A Noiva Cadáver: interpretação de um psicanalista sobre o filme

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A atmosfera lúdica e infantil de A noiva cadáver proporciona a abertura de reflexões a respeito do amor. A animação é recheada de elementos que explicam a interação e a mudança de um indivíduo quando se apaixona. O artigo a seguir detalha mais esse e outros pontos. Assim, não deixe de conferir para verificar como esses aspectos são transmitidos por meio de um filme infantil!

Enredo

A noiva cadáver conta a história de Victor Van Dort, filho de comerciantes com fortuna em ascensão. A família do rapaz arranjou um casamento com Victoria Everglot, de família aristocrata falida. O casamento consolidado é vital para ambas, pois dará prestígio a uma e restaurará a glória da outra. Entretanto, nenhum dos noivos quer consumar o ato.

No meio de um ensaio, Victor acaba errando seus votos e sai em disparada à floresta para ficar sozinho. Repetindo continuamente suas falas, chega o momento em que acerta, colocando uma aliança em um aparente galho. Contudo, o graveto era a mão esquelética da falecida Emily, convencida de que se casaria de novo. Ela leva o rapaz ao mundo dos mortos.

Gradativamente, tanto Victor quanto Victoria ressignificam a sua visão do amor. O que antes era um negócio, acaba se tornando uma relação amorosa genuína e mútua. Ademais, Emily encontra a paz que precisava pelos caminhos certos. Tanto eles, quanto os demais personagens dão uma nova visão ao que acreditavam anteriormente.

Interpretação

A noiva cadáver trabalha o medo de aceitar mudanças maiores que nossa natureza primitiva. A figura do amor aqui é trabalhada como um objeto avassalador, maior que qualquer coisa. A entrega para ele deve ser feita de forma voluntária e natural, de modo a não sofrer com seu peso. Não é o que acontece aqui.

Victor e Victoria possuem concepções pessoais do que isto representa e não se sentem confortáveis com o casamento arranjado. A angústia faz com que ela imagine a rejeição do noivo e ele por não se ligar a ela. A individuação aqui se encontra ameaçada em ambos os casos. O amor precisa ser buscado como forma de nos fazer encontrar a autonomia.

As experiências que ambos passam no decorrer do filme acabam por desabrochar a situação. Victor amadurece a sua postura ao entrar em contato com a falecida Emily. Esta, por sua vez, fica em paz ao descobrir seu assassino e o verdadeiro significado do amor. Já Victoria entende seus sentimentos pelo rapaz e aceita a união.

Triste Van Dort

Em A noiva cadáver, o comportamento de Victor remete diretamente à forma como ele enxerga Victoria. Segundo a Psicanálise de Jung, a mulher recebe o nome de Anima, representando o componente feminino ao homem. Quando o mesmo mantém uma relação negativa com este, acaba deturpando sua perspectiva de vida. Neste caso:

Torna-o pessimista

Victor condensa bem o que a relação pouco trabalhada com sua parte feminina pode fazer. O mesmo acaba gerando uma perspectiva ruim em relação à vida, sendo o maior dos pessimistas. Isso condiz com a sua voz, hesitação física e mental e insegurança pessoal. De forma quase que irônica, o mesmo se mostra adequado ao ambiente fúnebre da morte.

Impotente

Podemos notar que sua figura não consegue resistir aos eventos onde se envolve. A incompreensão o faz ser guiado por forças externas, humanas, sobrepujando sua vontade. Isso acontece até que ele entenda realmente o que quer e o que procura para si. Assim, toma a frente para fazer suas próprias decisões.

Apático

Victor se demonstra tão morto quanto os personagens falecidos do outro mundo. Seu não-intendimento da conexão com sua representação feminina do amor o faz se tornar neutro a ela. Assim sendo, isso se reflete em sua aparência, comportamento e até mesmo em seus sentimentos. Assim que entende suas emoções, o mesmo volta à vida, literalmente.

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Anima X Animus

Quando olhamos para A noiva cadáver, conseguimos captar a existência de dois objetos distintos no homem e na mulher. Estes são anima e animus, representações das figuras femininas e masculinas no homem e na mulher, respectivamente. Basicamente, se mostram nas seguintes identidades:

Anima

Anima representa a ligação do homem com a mulher e, consequentemente, com a vida. É a forma como a figura feminina está representada mentalmente, dando a esse a perspectiva de um relacionamento com ela.

Contudo, Victor nutre o aspecto negativo desta e isso se reflete em seu comportamento. O mesmo carrega uma aparência triste, opressiva e uma postura apática. Caso não seja bem desenvolvido, essa representação acaba se unindo com a figura da morte. No caso, a depressão.

Animus

Este é fomentado pela Victoria, que, assim como o noivo, nutre aspectos negativos em relação a isso. Dessa forma, acaba alimentando reflexões destrutivas em relação a este ente. Por exemplo, a mesma acreditava que não receberia a devida atenção do noivo que mal conhecia.


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A figura feminina da morte

Em A noiva cadáver, um dos elementos que mais fascinaram o público foi a personagem Emily. A noiva morta tinha um desejo irremediável de ter o amor e saboreá-lo em sua plenitude. Mesmo que sem querer, a mulher acaba por sufocar o livre-arbítrio de Victor. Contudo, não seria esta a visão que ele teria do casamento?

Emily representa o medo mórbido que a paixão causa em algumas pessoas. O amor é uma figura transcendente que acaba engolindo os indivíduos e acobertando a vontade do Ego. A força de Emily ao amor representa a força deste em nos afogar, caso não seja bem conduzido. Por isso, o rapaz o teme tanto de início.

A relação que este mantém com Emily acaba maturando a sua visão infantil do amor. Seus receios, medos e aflições são bem explicados e conduzidos, de forma a amadurecê-lo. Após a experiência no submundo, o rapaz está mais centrado no que ele sente e no que a própria Victoria guarda. Com isso, pode conectar as duas partes de um todo.

Considerações finais sobre A noiva cadáver

Por incrível que pareça, A noiva cadáver é uma viagem completa à relação amorosa que cultivamos em vida. A animação proporciona reflexões profundas do que seria o amor e onde o mesmo se desenvolveria. Nisto se envolve a idealização, medo, dúvidas e a certeza do que carregamos.

Cabe ressaltar o poder negativo que a imposição traz quando se fala em relacionamentos. Ninguém é obrigado a corresponder a expectativa que o outro criou em cima dele. Suas escolhas devem ser pautadas em decisões pessoais e honestas consigo. Com isso, terá o primeiro impulso para viver em plenitude.

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