ainda assim, muitas pessoas visualizam esse caminho como uma fórmula amortecedora à realidade em que vivem.

Comumente, as pessoas são levadas por conta de suas:

Dúvidas

Até que encontremos nosso lugar, somos carregamos por uma insegurança em achar nosso lugar. Isso, para alguns, inclui experimentar substâncias como prova de se firmar em um grupo. Assim, muitos acreditam que as dúvidas que carregam podem ser solucionadas com uma visão longínqua, fornecida pelos entorpecentes.

Ansiedades

A ansiedade é uma sensação de puro sufocamento. Muitas pessoas cedem aos seus efeitos, ainda que esses se localizem na mente. Dessa forma, as drogas proporcionam leveza e a calmaria que essas pessoas tanto precisam.

Insatisfações

Talvez este seja um dos maiores motivos ao consumo crescente dos entorpecentes. Algumas pessoas mais vulneráveis psicologicamente demonstram uma incapacidade de lidar com objeções. Algo que está fora de seu planejamento acaba por maltratá-la constantemente por fazer oposição. Assim, como forma de tirar seu foco disso, as drogas atraem sua atenção como forma de expulsar a infelicidade.

Sensação de fracasso

Empenhando o máximo de si em um projeto e fracassando, um indivíduo sente uma vergonha latejante pelo insucesso. No entanto, não é algo que ele possa escapar de imediato e assim como a ansiedade, é sufocante. Os entorpecentes mobilizam sua consciência a um estado latente ao mundo externo. Ainda que sinta sua perda, esta não o afeta como antes, pelo menos naquele momento.

O Hoje

A cada década, observa-se um movimento crescente que a caracteriza e a marca em nosso imaginário. Nesse mundo de interconectividade, é marcante observar o quanto ainda existe uma sensação de solidão. Mesmo rodeados por milhares de pessoas, os indivíduos podem se sentir solitários e poucos ligados uns aos outros. Uma forma de amplificar esse alcance é por meio das drogas.

Entregar-se à toxicomania é uma forma dos sujeitos se salvarem do mundo contemporâneo em que vivem. Não o bastante, também é uma forma de preencherem o vazio que carregam. A dor do nada, ainda que impalpável, pesa como uma pedra em nosso interior. Não somos treinados para suportá-la e, por essa razão, alguns escolhem caminhos perigosos para fugir.

É interessante observar como as drogas são vistas pelos usuários. Por absurdo que pareça, o objeto em si não tem força alguma ao sujeito, mas, sim, o que ele significa. É uma chave para libertação, uma chance de se eximir de seu posto no mundo real. Assim, independente da sua origem ou finalidade, o objeto, a droga, representa um símbolo de alteridade.

“Ofereça veneno”

Seja a bebida, cigarro ou drogas mais pesadas, sempre encontramos ou vivemos histórias de pessoas que conviveram com dependentes. Nesse contexto, um aspecto em comum que se nota é a resistência deste em largar do vício. Não o bastante, os indivíduos mais próximos enxergam isso como uma tentativa de morte.


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Imagine a situação onde você oferece veneno a esse viciado. Certamente, ele recusará, correto? Isso porque, conscientemente, ele não quer morrer. Acontece que, mesmo sabendo dos males desse vício, o uso das drogas é algo que o mantém vivo. Contudo, livrar-se desse vício significa perder a única razão para estar vivo.

Consequências

Naturalmente, a toxicomania é um transtorno grave na vida de qualquer pessoa. Aos poucos, envenena sua capacidade de produzir e se relacionar com outras pessoas. Seu mundo se reduz ao vício e unicamente a ele. Assim, o prazer culpado se torna o seu dono e regente.

Veja algumas das consequências mais básicas ocasionadas pelo vício. Naturalmente, a toxicomania tem um efeito progressivo e cumulativo, resultando em danos maiores com o tempo:

Lado físico

As drogas ocupam um lugar pertencente a uma aparência saudável. Em proporção ao uso prolongado, o corpo se definha e o indivíduo mostra sinais claros de que está em dependência. De forma simplista até, se torna um cadáver vivo.

Lado emocional

Os seus pensamentos também se tornam viciados nas substâncias. Toda a sua concentração e energia procuram de forma insaciável as substâncias. Sintomas como ansiedade, irritabilidade e agressividade levam sua consciência de um extremo ao outro.



Sociabilidade

Suas relações afetivas acabam perdendo o interesse em relação às drogas. A não ser que alguém se junte à mesma jornada, na cabeça do indivíduo, não há o porquê de se manter perto de outras pessoas. Assim, a menos que elas movimentem a mesma sensação dada pelas drogas, algo que não acontecerá, mantém-se a sociabilidade.

Lado econômico

O vício se alimenta de tudo, inclusive do dinheiro. A sensação que proporciona cobra um preço caro para ser mantida. Muitas pessoas se desfazem do que possui e chegam ao extremo de furtar objetos de terceiros para manterem o vício.

A toxicomania expõe um lado do ser humano que busca se saciar de forma descontrolada. Contudo, essa entrega total carrega uma cobrança muito alta. Os indivíduos se tornam prisioneiros dos próprios caprichos distorcidos e potencializados. Assim sendo, o próprio movimento de se nutrir é o que acaba por decliná-lo.

Seja o usuário ou alguém próximo, é preciso empenho para mostrar o quanto isso é danoso. Mostre o balanço de quanto a vida está declinando e quantas portas estão se destruindo. Não será uma tarefa fácil, contudo é justamente esse trabalho de retorno que selará as bases necessárias à cura. Apoio é crucial nesse momento.

Uma das formas de estruturar a mente de um dependente químico é se especializar em transtornos mentais para ajudar. Uma excelente dica é o curso de psicanálise que ofertamos totalmente online. Graças a ele, você é imergido nas técnicas e fundamentos responsáveis pelo apoio da construção de um indivíduo.

Durante as aulas online, os professores se encarregarão de projetá-lo em dinâmicas funcionais que darão segurança a qualquer situação. Assim, você se torna um psicanalista com uma visão humanizada de problemas como a toxicomania, se envolvendo o suficiente para trazer o paciente a um plano saudável. Entre em contato e comece já as suas aulas.

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