Meus Gatos exposição

Exposição Meus Gatos, de Cristina Soares e Michelle Diehl

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No dia 02 de Outubro de 2021 foi aberta ao público: Meus Gatos exposição das artistas Cristina Soares e Michelle Diehl. Tive o prazer de observar as obras e envolver-me na insólita narrativa dos felinos místicos retratados nas telas.

Entendendo sobre Meus Gatos exposição

Nesse passeio, me senti convidado a me aventurar pelo universo do Sagrado Feminino. O passeio foi sereno e rodeado por figuras ululantes e felinas, algo particularmente ligado ao mistério e à mulher. Por vinte e oito dias, permaneceram expostos os gatos sagrados e por todo esse tempo eu os visitei diariamente no intento de sacar deles a essência do mistério imbuído em suas pinceladas resolutas e definidas.

Ao fim desse tempo, no dia 30 de Outubro, percebi que a grande mensagem que Meus Gatos trouxe para mim não foi uma resposta, mas, fundamentalmente, uma pergunta. Parafraseando Clarice Lispector, maior do que aquele que descobriu a resposta, me senti profundamente grato, pois descobri a pergunta. E, como Carl Jung afirmou, o Eu é a grande questão em aberto que propusemos para o mundo e para nós mesmos.

Esses foram os Gatos, de Diehl e Soares: os arautos de um mistério impronunciável, que são a Mulher e o Sagrado Feminino. Ao meu ver, como uma pessoa não-binária, entrar em contato com um aspecto ignorado, que é o feminino, foi uma experiência de uma riqueza indefinível.

Meus Gatos exposição e os olhos curiosos

Os olhos curiosos e os cenários insólitos de Meus Gatos agiram como um espelho posto diante de mim a questionarem-me numa pergunta sem palavras. Não se pode definir o que é Sagrado Feminino em conceitos.

Porém a essência dessa ancestralidade é algo que perpassa a existência humana de uma maneira curiosa, pois ele age diluindo as formas do que é pré-concebido e nos obriga a pormo-nos em contato com algo que é sombra. No entanto, não se deve entender essa sombra como algo negativo, senão que tal sombra ocupa um lugar de Mistério e Oculto. Isso é Feminino.

Sob o signo dos Gatos, se escondia um mistério de sacralidade e origem. Esse mistério é o Sagrado Feminino, um elemento de enorme importância não apenas dentro da exposição Meus Gatos, mas também como uma lente possível para se vislumbrar o universo.

A dor de uma Feminilidade feita Alteridade

Não em vão, porém, por detrás dos bigodes felinos das gatas silenciosas, havia uma inevitável nota de uma melancólica contemplação do Ilimitado. Quiçá mirassem a dor de uma Feminilidade feita Alteridade e posta à margem da criação, como no mito de Adão e Eva, no qual o feminino gerador é colocado à margem de um sujeito fálico…

Assim, a sacralidade da gestação e do menino como o primeiro ser que gera a vida é negado e posto como um ser secundário e perverso -uma Eva permissiva e influenciável-… Nesse sentido, há uma associação simbólica entre o Gato e a Mulher, na medida em que ambos sofreram perseguições ao longo da história do ocidente.

O gato e a mulher dialogam em um cenário de íntimas penumbras e refletem sob o signo da Deusa Mãe sobre o mundo que os segrega com complacente paciência aguardando pelo regresso do observador ao seio que o gerou. Por esse viés, o Sagrado Feminino se caracteriza como sendo uma forma identitária de conexão com o Divino. Nesse sentido, a arte aqui proposta é um convite maiêutico ao contato com algo que é sublime e inerente ao próprio ser.

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Considerações finais: Meus Gatos exposição

A história da mulher no Cristianismo se mostrou como uma história de alteridade e não-lugar. Porém, a assunção estética de uma figura emblemática -o gato- como um símbolo válido para a mulher nos faz repensar no poder desse feminino, pois o gato aqui é mais do que o animal doméstico: ele é o emissário independente de uma mensagem universal que é, sobretudo, uma indagação sem palavras acerca do Ilimitado.

Escrever sobre Meus Gatos e o labor dessas duas artistas é um enorme desafio de se traduzir para o preto e branco do papel uma enorme cartela de cores e variações que vacilam entre o evidente e o velado.

Porém, caso eu tivesse que definir em um só termo a enorme complexidade ontológica que Meus Gatos representou para mim, eu diria apenas uma palavra reiterada pela própria artista Michelle Diehl: Maiêutica. Eis o propósito.

Link Para acesso às obras:

https://www.instagram.com/p/CTXKAFbM2fO/?utm_medium=copy_link https://www.instagram.com/p/CUf-I8AF380/?utm_medium=copy_link https://www.instagram.com/p/CUm1Ehwlszx/?utm_medium=copy_link

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    Esse artigo foi escrito por Gabriel Montes, psicanalista egresso do IBPC e acadêmico de Letras e História. Sua área de pesquisa aborda Literatura, Psicanálise, História e Feminilidade. Também atua com atendimento virtual. Contato: [email protected]

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