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A COP 26 sob o prisma do divã psicanalítico

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Você já ouviu falar do que seja a cop 26? Em breve artigo, vamos tentar analisar sob o prisma da Psicanálise esse mega evento que ocorreu recentemente e envolveu praticamente o planeta todo.

Entendendo a cop 26

Vários campos do saber estão articulando seus ângulos de compreensão sobre o evento e já encontramos entendimentos na esfera da Filosofia, História, Antropologia, Geografia, Pedagogia, Ciências Políticas, Administração e Contabilidade, Educação, Direito, Psiquiatria, Sociologia, Engenharia, Estatística, enfim, porém, ainda carecemos de enfoques no prisma da Psicanálise. Passamos a indagar: Afinal que evento é esse chamado de ‘COP 26’ e qual a sua importância psicossocial mundial ?

Pois bem, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima em 2021 foi denominada de 26.ª conferência das partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima com a sigla ‘COP26’. Essa conferência ocorre todos os anos, e já se vão mais de 25 anos e este ano de 2021 foi deflagrada no período de 1º a 12 de novembro na cidade de Glasgow, na Escócia, no território da Grã Bretanha (RU-Reino Unido) ao lado da Inglaterra.

A reunião foi originalmente agendada para novembro de 2020, mas em face da pandemia do covid-19 (coronavirus) houve um adiamento e essa conferência incluiu na sua agenda a 15.ª reunião das partes do chamado Protocolo de Quioto, aquele que foi firmado lá no Japão, na cidade de Quito, que versa sobre um tratado internacional com compromissos mais rígidos para tentativa de redução da emissão dos gases que produzem o efeito estufa, que são a causa ‘antropogênica’ ou seja, humana, do atual quadro de aquecimento global (efeito estufa), chamado de CMP-16. E ainda, incluiu também na agenda a reunião de outro acordo, o Acordo de Paris, chamado de CMA-3, tudo dentro da COP- 26. Mas por quê?

A cop 26 e acordos

Porque falharam os dois acordos anteriores pois foi um completo fracasso e aumentaram as emissões de dióxido de carbono que são crescentes desde 1959, quando começaram a ser metrificadas (parametrizadas) medidas pelo indicador geo-ambiental expresso em ‘ppm’, partes por milhão. Então, resolveram colocar dentro da COP 26 esse dois acordos capengas e passados. O acordo de Quioto foi firmado no Japão em dez1997, visando reduzir 5,2% das emissões de dióxido de carbono (Fórmula: CO2) constatada em 1990; e o acordo de Paris, França, foi assinado em NY, EUA em 2005, envolveu 195 países tendo como meta baixar em 1,5º graus Celsius a temperatura global além da ampla cooperação sistêmica numa interface das nações.

A COP-26 foi realizada de forma histórica com a representação e participação de delegações de quase 200 países. A COP26, em síntese, buscou fechar consenso sobre pelo menos 4 objetivos principais: Neutralizar a emissão de gases e manter a temperatura média global diminuindo em 1,5˚C até 2050; os signatários devem apresentar metas ambiciosas de redução de emissões para 2030 com o objetivo de neutralizar a emissão desses gases até a metade do século; proteger os habitas naturais, a flora e fauna, e gerarem a cooperação sistêmica para enfrentar os desafios do clima. Esse é o panorama geral da COP-26. Antes, na fase pré-evento, durante o evento e no pós-evento a avalanche de críticas foram imensas.


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O acordo foi considerado insuficiente, produzido em ambientes fechados, desconectado da capilaridade social, da realidade e dos anseios nacionais. Surgiu a concepção de que o caminho não é mais pelas COP, conferência de partes e que a declaração não é poderosa, mas o resumo de farsantes, falsos verdes, profundamente frustrante e sem perspectivas. Neste sentido e direção o próprio presidente da COP- 26 declarou estar muito frustrado.

A cop 26 e as NDC’s

O evento foi considerado um plano requentado. As metas foram consideradas reduzidas e ações concretas tímidas. A estrela máxima dos movimentos jovens pró-meio ambiente, a menina sueca Greta Thumberg, símbolo mundial pró meio ambiente, atualmente com 18 anos, disse para mídia global: ‘É tudo blá, blá, blá, não acreditamos mais nas COP, nesse instrumento que é uma farsa’.

Os jovens do planeta conectados foram praticamente unânimes de que os organizadores são falsos verdes. cretinos, vigaristas, hipócritas e fizeram um evento eivado de mentiras, mas pelo menos dessa vez resolveram não se comprometerem com metas inatingíveis e fora da realidade como fizeram antes.

Na subparte que tratou das NDC’s, Contribuições Nacionais Determinadas, os críticos divergentes afirmam, foi uma vergonha internacional. Com relação à teoria da emissão zero líquido de CO2,(dióxido de carbono), até 2050 no mundo todo, os jovens rebateram que é a piada do século. Governos se limitaram a declarar que foi uma ‘solução completa’ para o momento e que os ‘acordos são imperfeitos’, que existem ‘pessoas perturbadas’ e arredias, e que uma menina que deseja ser a ‘Penélope charmosa’ não pode pautar as autoridades.

A troca de farpas

A troca de farpas e impropérios foi forte. Os jovens tem entendimento que são os velhos caducos, que estão matando as próximas gerações que querem manter a matriz da fonte fóssil, que não amam seus netos, bisnetos. Para muitos organizadores e colaboradores do evento, a menina sueca Greta é considerada o pivô do descrédito, louca e diabólica, agitadora subversiva ambiental que formou uma massa imensa de contestadores. Porém, muitos governos foram bem realistas em suas avaliações de que a matriz fóssil não dá mais, que o futuro é elétrico.

A menina Greta símbolo mundial da contestação, tem ao seu lado o IPCC que mede as emissões e que ficou constatado o geo-indicador das emissões agravou; era de 419,23 ppm, em ago2020, e já estamos com quase 421,00 ppm (partes por milhão). Estatisticamente, a menina Greta é vitoriosa, isso é ponto pacífico na mídia internacional. Para os críticos, existe um inconsciente coletivo reprimido por um ‘establishment’ pró-matriz fóssil e seus lucros, que são hipócritas em conflito de interesses obscuros e covardes, pois atacam um menina indefesa e jovem e aficionada pelo meio ambiente defensora da fauna e flora.

Isso também demonstra que eticamente a menina Greta também será vitoriosa. A pergunta que não quis calar: ‘Por que estão mentindo para o planeta todo pessoas que são ambiciosas e autocráticas e tiranas? A expansão da ambição comenta mídia internacional, tem sido flagrante, fato admitido pelo presidente de França.

Os atos psicanalíticos

Para os analistas divergentes que desejam manter uma distância de ambos os polos, pró e contra energia fóssil, a crise é uma crise ética e de princípios. Portanto, temos atos psicanalíticos e princípios filosóficos em evidência. Porque os eventos ocorrem, gastam recursos, montam meta e agendas com estoque de tempo cronológico pré-fixados e não se cumpre depois. Para críticos, a reflexão que se impõe seria de buscar a motivação do falar e não fazer ou pelo menos incluírem numa pauta de debate o que impede de cumprirem as metas.

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Não existe a ‘práxis’, ou seja, a teoria é vazia de prática. Num diálogo de Greta com seu pai, no documentário ‘Meu nome é Greta’ a menina diz ao genitor, em linhas gerais, sic, ‘pai, como é pode isso, se reúnem, fazem acordos, brindam e depois ninguém cumpre’. A Psicanálise consegue entender partindo de seu objeto e dos atos psicanalíticos, pois, é da natureza humana, cujo pano de fundo é a crise ética. Toda crise ética é praticamente sempre desencadeada por pessoas que não tem princípios firmes.

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    Pessoas que se agrupam e se reúnem formalmente ou até informalmente, para criar uma narrativa eivada de sofismas e hipocrisias embora possam ter pessoas que o superego indique a falha, mas recalcam nos seus inconscientes baseadas na premissa de argumento de que os fins poderão justificar os meios. Quando confrontadas se limitam a justificar que todos queriam assim e que não poderiam fazer nada, apenas obedecer à lógica imposta e que não possuem nem dolo e nem culpa.

    Um acidente de natureza humana

    Que é um acidente da natureza humana imprevisível, pois não existiria a má-fé ou o animus pré-ajustado em propósitos coletivos de não fazer. Ou seja, a culpa precisa ser socializada. Ora, se todos estão dentro de um mesmo planeta que vaga no Universo em expansão e estamos presos na atmosfera pelo oxigênio, se os ricos querem poluir o que poderemos fazer ?! Isso é o que argumentam perante terceiros. E terminam expondo: ‘não fomos hipócritas apenas concordamos e somos terceiros sem rosto’.

    E quando apontam que são ‘falsos verdes’ argumentam que o mundo todo é de falsos verdes e que mais um ou menos um, não fará diferença. O apelo é pela tentativa de banalização do conceito de meio-ambiental. Outra explicação seria mais da esfera sociológica dos que operam a premissa, ‘ah, não dá nada, tem oxigênio para todos’. Lembrando que as árvores são máquinas naturais de produção de oxigênio e fazem a captura de dióxido de carbono e os desmatamentos continuam de forma acelerada com uso preferencial ainda da madeira.

    Face ao todo exposto, a COP-26 sob o prisma do divã psicanalítico nos demonstra que existe uma crise imensa de confiança social em alta escala internacional e que vivemos uma profunda crise ética, de princípios e valores puxada por atos psicanalíticos, como a exacerbação do egoísmo e ambição humanas e processos de resistências muitos dos quais inconscientes, senão não seriam objeto da Psicanálise, onde pessoas esqueceram que vivemos todos dentro de um mesmo planeta e que somos dependentes das taxas de oxigênio da atmosfera produzidas pelas máquinas naturais, as árvores e que a situação se agrava.

    Considerações finais

    O desafio é fortalecer princípios e valores sociais de forma capilar para impedir as tiranias impostas por elites materialistas existencialistas inconsequentes na busca do lucro voraz com criação de instituições sérias e que sejam maduras e tenham condições de impor freios e limites.

    Este tende a ser o novo pensamento emergente, que as pessoas que estão destruindo o planeta precisam ser contidas e que uma policia ambiental precisa ser fortalecida e se impor e que fora a coerção, leis fortes e tribunais sérios não existe outro caminho.

    A confirmar no futuro, só o tempo nos dará as respostas que precisamos. O tempo é o verdugo juiz de todos nos. E a História nos julgará.

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    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira. Graduado com licenciatura em História e Filosofia. PG em Psicanálise. Realizando PG em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacológica; acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica. Contato via e-mail: [email protected]

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