agressividade e violência

Agressividade e Violência para a Psicanálise

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Neste artigo gostaria de falar sobre violência e agressividade na teoria psicanalítica.

Freud e Lacan buscaram ao longo de suas pesquisas explicar de alguma forma como funciona e a estruturas desses processos.

Entendendo sobre a agressividade e violência

Procurar explicar teoricamente a agressividade e a violência através da teoria psicanalítica, nos fará lidar tanto com os aspectos sociais quanto na constituição do sujeito. Falaremos sobre as como Freud e Lacan buscaram entender o funcionamento desses processos. Freud, percorre desde a vida primitiva até as primeiras civilizações, onde o marco inicial é o início da criação de Leis, desenvolvidos na obra Totem e Tabu.

Em O Mal-estar na Civilização, Freud fala sobre os sacrifícios que os homens e em consequência sua psique passa, após a instauração das leis, onde se exige que a liberdade fica reprimida em nome do bem social. Sendo assim, na busca de equilibrar desejos pessoas e pressões ou repressões da sociedade, assim, cedem a agressividade e à violência uma espécie de poder abundante, onde ele tanto pode ameaçar quanto manter a estrutura social.

A sociedade vem antes do indivíduo. As marcas da violência social e a forma como o sujeito é estruturado também traz traços da agressividade e da violência, que aparecem tanto na psique do indivíduo quando nas relações sociais que ele desenvolve com outras pessoas. Alguns estudiosos há tempos se interessam pela questão da violência.

A agressividade e violência na teoria

Na teoria psicanalítica, a agressividade humana e aspectos psíquicos ligados a impulsos agressivos tem sido objeto de estudo de forma bastante extensa. Autores clássicos como Freud e Klein, a teoria do apego de Bolwy e, mais modernos como Kernberg e Fonagy, deram significantes contribuições a cera deste tema.

Podemos observar que a teoria psicanalítica vem tentando compreender como funciona a mente, a psique de um indivíduo violento, instituindo um referencial que pode ajudar a identificar de forma mais profunda os aspectos intrapsíquicos que envolvem a agressão. Na Psicanálise o conceito de agressão, está relacionado a conceitos básicos do funcionamento da psique e também a conceitos mais amplos que se referem ao processo de civilização humana.

“Observa-se que a contribuição psicanalítica tem se orientado para o trabalho clínico, principalmente para os aspectos estruturais da personalidade, localizando padrões agressivos de interação nas situações de funcionamento limítrofe ou borderline (Kernberg, 1995)”. Sendo assim, podemos dizer que os trabalhos relacionados ao entendimento intrapsíquico de pessoas violentas ainda é uma área de estudos carente, com poucas pesquisas em torno desse aspecto. Assim como, estudos em torno de violência conjugal, onde existe um relacionamento amoroso seja ele formalizado ou não.

A agressividade e a violência deixam suas marcas

Esses aspectos, são características, que por um lado são conscientes e por outro inconsciente. Como exemplo, podemos citar nossa entrada na linguagem, a maioria de nos não acha este momento violento, por mais que isso não nos exclua de seus efeitos vindos do vazio. A percepção da violência vai depender do todo, onde o indivíduo está inserido, o meio cultural, social, religioso, familiar.

Tudo isso é construído a partir de um discurso social onde o indivíduo está inserido. “É preciso, então, dizer que um ato – ou um acontecimento – não é violento em si mesmo. A violência é um efeito do contexto que o circunscreve (Costa, 1996. p. 12)”. Sendo assim, é inviável falar em como a agressividade e a violência nos processos de constituição do sujeito, se articulam sem levar em consideração o meio social, cultural, político e histórico onde elas ocorrem.

Em 1998, Lacan é afirmativo ao dizer que a psicanálise precisa também abraçar o contexto do indivíduo, e afirma que a Psicanálise seja talvez a obra mais elevada, pois funciona como mediadora entre o indivíduo da preocupação e o sujeito do saber absoluto. Para o psicanalista é preciso conseguir alcançar em si a subjetividade de sua época.

Discórdias das línguas

Afinal, como poderá ajudar, ser o eixo de tantas outras vidas alguém que não sabe sobre a lógica que o compromete. “Que ele conheça bem a espiral a que o arrasta sua época na obra continua de Babel, e que conheça sua função de interprete na discórdia das línguas (LACAN, p. 322).” Sendo assim, se faz extremamente necessário, estudos e pesquisas específicos sobre a temática da agressividade e violência, já que elas serão expressas de formas diferentes dependendo das organizações sociais, pela cultural local e pelo momento histórico e político em que se está inserido.

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Este artigo volta seu foco em especial aos aspectos estruturais da agressividade e da violência. Saímos levemente da ilusão que cria a civilização, de que somos concebidos humanos pacificadores, que coloca a violência e agressividade como patologia, anormalidade. E, podemos dizer que é esclarecedor observar que no meio dessa ilusão o quanto somos violentos e violentados e, que em mesmo em relações onde amamos e somos amados trazem sempre alguma agressividade, mesmo que quase imperceptível.

Quer dizer, “não somos meros anjos culturais, pacíficos seres civilizados”, conforme lembra-nos Elia (2007, p.49). Não, realmente não somos. Se formos capazes e superar essa ferida narcísica, podemos perceber pontos importantes: sem a agressividade e a violência todos ficariam indefesos diante de ataques, se lembrarmos Freud nesse momento, são derivados de 3 fontes: nosso próprio corpo, nossa relação com os outros e a natureza.

Uma forma de defesa

E, assim desde que nascemos nos formamos subjetivamente como forma de defesa, contando com um característico mediador. Pela via simbólica podemos buscar recursos e ajuda para lidar da melhor forma com excessos de agressividade e violência, seja no outro como em nós mesmos.

Resumidamente, não somos nem anjinhos nem demônios, estamos em um ponto entre os dois. E, esse ponto é singular, pois depende de cada sujeito e tudo o que ele carrega. Este ponto não é isolado, pode ser levado a via da mediação simbólica.

Vendo por este ângulo, a Psicanálise no sentido de olhar e escuta psicanalítica tem um papel de extrema importância, já́ que suas práticas se fundam em sustentar e apostar os reposicionamentos subjetivos de cada indivíduo.

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    Este artigo sobre agressividade e vilência vistos pela Psicanálise foi escrito por Pamella Gualter ([email protected]), para o blog Psicanálise Clínica.

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