o que é libido para freud e psicanálise, causas da diminuição da libido e tratamentos

O que é Libido: teoria e causas da diminuição

Posted on Posted in Teoria Psicanalítica

Muitas das teorias de Sigmund Freud estão diretamente ligadas à sexualidade humana. A libido e os estudos a ela relacionados tiveram grande repercussão em sua obra. Muitas afirmações e teorias de Freud sobre a libido foram criticadas por estudiosos de diversas áreas. Inclusive os seus estudos sobre o desenvolvimento psicossexual e a sexualidade na infância.

Neste texto, vamos entender o que é libido? Veremos um resumo de ideias de Freud e da psicanálise a respeito. Veremos que existem aspectos sexuais e não sexuais ligados a esta teoria. Vamos ver também as causas para diminuição ou falta de libido e seus tratamentos.

Para Freud, os seres humanos nascem polimorficamente perversos. Isto é, uma grande variedade de objetos podem ser uma fonte de prazer.

O que é libido: significado

O termo libido designa a energia psíquica derivada dos instintos sexuais e de sobrevivência, é um conceito fundamental na teoria de Freud e da psicanálise. Embora essa energia encontre sua manifestação mais ligada à sexualidade, pode-se dizer que envolve toda a energia psíquica do indivíduo. Um quadro de baixa libido pode representar pouco interesse do sujeito pelas coisas, não apenas no campo sexual, quadro que pode estar associado com baixa autoestima, depressão e angústia.

A concordância nominal correta é no feminino: a libido. Apesar de sua grafia terminar com a letra “o”, é uma palavra feminina. Vem do verbo em latim “libere“, que significa “desejar”.

Embora em psicanálise seja uma expressão técnica e, por isso, pouco substituída por palavras semelhantes, a depender do contexto podem ser sinônimos de libido: desejo, apetite sexual, tesão, vontade, ardor, energia sexual, instituto sexual e impulso.

A libido na teoria de Freud

Para Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise, a libido é o elemento central de sua teoria psicossexual. Se a sexualidade humana é representada pela busca por satisfazer um desejo físico-psíquico, é a libido que sintetiza o mecanismo da sexualidade.

Assim, ela estará presente desde o nascimento do bebê, até fase de maturidade da vida.

Quando o ato sexual em si não pode ser realizado, a libido continuará presente, direcionando esta energia libidinal para trabalho, estudos, lazer, arte e política. Essa transformação da pulsão libidinal em tarefas diferentes do sexo e entendidas como “socialmente úteis” é o que Freud denominou de sublimação em psicanálise.

Então, para Freud, o desenvolvimento psicossexual ocorreria em etapas, estando elas ligadas à área na qual a libido está mais concentrada. Freud diz que existe a fase oral, a fase anal e a fase fálica.

  • A fase oral é quando o bebê, no ato de mamar, tem na sucção algo especialmente importante. A boca é vital para comer e por meio dela criança obtém o prazer da estimulação oral.
  • Na fase anal, segundo Freud, o foco da libido está no controle da bexiga e nas evacuações. Nessa fase, a criança tem de aprender a controlar as suas necessidades corporais. Ao desenvolver esse controle, a criança passa a ter um sentimento de realização e independência.
  • Na fase fálica, a libido está presente nos órgãos genitais. É quando as crianças começam a descobrir as diferenças entre o masculino e o feminino. Ou, entre machos e fêmeas.
  • No período de latência, os interesses libidinais são suprimidos. É quando o desenvolvimento do ego e do superego contribui para esta “calma”.

Por fim, há o estágio genital, fase final do desenvolvimento psicossexual. Nessa fase o indivíduo desenvolve interesse sexual no sexo oposto. Ela se inicia durante a puberdade, perpassando por todo o resto da vida da pessoa.

Características

De acordo com a teoria psicanalítica, a libido pode ser vista como uma energia. Uma energia aproveitável para os instintos de vida. Segundo Freud, ela não é algo apenas interno, algo que está ligado a desejos sexuais. Em sua teoria, ela está estritamente ligada aos fenômenos psicossociais.

Também as alterações, as características ou as modificações libidinais estão ligadas a fenômenos psicossociais. Isto é, o seu aumento ou a sua diminuição, a sua produção, a sua distribuição, o seu deslocamento, etc. Tudo estaria ligado a esses fenômenos.

Uma das principais características está ligada ao seu deslocamento ou mobilidade. Conforme visto acima, e de acordo com as fases do desenvolvimento psicossocial, a parte do corpo que é fonte principal do prazer muda conforme a idade. O deslocamento da libido para diferentes zonas erógenas está diretamente ligado a esse desenvolvimento, que se inicia no nascimento do indivíduo.

Essa mobilidade está ligada à alternação do desejo sexual de uma área para outra do próprio corpo humano ou corpo do indivíduo. Sua atenção se volta para essa área, conforme a criança se desenvolve, como se ela estivesse se descobrindo. E, aos poucos, descobrindo as diferenças entre o masculino e o feminino.

Causas da diminuição da libido

Fatores físicos e psicológicos estão entre as causas da diminuição ou falta:

QUERO INFORMAÇÕES PARA ME INSCREVER NA FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ




    • fatores físicos: desequilíbrios hormonais, diabetes, pressão alta e uma infinidade de outras causas.
    • fatores psicológicos: estresse, diminuição da qualidade de vida, baixa autoestima, depressão, distimia e ansiedade.

    É importante consultar um profissional habilitado para auxiliar no tratamento.

    Para a psicanálise, em se tratando de fatores psíquicos, essa diminuição pode ser um sintoma de fatores inconscientes mal trabalhados. A terapia ajudará a entender os desejos, medos e representações do paciente que estejam na origem inconsciente da falta de libido (sintoma). Além disso, é preciso investigar se a queda da libido é generalizada, ou se é apenas para parte de sua vida sexual, pessoal ou profissional.

    Se pensarmos essa energia de uma forma mais ampla, podemos pensar que a psicoterapia psicanalítica estará trabalhando o tempo todo a libido e suas representações da perspectiva do paciente.

    E, para aumentar a libido, muitos fatores podem ajudar, como a terapia psicanalítica, mudança no estilo de vida (alimentação, sono etc.) e, em alguns casos, o uso de medicamentos receitados por médicos.

    Existem algumas diferenças entre padrões da libido masculina e feminina. Fatores biológicos e psíquicos distintos podem estar atuando. Ainda assim, é importante verificar caso a caso as razões para a diminuição da libido.

    A Catexia e os três tipos de libido segundo Santo Agostinho

    Ao voltar a atenção para determinada área, a libido não está relacionada apenas a aspectos físicos ou fisiológicos. Ela também se vincula a aspectos psicológicos e a aspectos emocionais. Dessa forma, de acordo com Freud, sua energia estaria contida na psique.

    Ela vai além da realização do ato sexual. As representações ou fantasias sexuais também são movidas pela libido. E não só o ato sexual em si, como também a criatividade, a motivação e autoestima são expressões de energia vital cujo “motor” é a libido.

    A partir desse estudo, Freud definiu a catexia.

    Segundo Freud, catexia é um processo pelo qual a energia libidinal estaria relacionada à representação mental do indivíduo. Isto é, a representação de uma coisa ou ideia. É como se a catexia fosse o investimento do indivíduo na libido.

    O que muitos não sabem é que a libido já havia sido estudada bem antes de Freud. O filósofo Santo Agostinho, por exemplo, classificou-a em três categorias, que veremos a seguir. Essas categorias estão ligadas a três tipos de desejos humanos. E não todos diretamente relacionados diretamente à questão sexual.

    Pensando alguns tipos de libido, segundo Agostinho:

    • A libido sciendi seria o desejo de conhecimento.
    • A libido sentiendi seria o desejo sensual.
    • E a libido dominendi seria o desejo de dominar.

    Santo Agostinho já se aproximava de Freud ao ver a questão libidinal como muito além da questão sexual. Ele a aponta, inclusive, como ligada a questões sociais, ou, psicossociais. Isto é, quando a vê como o desejo de conhecimento e o desejo de dominar.

    A energia do desejo e o Complexo de Édipo

    Ao afirmar que os seres humanos são polimorficamente perversos, Freud defendia que a libido amadurece por meio do objeto ou objetivo. Assim, o indivíduo se desenvolve e desenvolve a sua sexualidade.

    Para Freud, existe uma grande variedade de objetos que podem se tornar uma fonte de prazer. Por isso a libido, que estaria ligada ao desejo e a uma energia, vai muito além da questão sexual.

    Além disso, ela estaria ligada ao complexo de Édipo, que faz parte de uma fase do desenvolvimento psicossocial. Para Freud, há a fase em que o investimento libidinal da criança se dá pelo progenitor do sexo oposto. E é exatamente isso que daria origem ao Complexo de Édipo.

    Nele, a criança percebe que entre ela e a mãe, por quem ela tem desejo (no caso de um menino), existe o pai. Esse pai seria um rival, alguém que impedira a comunhão desejada pela criança. Assim, a criança passa a amar a mãe e a experimentar um sentimento de amor antagônico e ódio pelo pai.

    Esses sentimentos, aos poucos ela percebe, são proibidos. Tanto o amor vivido pela, como o ódio pelo pai.

    Assim, ela acaba os superando, surgindo o superego, que é como é finalizado o complexo de Édipo. Que seria a desistência da criança com relação à mãe e, por fim, a sua identificação com o pai. No caso, do menino.

    Além do complexo de Édipo, a libido está relacionada a várias outras teorias de Freud.

    12 thoughts on “O que é Libido: teoria e causas da diminuição

    1. Geovane Maria disse:

      Boa noite! Gostei muito, pois esclareceu algumas dúvidas,porém as teorias de Freud é muito complexas e estou ainda no começo dessa jornada e espero conseguir ter mais conhecimento. Fui atraída por essa a minha teoria mesmo sendo que ler muito para me aperfeiçoar e ter o tripé para me evoluir e satisfazer esse desejo de ser uma boa analista segundo os preceitos de Freud.

      1. Psicanálise Clínica disse:

        Nossa gratidão pelo seu depoimento, Geovane! Esperamos estar juntos com você nesta sua jornada de Formação!

        Equipe Psicanálise Clínica

    2. A teoria das pulsões necessária à compreensão da metapsicologia, é fundamental ao estudioso da psicanálise. Esses conceitos são a base da compreensão das descobertas de Freud. Excelente este artigo.

    3. Paulo Ricardo Santos Miranda disse:

      Muito bom o artigo! Realmente eu não sabia que Santo Agostinho havia abordado sobre isso também! Espero um dia me tornar um bom Analista!

      1. Psicanálise Clínica disse:

        Olá, Paulo. Obrigado por sua mensagem! Continue nos acompanhando e se aprofunde ainda mais com nosso Curso de Formação. Gratidão. Equipe Psicanálise Clínica.

    4. Isa Firme Diniz disse:

      Muito bom esse artigo, vem acrescentar um conhecimento mais apurado da Teoria de Freud sobre o prazer, e trazer a definição da libido como uma energia ligada a vários aspectos como fisiológicos, psicológicos e emocionais. Interessante a referência aos estudos filosóficos de Santo Agostinho sobre a libido, bem anterior a Freud .
      Agradeço pela contribuição em nos proporcionar esses conhecimentos.

      1. Marcia Pinto disse:

        Interessante o artigo. O conceito de libido ainda ficava um pouco nebuloso pra mim, já que a classificação para o leigo fica focada diretamente ao prazer carnal. Mas depois que iniciei o curso, muitas “teorias leigas” vem sendo esclarecidas e estou a cada dia mais encantada com Freud. Certamente nos conhecimentos adquiridos estudando outros autores, vemos uma “evolução”, mas nada que se possa substituir os estudos de Freud, só complemento. E saber de Santo Agostinho não me surpreende já que na Psicologia, este é muito citado. Mas com este artigo, me interessei mais em aprofundar sobre seus escritos. Obrigada! Amando o curso!

    5. edson trindade pereira junior disse:

      Muito bom artigo, bem didático. Para mim foi revelador saber da visão de Santo Agostinho que por si só já mostra o valor do tema. A interface com o pensamento freudiano é bem libidinoso, se me permitem.

    6. maria Izabel Grein disse:

      Gostei do texto. Me ajudou a entender um pouco mais sobre as teorias de Freud. Ainda tenho muito a estudar. Tinha muita curiosidade em conhecer mais sobre as teorias de Freud, e agora estou tendo esta oportunidade.

    7. ANTONIO GERALDO COELHO disse:

      Muito boa aaa colocação sobre a questão da libido, é muito esclarecedor

    8. Excelente texto, nos leva a reflexão ao nosso dia a dia, e a importância da libido, não apenas no contexto da sexualidade, assim como na sua dimensão em todo o nosso contexto social e nos nossos sentimentos segundo o “desejo por viver”, buscar, sonhar, e tudo o mais.

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *