Amor platônico na visão de Freud

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Sabe aquele crush pelo qual você tem um amor imenso, mas que não te dá bola? Sabe aquele amor que você sente, mas que não é correspondido? Pois então, em linhas gerais é  isso que chamamos de amor platônico. Contudo, vamos ver que esse sentimento abrange várias questões e é interpretado de várias linhas teóricas diferentes.

A partir disso, trazemos neste artigo não apenas o significado geral do termo, mas a visão de Freud sobre ele. Você sabe quem é ele? Antes de nos aprofundar sobre o tema, vamos explicar um pouco mais sobre o pai da psicanálise.

Quem é Freud

Nascimento e vida acadêmica

Sigmund Schlomo Freud nasceu no dia 6 de mais de 1856 em Freiberg in Mähren, no antigo Império Austríaco. Quanto à sua formação, Freud começou a cursar medicina na Universidade de Viena com apenas 17 anos, e fez sua especialização voltada para o tratamento de doenças mentais. É a partir do estudo dessa temática que ele deu origem aos seus estudos em psicanálise.

Os estudos apontados acima foram importantes, pois, com eles, uma nova teoria foi criada: a psicanálise. Ela é até hoje de grande importância para a psicologia.

Vida pessoal

Em relação a sua vida pessoa, Freud se casou com Martha Bernays em 14 de setembro de 1886 em Hamburgo. Destacamos que conhecer e desejar se casar com Bernays foi um fato importante para Freud. Não apenas pelas questões sentimentais, mas também por conta do desenvolvimento de sua carreira.

Considerando que a pesquisa não proporcionava muito retorno financeiro, Freud começou a trabalhar em hospitais. Tal situação abriu horizontes para ele, como o trabalho em um renomado hospital psiquiátrico que promovia estudos sobre a histeria. Com isso, seu foco de atendimento mudou e ele começou a ter mais contato com conjunto de sintomas neurológicos.

Não se sabe muito sobre o início da vida de Freud, pois, por duas vezes, ele destruiu seus escritos. Apesar disso, algumas informações extra sobre sua biografia nós falamos em outro artigo aqui do blog. O que temos certeza é a importância de Freud sobre os estudos a respeito dos instintos humanos.

Conceito geral de amor platônico

Agora que já conhecemos um pouco sobre Freud, vamos falar do amor platônico em si. De início, partimos de uma definição mais geral e depois vamos aprofundar.

Definição superficial

Se a gente procurar em qualquer lugar o que é amor platônico, a resposta vai ser algo como “um amor não correspondido”. A definição está correta, mas não é só isso.

Entendendo o amor platônico em profundidade

Uma primeira definição mais detalhada diz que o amor platônico é qualquer tipo de relação afetuosa ou idealizada em que se abstrai o elemento sexual por vários gêneros diferentes. Ou seja, trata-se de um caso de amizade pura. Contudo, também pode ser definido como um amor impossível, difícil ou que não é correspondido, como comentamos mais acima.

Cronologia do amor platônico

O primeiro uso do amor “platonicus” foi feito pelo filósofo neoplatônico florentino Marsilio Ficino no século XV. Naquele caso, o uso atribuído foi como um sinônimo de amor socrático. Assim, as duas expressões dizem respeito a um amor focado na beleza do caráter e na inteligência de alguém. Ou seja, o sentimento não imergia do aspeto físico.

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Porém, com o tempo, a expressão teve seu conceito mudado. Um exemplo foi a alteração que o termo sofreu graças à obra de Sr. William Davenant, “Platonic Lovers” (Amantes Platônicos – 1636). Nessa obra, o poeta inglês se refere ao amor como é retratado no Simpósio de Platão. Ou seja, afirma que o amor é a raiz de todas as virtudes e da verdade.

Nos vale dizer ainda que o amor platônico é entendido como um amor à distância, que não se aproxima. Dessa forma, esse amor não toca, não se envolve e é feito de fantasias e idealizações. O objeto do amor é o ser perfeito, detentor de todas as boas qualidades e sem defeitos.

O amor platônico na visão de Freud

Agora vamos comentar a visão de Freud a respeito do amor platônico. Segundo a teoria freudiana, o corpo precisa de pulsão, que é algo externo a ele para continuar vivo. Dessa forma, ele é impelido a agir para obter o objeto que satisfaz a falta que sente.

O problema da pulsão

A pulsão é a busca pelo o que nos falta. Porém, o problema é que no regime pulsional não há como preencher as faltas de maneira satisfatória. Isso acontece, pois sem o encontro satisfatório com o objeto idealizado, o indivíduo permanece com uma carga de tensão. Contudo, essa carga retorna a um estado primário em espera de uma nova investida.

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    O desejo e a libido

    Como dissemos, o desejo pelo objeto que idealizamos como o que nos preenche resulta nas pulsões. E junto com o conceito de desejo está o conceito de libido. Nesse contexto, esse conceito foi sendo amadurecido de forma paralela aos avanços dos estudos freudianos.

    Em um primeiro momento, a libido era considerada apenas o resultado do processo de excitações, sendo que o ato de excitar é provocar uma elaboração da excitação orgânica em excitação psíquica, ou o afeto sexual. Em seguida, Freud explica como uma energia da pulsão sexual conectada à pulsão de vida.

    Tudo isso tem a ver com muita coisa que está sob o guarda-chuva que é a palavra amor. Ou seja, é a parte energética da pulsão. Dessa forma, Freud diz que a pulsão precisa:

    • do desejo (psíquico);
    • e da libido (sexualidade).

    Assim, ele abre o termo amor platônico a mais do que um desejo intelectual idealizado. Ele passa a ser tudo aquilo que acreditamos ser o que nos falta.

    Mais detalhes sobre o amor platônico

    Encontramos esse sentimento com mais frequência nos relacionamentos de casal. Existem muitas pessoas que precisam de um amor idealizado, perfeito. Esta visão nostálgica e romântica das relações, esse amor do “estar sempre apaixonado”, não por uma pessoa concreta, é o que os torna sempre insatisfeitos.

    Dessa forma, a sua ideia de amor não se baseia na realidade, mas na fantasia do que poderia ser ou poderia ter sido. E é justamente isso que é um amor platônico.

    Comentários finais sobre o amor platônico

    Como dissemos, para Freud o conceito de amor platônico está muito ligado ao que ele entendia como pulsão, isto é, um estado de incompletude. Com isso, esse comportamento se dá em decorrência daquilo que um indivíduo não pode ter. Porém isso não é necessariamente algo ruim, já que se trata de um instinto que nos mantém vivos, mas, ao mesmo tempo, desesperados por uma nova oportunidade de conquista.

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