como funciona o amor

Amor e paixão são coisas diferentes, complementares, mas distintas.

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Entenda como funciona o amor, levando em consideração que o amor e paixão são coisas diferentes, complementares, mas distintas.

Amor é duradouro, generoso, altruísta, desprendido, singelo, é reciprocidade, é respeito, é abrir mão do orgulho e de ter (sempre) razão, é se doar, é ser presença para o outro, é ser companheiro, é tudo isso e muito mais. Já, a paixão tem prazo para acabar ou reduzir drasticamente, e é biológica.

Quando a pessoa se apaixona, ocorre que sua mente racional, consciente, analítica, crítica e julgadora, reduz a sua preponderância em favor da mente emocional (não-consciente).

Como funciona o amor e o aparelho psíquico: um breve esboço

Pense: o que mais nos livra temporariamente da ditadura da nossa mente racional? Álcool, algumas drogas, e claro, algo bem melhor, contudo, mais difícil de se acessar: o estado de “bliss” (êxtase) peculiar da meditação. Quando você se apaixona vê as cores mais intensas, a vida tem mais “gosto”/”sabor”. Seus sentidos estão mais aguçados. Você fica mais sensível.

Porém, a paixão tem prazo. Dura acerca de 2 anos. E depois? Depois vem a crise. E como supero a crise? Amando. E claro, me reapaixonando. O amor sustenta, mas ainda assim, é preciso que haja paixão. E a paixão deve ser reacesa. Só que, a cada vez, ela perde um pouco do seu ímpeto, enquanto o amor se manifesta de forma mais intensa.

É preciso se reapaixonar a cada crise, mas nunca deixar a paixão falar mais alto do amor. O que segura o casal é o amor, a doação recíproca, o afeto despretensioso e incondicional. Só paixão é fogo de palha. Quando a paixão acaba, a mente racional volta a ser preponderante. Antes estava entorpecida. A paixão é parecida com um estado psicótico temporário. A crise surge do despertar desse estado “alterado” de consciência, um estado expandido, mas “louco”.

Ainda sobre como funciona o amor

Já, o amor é sóbrio, mas não por isso é menos intenso. Em realidade, os dois servem. A paixão deve ser subordinada ao amor, e não o contrário. Porém, amor sem paixão é amizade. E só amizade pode funcionar depois de cinquenta anos de casamento, quando marido e mulher já estiverem velhos.

E veja lá que, vez ou outra, ainda pode dar aquele foguinho!! Mas antes deve haver ambos: amor e paixão, na dose certa.

O grande problema da paixão (louca) é que ela aciona um mecanismo de idealização que, por sua vez, “projeta” no outro (do casal) uma fantasia de perfeição. Não se trata da projeção enquanto defesa do ego, pelo menos não explicitamente, pois a criação de uma ideia e sua associação com a pessoa amada, pode apontar sim para uma forma de defesa inconsciente contra a realidade da imperfeição humana, a qual, percebida com um olhar crítico e analítico, obstacularia a fase do enamoramento.

A crise e como funciona o amor

A crise, justamente, é o gradual retorno ao domínio da razão intelectual (peculiar do sistema consciente, Cs com a primeira tópica freudiana), que durante a fase “paixonal” é reduzida. É o desmoronar de um castelo de areia! É perceber que a pessoa pela qual nós nos apaixonamos é imperfeita, falha…humana! É, principalmente, despertar do torpor, daquele torpor que nos mostrava a realidade com cores mais vivas, e a partir de sensações mais intensas.

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É a volta da “trip”, uma espécie de “hangover” emocional, é o fim da balada, quando, após o último disco, acendem as luzes de vez e todo mundo vai começar a sair do ambiente. Acabou-se a magia, o estado de poesia…“kaputt”!

Daí a reação, às vezes radical, de rejeitar quem antes se “amava”. Mas amor, como já expliquei, é outra coisa! Inclusive, é logo na crise da paixão que o amor, caso exista, conserta e segura a interação, proporcionando a possibilidade da volta da paixão, desta vez menos “louca”. E a cada crise, se o casal persistir (via amor), a paixão é menos brutal, e o amor mais intenso. Ainda assim, há paixão, pois ela é necessária, já que, reitero, “amor sem paixão é amizade”. Há paixão na medida suficiente para que a alquimia do relacionamento continue.

O ser humano paradoxal

O ser humano, inclusive eu, é sempre paradoxal, ou tem ao menos um lado contraditório – sim, também aquelas pessoas que escondem suas contradições e se refugiam por trás de uma fachada de coesão e coerência exacerbada, que um olhar um pouco mais detido já é suficiente para desmontar – e a vida também o é.

Paradoxal, neste contexto, é a minha pretensão de falar sobre amor, de reduzir, de circunscrever, como qualquer outra pessoa que venha a ponderar sobre esse tema, aquilo que não tem como ser dito, conceitualizado, e ainda menos teorizado. Amor só pode ser vivenciado, e paixão, seu alter-ego complementar e necessário, também.

Estas, portanto, são apenas algumas especulações, meras conjeturas, de um aprendiz psicanalista e poeta no tempo livre, que há anos tenta reconstruir os fragmentos de sua vida após um divórcio bastante conturbado.

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    A Psicanálise

    Pelo visto, e também graças à Psicanálise, me parece estar mais perto do que longe. Aceitação é sempre um excelente ponto de partida, cujo alter-ego (para ficarmos em tema) é a ressignificação.

    Aceitação, como me atrevi a teorizar num esboço de modelo terapêutico, é o começo do processo, assim como a ressignificação, após a elaboração via observação (interna, principalmente), é o fim. Amor e paixão, enfim, não se discutem, não se debatem, se experimentam.

    Porquanto óbvio – os pressupostos da boa comunicação exigem não deixar nada ambíguo em aberto – fecho este breve ensaio evidenciando que, em nenhum momento, resolvi associar o amor à razão analítica da esfera consciente, em contraposição à loucura da paixão, que opera em um nível subconsciente (adjetivo!).

    Considerações finais sobre como funciona o amor

    Ambos são não-lógicos e não-conscientes, mas o amor pode ser entendido como a capacidade de afinar a paixão e introjetá-la nos níveis holísticos do emocional e do espiritual (teorizando de novo, isso é mesmo um vício…!), é, para concluir, uma espécie de sublimação que, paradoxalmente, permite que o laço entre o casal sobreviva às crises advindas do esgotamento (natural e inexorável) da paixão bruta e louca.

    Amor é, como a psicanálise, esculpir, retirar, dar uma forma àquilo que forma não tem. E isso sim, preserva, faz prosperar, permite aguentar e, ao mesmo tempo, sustentar o outro na caminhada a dois.

    Por essa e por outras, me desculpem as cambadas de intelectuais tristes e amargurados em suas respectivas crises existenciais (poderia ser mais um, mas meu passatempo poético me liberta dessa filiação patética), amor existe, sim senhores (e senhoras), assim como Deus, que é, Ele mesmo, amor em seu estado mais sublime e verdadeiro. Me perdoem Sartre e a sua digna companheira, Nietzche e tantos outros, de outrora e, muito embora, distintos, tantos outros…de agora.

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    O presente artigo foi escrito por  Riccardo Migliore([email protected]). Doutor em Letras pelo PPGL/UFPB, membro do de pesquisa Grupo Ficções (UFPB), Psicanalista Clínico em fase de supervisão pelo IBPC, pós-graduando em Psicanálise pela Faveni, matriculado no curso avançado Tópicos de Clínica Psicanalítica. Colunista pelo portal do Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica. Também estou numa formação Master em Hipnose Clínica e em outra formação para me tornar Master Practitioner em PNL. Áreas de pesquisa: Psicanálise, Cinema, Dialogismo, Intertextualidade. Atendo como psicoterapeuta nas áreas de: Hipnose clínica, Programação Neurolinguística (PNL), Terapia Quântica e Meditação terapêutica. Pratico Qi Gong e tenho formação como Professor de Meditação.

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