Vencer ansiedade e depressão: método de 8 passos

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Você sabe como vencer ansiedade e depressão? Hoje, vamos falar sobre essas duas das doenças que mais atingem as pessoas no Brasil e no mundo. Por isso, se você tem sentimentos como preocupação e um medo intenso, ou se perdeu o interesse por coisas que antes eram prazerosas, confira nesse artigo, um método de 8 passos para melhorar a sua saúde mental.

Nesse sentido, a primeira parte do artigo tratará do significado. Ainda, traremos as características da depressão e da ansiedade. Já a segunda parte terá como foco os métodos em si.

O que é Ansiedade?

O trocadilho pode parecer infame, mas o leitor provavelmente estará ansioso para saber como tratar a ansiedade. Por isso, muitas vezes, uma pessoa ansiosa quer encontrar logo o foco do texto. Isto é, as respostas para o seu problema.

Porém, é importante entender a raiz do problema. Assim, o que está causando os sintomas e se isso realmente é uma patologia. Dessa forma, explicaremos o que é a ansiedade.

De acordo com o dicionário Houaiss, a ansiedade é um sentimento. Ela é “angústia, inquietação, intranquilidade”. É algo que acontece na nossa cabeça e nos deixa nervosos, no sentido de ficarmos preocupados. É um medo irracional diante de situações que muitas vezes não sabemos a causa.

Sendo um sentimento, a ansiedade pode ser algo passageiro, apenas externado diante de algumas situações. Por exemplo, quando vamos fazer uma apresentação na empresa ou na faculdade. Outra possibilidade é quando temos um encontro pela primeira vez. Ali, as expectativas estão a mil e uma pessoa ansiosa fica imaginando diversas coisas, na maioria delas, negativas.

Algumas causas da ansiedade

A ciência nos diz que alguns grupos tendem a desenvolver o transtorno de ansiedade maior do que outros. Nessa relação, temos:

  • Hereditariedade: se seus antecessores tiveram crises de ansiedade, é provável que você também tenha;
  • gênero: pesquisas confirmam que as mulheres têm duas vezes mais chances de terem transtornos desse tipo em relação aos homens;
  • vida muito corrida: trabalho estressante aliado a problemas familiares;
  • traumas: algum episódio em que a pessoa teve na infância ou adolescência que desencadeou uma ansiedade excessiva.

Sintomas da ansiedade

Já quando a ansiedade se torna recorrente, aparecendo mesmo quando a pessoa está bem e tranquila, pode significar um transtorno. Mesmo assim, o transtorno de ansiedade não tem um padrão. Porém, certos sintomas são mais comuns. Entre eles temos:

  • Palpitação;
  • respiração acelerada e falta de ar;
  • tremor e suor nas mãos e pés;
  • rigidez nos músculos e na gengiva;
  • “tique nervoso”, isto é, aqueles movimentos involuntários dos músculos;
  • tontura e sensação de desmaio;
  • pensamentos negativos;
  • enjoo e vômitos;
  • insônia;
  • preocupação em demasia;
  • mau humor;
  • boca seca;
  • dificuldade de se concentrar;
  • nervosismo;
  • incongruência nos pensamentos: falar algo sem sentido.

Ansiedade “boa” e o transtorno generalizado

Em suma, a ansiedade é uma resposta do corpo a determinadas situações. É uma situação na qual devemos a evolução natural da humanidade. O ser humano, desde tempos remotos, planejava suas atividades e se preparava para os desfechos como forma de sobrevivência.

Por isso, ao longo do tempo, fomos nos adaptando aos diferentes momentos e nos preparando para que o possa vir. Seja bom ou seja ruim. Nesse caso, o medo é um componente da ansiedade. Ao pensarmos que algo pode dar errado, o cérebro está mandando um recado ao corpo para se preparar e tentar se antecipar de uma forma que as coisas possam caminhar normalmente. Essa é a chamada ansiedade “do bem”.

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Agora, quando há uma resposta desproporcional para algo simples, isso pode ser considerado uma patologia. Sendo assim, para vencer a ansiedade, algumas medidas devem ser tomadas

Tipos de Ansiedade para Freud

Em linhas gerais, Freud enumerou três tipos de ansiedade: a ansiedade real, a ansiedade neurótica e a ansiedade moralista.

  • Ansiedade real: como o próprio nome diz, diz respeito a alguma situação que está acontecendo ou prestes a acontecer. Como exemplo, um motorista que está andando muito rápido com o carro em uma via com muitos veículos. Ali, a chance de haver um acidente é enorme. Então, o medo se justifica.
  • Ansiedade neurótica: está relacionada a um perigo relacionado a traumas vividos na infância e na adolescência. Sendo assim, quando presenciamos uma situação relacionada com aquela que tivemos em tempos anteriores, o medo se instala e a pessoa perde a capacidade de raciocinar sobre o evento.
  • Ansiedade moralista: ocorre quando o superego se sobrepõe ao ego e determina uma ação em vista da sua característica. Nesse caso, os desejos são postos em segundo plano em vista de um julgamento moral maior. Por exemplo, uma pessoa que é alcoólatra e passa por um tratamento de desintoxicação. Nesse meio tempo, ela é chamada para uma festa que, com certeza, terá bebidas alcoólicas. A pessoa sabe que se aceitar o convite, corre o risco de beber e atrapalhar seu tratamento. Por isso, ela entende que aquilo é errado e recusa o convite, explicando os motivos para seus amigos.

O que é a Depressão?

A depressão também é uma doença que atinge o sistema nervoso e muda a percepção de como você encara determinadas coisas. Isto é, ela é caracterizada por uma tristeza profunda e a perda de interesse em atividades que faziam parte da rotina.

Sendo assim, na depressão, uma pessoa muda o seu jeito de viver. Por isso, muitas vezes, ela procura isolamento e evita contatos com outras pessoas.

Ademais, uma diferença a se destacar é o fato de que todo mundo passa por momentos difíceis, onde a tristeza parece não ter fim. Logo, desemprego, término de relacionamento, acidentes ou morte na família: todos esses são episódios extremamente ruins que uma hora ou outra vão acontecer.

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    Passados tais episódios, é de se esperar que a pessoa volte a sua rotina e viva sua vida. Porém, quando essa tristeza se prolonga, é necessário atentar aos sinais e procurar ajuda.

    Alguns números sobre ansiedade e depressão

    O número de pessoas que sofrem de depressão no Brasil aumentou durante a pandemia de covid-19. De acordo com uma pesquisa feita pela UERJ e publicada pela CNN, os casos de depressão quase dobraram desde março de 2020. Em abril do ano passado, verificou-se que o número de pessoas consideradas depressivas passou de 4,2% para 8%. Já as pessoas com ansiedade foram de 8,7% para 14,9%.

    Ademais, o coordenador da pesquisa, Alberto Filgueiras, ressaltou que o grupo de pessoas que mais adoeceram foram aquelas que não pararam de trabalhar. Isso aconteceu, pois elas acabavam sentindo mais medo de contrair o vírus, ao contrário daquelas que conseguiram trabalhar em home office.

    Dessa forma, a procura pelos serviços de terapia online cresceu. Cada vez mais, a população brasileira sentia os efeitos psicológicos da pandemia e entendia que uma ajuda especializada era necessária para combater a depressão.

    Ansiedade e depressão: os casos de suicídio no Brasil e o setembro amarelo

    De acordo com dados recentes, no Brasil, cerca de 12 mil pessoas cometem suicídio todos os anos. Isso corresponde a 6% da população. No mundo, esse número chega a 800 mil pessoas que tiram a própria vida. Além disso, quando se verifica o perfil dessas pessoas, chama a atenção para o padrão imposto: são homens, jovens, pretos e entre 10 e 29 anos.

    Ainda, os números de casos de suicídio relacionados a transtornos mentais chegam a 96,8%. Já a depressão ocupa o primeiro lugar, seguido de transtorno bipolar e o uso excessivo de drogas lícitas e ilícitas. Esses dados são dos últimos cinco anos e foram retirados do Ministério da Saúde.

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    Por essa razão, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio acontece todo dia 10 de setembro, desde 2003. Aqui no Brasil, a campanha Setembro Amarelo é realizada desde 2014 e trata de conscientizar a população sobre a questão do suicídio. Assim, na página www.setembroamarelo.com você encontra todas as diretrizes e o material disponível para leitura.

    Causas da depressão

    As causas são parecidas com a do transtorno de ansiedade. Fatores genéticos podem colaborar para o diagnóstico. Porém, o psicológico e outras causas externas ajudam a intensificar o problema. São eles:

    • Uso exagerado de álcool e outras drogas;
    • problemas de relacionamento na família;
    • problemas conjugais;
    • doenças cerebrais que dão predisposição;
    • excesso do uso de redes sociais e superexposição em busca de reconhecimento.

    Sintomas da depressão

    Alguns sintomas são mais leves, outros, graves. Além disso, também são similares aos dos da ansiedade, acrescentando outros como:

    • Perda ou ganho de peso, sem relação com dietas;
    • desânimo geral e fadiga;
    • baixa autoestima e sentimentos de culpa;
    • pensamentos suicidas;
    • falta de expectativas sobre a própria vida;
    • negatividade extrema.

    Métodos para vencer a ansiedade e a depressão

    O trajeto para chegar à cura desses males não é fácil. Estima-se que cerca de 50% das pessoas que tiveram um caso de depressão, em algum momento, vão ter uma recaída. Ademais, esse percentual vai variar de acordo com gravidade da doença.

    Para além do tratamento psicológico, que falaremos mais adiante, é importante falar sobre outras práticas que vão auxiliar na recuperação ou mesmo a cura da ansiedade, da depressão ou das duas.

    Faça atividades físicas

    Para vencer depressão, fazer atividades físicas é uma ótima ferramenta em busca da cura. Nesse sentido, a função do exercício é similar ao de antidepressivos. Isso porque ele proporciona uma sensação de bem-estar e vigor.

    Ao focar nessas atividades, no objetivo de trabalhar o corpo e mente, a pessoa com depressão entende que ela precisa sair daquele estado e que esses movimentos são benéficos. No entanto, nada pode ser forçado.

    Se a pessoa não consegue nem sair da cama, ninguém deve exigir que ela vá para uma academia ou faça uma caminhada. Isso porque quem convive com uma pessoa depressiva e ansiosa, deve falar sobre os benefícios dessas atividades aos poucos. Ainda, é preciso ter paciência e orientá-la como os exercícios irão ajudá-la no tratamento.

    Cultive o hábito da leitura e livre-se da depressão

    Passe a ler mais livros e livre-se da ansiedade! Não, você não leu errado. A leitura pode te auxiliar a diminuir a ansiedade e viver melhor. Você já se imaginou em um consultório e, ao invés do médico te receitar remédios, passar uma prescrição de uma Clarice Lispector ou uma terapia à base de Fernando Pessoa?

    As autoras britânicas Ella Berthoud e Susan Elderkin pensaram nessa possibilidade e lançaram o livro Farmácia Literária. Ademais, a obra parte do princípio que o leitor pode encontrar um “remédio” na leitura. Neste caso, existem cerca de 200 males divididos em ordem alfabética e há uma recomendação de um livro para cada um.

    Aliás, há algum tempo, existe a ideia de que os livros são instrumentos terapêuticos. A biblioterapia é a chamada “cura pelos livros”. Consta que desde tempos remotos, as civilizações antigas como a egípcia e a grega usavam textos religiosos para esses fins.

    Dessa forma, a biblioterapia faz a ponte entre o leitor e o livro e tenta conectar as histórias de ambos, com objetivo de crescimento pessoal. Por fim, cabe destacar que essa técnica não substitui a avaliação de um psicólogo ou psiquiatra, mas sim como ferramenta auxiliar.

    Ouça música para relaxar

    Mais um método eficaz contra a ansiedade é ouvir aquelas músicas que você mais gosta. Assim como os livros, muitas músicas conversam conosco. Estudos científicos já confirmaram o poder calmante que uma boa música causa no ouvinte. Por isso, se você sofrer crises de ansiedade, procure um canto silencioso e ouça uma música que te faça bem.

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    Evite o excesso de açúcar e cafeína

    Quando alguém está triste ou mesmo com quadro depressivo, acaba recorrendo a doces e outros alimentos ricos em glicose. É comprovado que a glicose, quando chega no sangue, traz uma sensação de saciedade, mas, em pouco tempo, ocorre uma queda, devido à liberação de insulina.

    Além disso, essa queda brusca faz com que a pessoa consuma cada vez mais açúcar, causando um ciclo vicioso no organismo. Quando há a falta desse componente em altas doses, sintomas como tonturas, fadiga e irritabilidade aparecem, como consequência da hipoglicemia.

    Bem como o açúcar, a cafeína também acentua a ansiedade. Consumida em demasia, a cafeína ativa a adrenalina no cérebro e causa taquicardia e suores. Além de irritar o estômago, podendo causar dores e gastrite. Por isso, um método contra ansiedade é evitar o excesso desses componentes.

    Como tratar ansiedade e depressão com meditação e Mindfulness?

    Mais um método contra depressão, praticar meditação é uma forma potente para relaxar e melhorar seu humor. Existem vários tipos de meditação: livres, guiadas, programa de 20 ou 30 dias, você escolhe! Mas todos eles tem um propósito de auxiliar no tratamento contra a depressão e ansiedade.

    Já o mindfulness também é outro tipo de meditação (que, aliás, vem ganhando muitos adeptos). A diferença aqui é que essa prática é voltada para uma atenção plena. Uma pessoa ansiosa tende a não ter foco e querer prestar atenção em diversas coisas: seja no que vai comer, se pagou as contas, como vai ser suas férias etc.

    Assim sendo, a proposta é que a atenção seja voltada para o momento presente. Nesse sentido, o corpo, a mente e a respiração precisam estar no centro das atenções. A vantagem é que o mindfulness não é restrito a um lugar. O praticante pode estar sentado, em pé ou mesmo andando, desde que a mente esteja focada para o momento presente, mesmo que haja divagações.

    Tipos de Terapia para ansiedade e depressão

    Terapia psicanalítica freudiana

    Agora chegamos à parte terapêutica do processo. Esse tipo de abordagem, como o nome sugere, foi criado por Sigmund Freud. Ela busca estabelecer uma relação profunda entre o terapeuta e o paciente. Assim, o paciente precisará dar detalhes minuciosos da sua vida e dizer quais são as suas aflições.

    Em alguns consultórios, é colocado um divã, para que o paciente não tenha um contato direto com o psicanalista e possa ter algum tipo de bloqueio. Muitas vezes, o tempo da terapia pode levar meses ou até anos. É importante que o paciente considere esse tempo, pois ele irá compartilhar muitas coisas, para que o terapeuta possa descobrir qual é a raiz do problema.

    Terapia Junguiana para tratar ansiedade e depressão

    Esse método procura encontrar no inconsciente sentimentos represados e explicações para o momento daquela pessoa. Sendo assim, ao trazer tudo isso para o consciente, o terapeuta indicará o caminho que o paciente deverá seguir.

    Em alguns momentos, ele irá pedir detalhes sobre os sonhos ou pedir ao paciente para que ele faça um desenho ou algo relacionado à arte. Isso é comum, pois é uma técnica bastante utilizada.

    Terapia Cognitivo Comportamental (TCC)

    O TCC combina partes do Behaviorismo com teorias cognitivas e é um poderoso método para livrar-se da ansiedade. Nesse sentido, o terapeuta vai ajudar o cliente a mudar a visão do mundo, que muitas vezes é pautada por pensamentos próprios, que estão desconectados da realidade

    Ou seja, o objetivo dessa terapia é fazer com o que o paciente enxergue o mundo como ele é. Ademais, os acontecimentos da forma como são e não como eles o afetam. Isso é importante, pois ajuda a mudar a percepção individual, que pode causar dores e traumas.

    Considerações finais sobre ansiedade e depressão

    Você acompanhou neste artigo o método de 8 passos para vencer a ansiedade e a depressão. Essas são práticas muito valiosas, que com certeza, vão ajudar no processo de recuperação daqueles que sofrem bastante com esses problemas. Além disso, o nosso curso EAD de Psicanálise Clínica aborda estes e outros transtornos. Nossos professores são gabaritados e passam um conteúdo completo sobre o tema. Seja um de nossos alunos!

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