acolhimento do paciente

Acolhimento do paciente em Tempos de Crises

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Você já ouviu falar em acolhimento do paciente? É possível uma nova visão sobre a realidade enfrentada pela pandemia da COVID – 19 no Brasil?

Nesse artigo o autor Raimundo Lima, investiga as possibilidades de enxergar nos consultório de psicanálise clínica e o acolhimento do paciente em psicanálise (e nas outras abordagens) que acolhem as queixas humanas, inúmeras variáveis, tanto nas atitudes subjetivas comportamentais, quanto nas ações motoras.

Entendendo o acolhimento do paciente

Este fato demonstra uma enorme fragilidade nas relações sociais, como também, a perda da capacidade de receber e dar afeto. Tudo isso, abre grande ferida que atinge o corpo e alma em todos os sentidos.

O ser e o ter vem sofrendo quebra de valores; como também, as manifestações políticas e religiosas estão exercendo no inconsciente coletivo uma ‘bipolaridade esquizoide e fragmentada’.

Estamos todos loucos? – Não! – Existe, todavia, uma grande maioria da população em sofrimento biopsicossocial, atingindo uma média de quase 90% da população. Esses dados são frutos de uma pesquisa preliminar realizada em quatro bairros de Fortaleza Ceará, e em uma comunidade do interior de Russas – CE. Confirmando o mesmo percentual nas duas amostras.

O acolhimento do paciente, reflexão ética e moral

Somos o que representamos no dia-a-dia, onde as mídias eletrônicas têm escancarado à falta de pudor e a pouca preocupação com os reais valores que sustentam a reflexão ética e a moral em tempos de crises.

Muitos acham que podem vomitar o que lhes convém com palavras agressivas e ameaças danosas, sem antes se colocar no lugar do outro. Freud dizia em conversas informais, que: aquilo que “EU” repudio no outro, não pertence ao outro, mas, sim, a mim com as minhas feridas abertas.

Quem é o outro? Quem sou eu? A percepção no acolhimento do paciente

O perfil de neuróticos cumprindo na tradicional análise Freudiana (na atual realidade) está apresentando um paciente bastante fragmentado com sintomas psicológicos e orgânicos cada vez mais complexos. Isso, devido às crises recorrentes deixadas pela pandemia de covid-19 que têm contribuído também para a perda da identidade e da liberdade de ir e vir.

Se eu me encontro adoecido de corpo e alma, ou com o psicossocial em sofrimento desorganizado, como eu vou aceitar e respeitar o outro? E, o mais complexo ainda: é aqui que se instala o adoecimento corpo da alma.

Por isso, faço questão de me deter na anamnese (realizada no primeiro encontro com o sujeito da dor). Primeiro acolho a queixa ou as múltiplas queixas, porém, não deixo de verificar o histórico mental dos avós e pais maternos e paternos. Como também, há quanto tempo vem se manifestando a ‘grande falta’, ou seja, quando se instalou o trauma ou a crise?

O profissional de Psicanálise

Embora, deixo bem claro ao meu paciente ou cliente, que a vida é feita de desafios, de sombra e de luz, com diria Jung: a dor se faz nas sombras, mas, o excesso de luz também confunde a visão.

Por isso, a importância de conceber o significado da palavra equilíbrio. O profissional de psicanálise ou psicologia, ao acolher o paciente ou cliente em tempos de crises: precisa imensamente adequar a sua técnica de intervenção com a realidade do mesmo.

É preciso acolher com amorosidade o teor de cada fala, mas não esquecer as releituras psicomotoras representadas pelo gestual do corpo que jamais mente.

O acolhimento do paciente e a Pandemia

Segundo, Jean-Yves Leloup, em sua obra “O Corpo e seus Símbolos” (2014), quando este descreve que a voz pode mascarar a mentira, mas, o corpo não.

Confirmei essa evidência durante a Pandemia em 2019 a 2022. Atribuo à recorrência de falas distorcida: ao fato das sobrecargas emocionais frente à complexidade que uma pandemia produz a longo prazo; juntamente com um turbilhão de informações desencontradas (como as “fake News”).

Isso só vem clarear que, educação de qualidade é tudo de bom, para formar uma nação consciente dos seus direitos e deveres.

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    Acolher as demandas psicológicas e comportamentais de alguém em tempos de crises: requer uma vasta experiência para detectar as variáveis da energia psíquica; do mesmo jeito, quando ocorre o contrário reforçando uma agitação psicomotora além do padrão esperado.

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    Pois, quando ocorrem essas duas manifestações é sinal que está havendo uma tendência à bipolaridade, seja ela, na ordem da psiquiatria ou emocional.

    É nessa hora que uma boa anamnese ajuda na elaboração de um plano terapêutico sustentável.

    Determinando:

    • quantidade de sessões por semana;
    • se preciso encaminhá-lo para outras especialidades;
    • acordar com o mesmo, o tipo procedimento a ser aplicado nas primeiras sessões (caso o paciente ou cliente precise falar compulsivamente; é muito importante saber ouvir escutando de fato);
    • incentivar para que o paciente possa realizar uma atividade física, com intuito de reativar a produção de adrenalina, serotonina, e endorfina, etc. Esse procedimento tem ajudado muita gente a sair das crises recorrentes.

    Conclusão

    No meu doutorado em Psicologia Social, que teve como eixo epistêmico: o corpo e arte nas dinâmicas grupais; constatei que as atividades físicas realizadas três vezes por semana (com uma atividade prazerosa) têm contribuído acima de 70%; quando a psicoterapia tenta realinhar um plano integral para o ser humano em sofrimento mental. Principalmente, quando essa atividade se preocupa em aplicar devidamente uma boa técnica de respiração.

    O profissional cuidador da alma, jamais deve esquecer que, não existe corpo sem alma, e sim, alma em sintonia psíquica com o orgânico construindo pontes e intercâmbios ‘positivos ou negativos’ na existência do dia a dia.

    Conclusão: o acolhimento do paciente em tempos de crises; só precisa perceber quem é o outro e quais as suas reais necessidades. Pois, o ser advindo da gênese criacionista, ou da filogenética antropológica darwiniana será sempre o mesmo sujeito em busca do objeto de desejo… Em síntese: “só o amor cria a alma”.

    O presente artigo foi escrito por Raimundo Nonato Lima é Pedagogo ([email protected]), Psicopedagogo, Psicólogo, Psicanalista, Arteterapeuta, Doutor em Psicologia Social e Pós-Doutorado em Linguagens e Representação (pela Universidad Kennedy de Buenos Aires).

    One thought on “Acolhimento do paciente em Tempos de Crises

    1. Excelente artigo, são profissionais com o pensamento do Dr. Lima que salvam vidas.

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