acompanhamento terapêutico

Acompanhamento Terapêutico e Psicanálise

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O artigo aborda o Acompanhamento Terapêutico em saúde mental, podendo ser relacionado também com o acompanhamento em saúde de uma forma geral. O autor Bruno Martins refletirá sobre este tipo de acompanhamento e a Psicanálise.

O que é acompanhamento terapêutico?

O acompanhamento terapêutico surge como uma proposta trazida em relação a reforma psiquiátrica, pensando no ser humano além dos muros das instituições psiquiátricas que a algumas décadas eram chamadas de manicômio.

Como um dispositivo da clínica traz uma oportunidade prática de acompanhar o sujeito em meio a sociedade dentro de suas possibilidades e sua estrutura psíquica, promovendo saúde mental e também a proposta de socialização.

Onde acontece o acompanhamento terapêutico?

Os encontros acontecem para além do consultório tradicional ou muros das instituições, eles ocorrem normalmente em meio as ruas das cidades em espaços públicos, como shoppings, cinemas, livrarias, restaurantes, bares, hospitais, escolas, normalmente são ocupados por diversas pessoas, este acompanhamento pode acontecer dentro da casa do acompanhado inclusive no seu quarto, por exemplo idosos que não conseguem se locomover ou pessoas que tem agorafobia e não conseguem sair de dentro de casa.

Este lugar é um ponto diferencial deste dispositivo clínico, pois acontece em meio ao movimento das ruas da cidade, trazendo a oportunidade de o ser humano fortalecer os seus laços sociais, se sentir como parte de algo e não apenas como um excluído da sociedade.

O setting analítico em relação ao acompanhamento terapêutico pode ser chamada de setting ambulante, porque pode acontecer em diferentes locais e em diferentes situações, acompanhante e acompanhado perambulam pelas ruas da cidade, passando por situações adversas e que não se sabe muito bem o que vai acontecer, as ruas da cidade são vivas, ali se tem muito movimento e intensidade, muita vida e também regras próprias.

Com quem o acompanhamento terapêutico pode ser realizado?

Na atualidade o acompanhamento terapêutico pode ser realizado com pessoas com dependência química, idosos, crianças e/ou adolescentes que estão em abrigos ou internados em hospitais, no ambiente escolar, pessoas com agorafobia, fobia social, fobias de animais ou objetos, com os autistas ou pessoas que tem uma estrutura neurótica ou psicótica como a esquizofrenia ou paranoia.

Em relação a idade pode se pensar desde crianças, adultos e idosos sendo acompanhados. Se por um lado se inicia o acompanhamento com psicóticos antigamente, na atualidade como citado logo acima o trabalho se amplia por diversas demandas e abrangendo um número maior de pessoas em meio a está chamada clínica ampliada.

A psicanálise e o AT

No acompanhamento terapêutico pode ser realizado por diversos profissionais como psicanalistas, psicólogos, enfermeiros, professores, terapeutas ocupacionais, mas neste ensaio se optou pelo entendimento a luz da psicanálise. Sendo possível diversas abordagens, inclusive a psicanálise.

Quando este método é o escolhido para se trabalhar com o acompanhado, se coloca o entendimento de caso pelo viés psicanalítico, deve se propor a manter a ética psicanalítica em toda a sua amplitude, que respeita acima de tudo a escuta do sujeito e vai além do consciente, busca compreender questões inconscientes, que acontece com a investigação dos processos mentais buscando alternativas de tratamento.

Um outro fator interessante e necessário para os profissionais que seguem esta vertente psicanalítica é o tripé psicanalítico: a supervisão, análise pessoal e um estudo aprofundado da teoria psicanalítica, respeitando a ética psicanalítica afim deste modo ter subsídios para a prática do acompanhamento terapêutico.

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A compreensão a cerca do acompanhado

A busca de se trabalhar interdisciplinarmente pode ser uma alternativa para quem vier a trabalhar com a psicanálise, pois trabalhar com diferentes profissionais amplia a compreensão a cerca do acompanhado e possibilita uma intervenção muito mais ampliada. A psicanálise sempre faz uma boa interlocução com outras áreas como a medicina, filosofia, literatura, artes, sociologia, história.

Quando se fala em psicanálise se lembra logo do grande Sigmund Freud que andava pelos jardins e praças de Viena estendendo as suas sessões de análise ou quando ia viajar e acabava analisando um paciente em meio as suas férias.

Não tinha o nome de acompanhamento terapêutico, mas se analisarmos é algo muito similar o que ele fazia naquele tempo, pode se pensar ai os primórdios desta prática.

Considerações finais

Este dispositivo clínico se torna uma alternativa importante na atualidade porque amplia a ideia de saúde do ser humano como algo que vem não para substituir os métodos terapêuticos utilizados, mas para somar, podendo os profissionais de saúde e da educação leva-los em consideração para a saúde mental da população.

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    É novo e inovador se pensar em um acompanhamento do sujeito fora das paredes ou muros de uma instituição, o quanto isso pode ser libertador, quando se pensa em socialização para alguns que são excluídos da sociedade, traze-los novamente para o convívio social e possibilitar a chance de participação é um grande passo para a promoção de sua saúde e inclusão, esta segunda como a primeira é muito significativa porque por vezes o sujeito acometido por algo que influência no seu isolamento, deve ser novamente reinserido na sociedade para que possa desfrutar do convívio coletivo novamente.

    Esta clínica acaba possibilitando a desmistificação da saúde mental em relação a sociedade, que tem uma visão estigmatizada sobre a doença mental, pois o ser humano a partir da observação cria novas percepções do que acontece, então esta inclusão das pessoas com transtornos mentais adiciona a chance de uma nova percepção em relação a isto, podendo ampliar esta visão minimalista e sintética sobre saúde e doença mental que muitas pessoas tem.

    O presente artigo foi escrito por Bruno de Oliveira Martins. Psicólogo clínico, particular CRP: 07/31615 e pela plataforma online Zenklub, acompanhante terapêutico (AT), estudante de psicanálise pelo Instituto de Psicanálise Clínica (IBPC), contato: (054) 984066272

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