crise psicossocial

Crise Psicossocial: significado e sinais

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Nesse pequeno artigo sobre crise psicossocial, vamos abordar um tema muito delicado, que ganhou muita tração e destaque social de grande envergadura até global, pois considerado como algo mundial, a crise de princípios e valores, ética e moral, chamada de crise psicossocial.

Vamos responder uma indagação ofertada: “Estamos realmente numa crise psicossocial imensa de princípios, valores, ética e moral?” Este é o tema que vamos, à luz da Psicanálise, ofertar uma resposta.

Vivemos uma crise psicossocial sem precedentes?

Nesse artigo (enfoque ou ensaio), como queira designar os mais eruditos e pessoas do rigor acadêmico, vamos abordar um tema muito delicado, que ganhou nos últimos anos muita atenção e vamos também, entender por que. O destaque social para a questão tem sido de grande envergadura em esferas diversas, porque é um tema mundial e merece um enfoque global.

A crise de valores e princípios onde muitos incluem como sendo da vertente ética e moral, está ancorada numa transição de formação social que considera a natureza humana, portanto mundial.

Vamos examinar o que é uma crise psicossocial; a percepção e a visão dos princípios na atual conjuntura internacional; a transição de modelos de formação social, do moderno para o pós-moderno; a era do cérebro; os valores dentro da ética e moral e como a Psicanálise entende isso e por fim vamos ofertar uma resposta à indagação: ‘Estamos realmente numa crise psicossocial imensa de princípios, valores, ética e moral?’ Para entendermos bem tal situação-problema temos que compreender o que é uma crise psicossocial.

O que é uma crise psicossocial?

Atualmente tem sido lugar comum ouvirmos em todas as instâncias sociais muitas pessoas falando que estamos presenciando e vivenciando uma crise moral, ética e de princípios e valores imensa, profunda, muito grave. E que tal crise tem se ampliado e teria em tese, uma dimensão global. Ora, para se afirmar que temos uma crise imensa de princípios e valores, que estão encaixados no campo da ética e moral temos que admitir que seria em tese e a priori, uma crise psicossocial.

Esta é a porta de entrada na interface da Psicanálise. Porque se não for uma crise psicossocial, seria então, uma crise singular das subjetividades humanas, algo de consultório. Porém como reportam muitos atores sociais de que é uma crise imensa e global, humana e psicológica, estamos então diante de uma crise psicossocial. O ‘psicossocial’ se refere obviamente a relação de convívio social do ponto de vista da Psicologia nas diversas interfaces humanas em todos os pontos geográficos.

O campo chamado de Psicossocial nada mais seria do que um ramo de estudo que abrange os aspectos da vida social em conjunto e numa interface com as ‘ciências P’, (Psiquiatria, Psicologia, Psicanalise e Psicoterapias). Porque fica óbvio e evidente que numa crise psicossocial, as pessoas em comunidade e sociedade estão em tese com transtornos e síndromes psicológicos, pois, o psicossocial está atrelado inexoravelmente a correspondência das relações humanas. Se estamos numa transição.

Escalas e proporções

Pessoas reportam de várias partes do mundo que seria uma crise psicossocial de diversas escalas e proporções, o conceito seria de forma bem concreta uma ‘crise psicossocial’. Muitos analistas entendem que a data 11 de setembro de 2001, seria uma espécie de marco temporal para o enraizamento do conceito em razão do evento que foi uma grande tragédia que se abateu sobre a humanidade.

Foi quando ocorreu o colapso do World Trade Center (WTC) resultado de ataques terrorista com uso de aviões e colisão contra duas torres. O evento é apenas tomado como um marco referencial ou dado divisório para o enraizamento do conceito de forma mais global.

A percepção e visão dos princípios

O mega evento abalou o planeta todo e muitos analistas da História e outras áreas correlatas e afins, em suas reflexões colocam o evento como uma disjunção porque gerou um trauma social. A partir desse grande evento com muitos óbitos, surgiu a percepção e a visão de que o mundo vive uma profunda crise de princípios, valores, ética e moral em todos os sentidos.

Obviamente existem analistas divergentes que levam o tema para a esfera dialética com argumentos de contraposições de que seria o lançamento da bomba atômica no Japão o momento exato dessa nova crise, o que outros refutam e apresentam óbices tendo em vista que lá naquele contexto era uma guerra mundial com milhares de óbitos e um novo banho de sangue humano pior que a Normandia, em França, estava se preparando.

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A bomba seria dissuasória. Ao passo que, no atentado de 11 de setembro de 2001, já estava em transição uma mudança transformadora da nova formação social se instaurando, a pós-modernidade dos tempos líquidos florescente que já vinha solapando paulatinamente e sepultando a modernidade com várias implicações.

Transição da modernidade para pós-modernidade

Esta transição da modernidade para a pós-modernidade dos tempos líquidos foi colocada como o ponto axial, ou seja, o eixo divisor que teria abalado, em teoria evidente, todos os princípios humanos. A escala de valor estaria mergulhada numa crise imensa. Esta seria uma das implicações da disjunção. Alguns teóricos já argumentavam que o próprio Marketing em escala global já vinha corroendo ou oxidando os princípios, os valores, a ética e a moral. As pessoas estavam se transformando em consumidores e ligadas no dinheiro.

O dinheiro passa a ser o grande vetor que vai minar as relações humanas. E minando as relações, vai colocando passo-a- passo e por fases e etapas, de forma gradual, os princípios em xeque. O moderno vai falecendo, figurativamente entra na UTI para morrer, e a pós-modernidade vai desabrochando num ‘devir’ e uma geração fica presa em cima desta placa tectônica rachada, com uma ponte.

Essa ponte é um filtro que vai validando ou invalidando diversas situações que não se coadunam mais com a emergente pós-modernidade e são descartadas, deixadas de lado, alijadas, atiradas ao mar. Alguns analistas já começam a prever que a pós-modernidade será mais curta que a modernidade e pré-modernidade e que vamos para a transmodernidade virtual, digital, já não mais líquida mas, vaporizada, gasosa, eis que seria em teoria a velocidade da expansão do Cosmos, ou o Universo em expansão.

Crise psicossocial e a humanidade

A contrário senso dos analistas da ala que defendem que o Universo estaria em retração e não em expansão e que o sol entrará em óbito e que precisamos achar novas moradas cósmicas, antes da escuridão, ou seja, do óbito do sol. Notem bem as implicações das ‘eras’ com o Cosmos. A humanidade já passou por uma crise similar deste tipo na visão geocêntrica versus heliocêntrica.

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    Sempre repercute no Universo no qual o planeta, uma bola de ferro, terra e água, esta em ‘devir’ permanente (rotação e translação) vagando por uma escuridão chamada de sideral onde o sol é nossa luz e o oxigênio nossa salvação. Seres humanos prisioneiros de uma atmosfera como os peixes, prisioneiros da hidrosfera.

    Era do cérebro como penúltima fronteira antes do Cosmos Diante da transição para uma nova formação social foi colocada uma nova pauta pós-moderna, a era do cérebro que já na verdade estava em marcha no fim da modernidade, no século passado, meados de 1990 e virada do milênio. A penúltima fronteira antes do foco no Cosmos será a era do cérebro. Essa premissa foi apresentada a todo tecido social global em 1998, e os esforços de fato, tem sido no sentido de nivelarem e alinharem tal concepção, antes dos seres humanos finalmente mergulharem no Universo profundo.

    A saúde humana

    A tentativa de não perder a concentração é manter o foco no cérebro tem sido o grande esforço dos pesquisadores ligados à área das ciências da saúde humana. A última fronteira será o Cosmos, o Universo, o Sideral. A penúltima fronteira foi advogada como sendo a ‘era do cérebro’ que deverá ser investigado milímetro por milímetro com ajuda da tecnologia. Isso não descartou em nenhum momento a visão e percepção da crise psicossocial que os humanos estão vivendo.

    Alguns analistas entendem que é preciso sim desconstruir princípios e valores para avançar mais, mas isso nos remete às questões éticas e morais. Novas concepções surgiram, como, por exemplo, pinçando algumas, gravidez ‘in vitro’, sem concurso pênis-vagina. Cirurgias estéticas como a remoção do umbigo. Novos tipos de famílias, opções por eutanásias em certos países, poliamor, droga virtual com óculos de dimensão, mediante pagamento pela viagem psíquica, relações com avatares, metaverso, adoção de replicantes, adoção da cremação com fim da memória entumular (fim dos cemitérios) novas terapias para fazer esquecimento com intervenção cerebral para desligamento de neurônios para evitar sofrimentos, e tudo mais.

    Evidente que tudo isso nos direciona para o conceito de crise psicossocial. Os valores, princípios, a moral e a ética. Este novo quadro emergente da pós-modernidade dos tempos líquidos florescendo onde a modernidade está em franco óbito, já é incontestável, onde não passa na ponte o que foi filtrado e era do domínio moderno; evidente que colocou princípios, valores, a moral e a ética moderna em choque com uma nova ordem, de fato e direito e nos direcionou para uma profunda reflexão.

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    As ciências “P”

    Foram essas novas situações com seus nós ou complicações que nos arrastaram para ações transformadoras engendrando um novo desenlace ou desfecho que nós humanos chamamos de crise psicossocial porque de fato está existindo esse contexto, essa situação-problema.

    Vamos caminhar ‘pari passu’ para um desfecho ou situação adaptativa com essas novas configurações. Por outro lado, existe medo e violência, como formas de reação. A busca crescente será por ajuda das ciências ‘P’ (Esferas Psicológicas).

    A ajuda inestimável da Psicanálise

    Dentro das ‘Ciências P’, ou seja, nos ramos que se dedicam a tratar o psicológico humano e, até o animal ou semoventes, (como a Psiquiatria, a Psicologia, a Psicanálise e as Psicoterapias, a Psicanálise, a Veterinária clínica e demais interfaces, inter, pluri, multi, trans, polidisciplinares), a Psicanálise notadamente esta já sendo chamada para dar a sua cota inestimável de contribuição e ajuda capilar social.

    Vale salientar que quando falamos em psicologia animal, dos semoventes, o fizemos para não excluir os bichos que também estão ficando estressados, doentes, e emitindo pelas suas linguagens peculiares os seus alarmes de sensores de instintos, de que natureza está mal, pressentimento animal, idem o meio ambiente está sendo devastado. A flora além da fauna, também nos comunicando coisas. Existe o que denominados de ‘Gaia’, o planeta que é um ser vivo.

    Os vírus, as bactérias, os protozoários, as algas, os fungos, germes se rebelaram. Tivemos uma pandemia e já estão antevendo e prevendo outra. Evidente que este todo global engendrou o que chamamos de uma poderosa crise psicossocial de dimensão planetária. Onde houver um humano conectado existirá a crise psicossocial. A Psicanálise que tem seu objeto no inconsciente e labora também, no plano racional e emocional, sentimental singular e social está sendo convocada para se somar sinergicamente com demais campos do saber nessa batalha para tentar minorar a crise psicossocial.

    Conclusão: sobre nossa crise psicossocial

    Diante de tudo que foi exposto para leitura, reflexão e consideração vamos ofertar uma opção de resposta para a indagação que foi feita, qual seja, “estamos realmente numa crise psicossocial imensa de princípios, valores, ética e moral?” Entendemos que estamos numa transição da modernidade em declínio para a pós-modernidade florescente, onde existe uma ‘ponte de ligação’ que está filtrando tudo o que poderá passar para essa nova plataforma e o que deverá ser alijado, não poderá mais ter curso e marcha, acabou seu tempo.

    Alguns falam em prazo de validade vencidos e obsoletos na realidade ciclos vencidos. E isto vale até para tecnologias superadas, obsoletas, em depreciação, como analógicas manuais. Não existe mais sentido do rádio de válvula, dizem muitos técnicos, no jargão pop; ou do quadro negro, do tapa-pó e do giz em face do quadro eletrônico, do metaverso e os avatares, do 3D, da era da internet e seus recursos e aplicativos, na era do 5G e da robótica e dos algoritmos, do cérebro.

    Contudo, vale ressaltar que existem valores imutáveis que não poderemos jamais perder de vista e tentar a ruptura. A nova formação social pós-moderna dos tempos líquidos esta trazendo consigo novos conceitos, novos valores, engendrando uma ética e uma moral diferenciada, porém, isso não implica que venha ocorrer o colapso de princípios e valores enraizados, como o valor à vida, honestidade, respeito mútuo, patrimônios, saúde, franqueza e sinceridade, a verdade, o próximo, a busca de Deus ou uma espiritualidade.

    A crise psicossocial na pós-modernidade

    Não podemos jamais colocar em xeque-mate esses sagrados princípios em nome de uma pós-modernidade rumando para uma transmodernidade, onde tudo será ‘trans’. Muitos ficam assustados quando uma pessoa se dizente progressista emite um juízo de que, não queria ser homem e será mulher, fazendo a reverter do sexo ou mudando o fenótipo porque o genótipo é impossível.

    Ou uma mulher argumentando fazer a gestação virtual, fora de si, com seu óvulo e esperma num balão especial e que um robô deverá ser contratado para cuidar de seu filho porque não tem estoque de tempo e comprou um sítio em Marte. São os novos tempos.

    Entretanto, existem princípios, valores, uma ética e uma moral clássica que sempre será imutável. Resta ainda expor, que de fato estamos realmente numa crise psicossocial global, mas, em razão da transição da modernidade para a pós-modernidade.

    Artigo escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira, Licenciado em História e Filosofia. PG em Psicanálise. PG em Filosofia Clínica, PG em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica. Cursando Neuropsicanálise. Contato via e-mail: [email protected]

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