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Instrumentalidade para cura da alma

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Ao longo da história o dialogo entre psicanalise e religião nunca foi fácil. As posições de cada ciência, os preceitos e muitas vezes os próprios interesses fizeram com que blindassem cada lado. Ao olharmos para a religião, olhamos como o individuo deve se comportar diante de sua fé, e a psicanalise mostra quem é esse indivíduo. Ambas se apresentam como instrumentos para a cura da alma de um indivíduo.

Entendendo a cura da alma

Durante anos e anos, Freud era irmão do diabo para alguns líderes religiosos, pois era permissivo, imoral e que só falava de sexo e suas demências sexuais. Um “pré-conceito” foi plantando na cabeça de religiosos sem ao menos abrir a visão para entender a fundo sua funcionalidade e importância para entender quem é e como funciona o indivíduo.

Mas o que há de comum entre a psicanálise e a religião? Ao responder esta pergunta fica explícito que as duas caminham paralelas com o mesmo alvo: entender a alma. O conceito de psicanalise tem como preceito hermenêutico dentro de uma cosmovisão, entender melhor o ser humano e o trabalho de levar a consciência do individuo ao seu requalque.

A religião, essa na visão da Teologia Reformada, nem sempre se mostrou sensível as questões psicanalíticas, mas será necessário vencer múltiplas resistências, esclarecer importantes conceitos conceptuais e acima de tudo superar preconceitos arraigados, para finalmente poder entender que tanto a religião quanto a psicanalise como instrumentalidade neutra que não tem, nem deve ter, intenções de reduzir ou apoiar a fé ou inflamar uma ciência contra a outra.

A cura da alma, Psicanálise e a religião

É fascinante acompanhar o dialogo entre Freud e outros nomes da psicanálise como Oskar Pfister, Melaine Klein, Carl Jung, Jacques Lacan, Donald Winnicott autores que têm em seus escritos, estudos que dialogam com os que são apresentados pela psicanálise, no que diz respeito à constituição do sujeito.

O próprio Freud em um momento de dialogo com Pfister (1909-1939), se curva a essa instrumentalidade entre a psicanalise e a religião escrevendo: “A psicanalise em si não é religiosa nem antirreligiosa, mas um instrumento apartidário do qual tanto o religioso como o laico podem servi-se, desde que aconteça tão somente a serviço da libertação dos sofredores”.

Quando olhamos para o campo da psicanalise contemporânea, vimos uma contribuição com outras ciências, na busca de uma formação mais pluralista. Um grande exemplo dessa contribuição de outras ciências, esta a psicanalise e a religião: enquanto a religião fala, acolhe, orienta, ajuda nas necessidades humanas, a psicanalise ouve e ajuda a interpretar as neuroses e fobias.

Religião e a cura da alma

Na medida que caminhamos ao lado da religião e da psicanalise, podemos compreender com uma cosmovisão única. Tanto a terapia psicanalítica, quanto a terapia espiritual, tem a compreensão e missão que aspiram a libertação mutuamente da alma e espírito.

Na medida que ocorre esse dialogo em que ambas buscam não só libertar mas também curar o indivíduo, elas devem conjugar, apesar das diferenças, pelos mesmos resultados. A religião permanece sendo um grande desafio para a psicanalise, mas também a psicanalise ainda ignore muita coisa sobre as diversas modalidades de experiência religiosa.

De qualquer maneira, podemos sim dialogar entre a religião e a psicanalise. No ponto em que nos encontramos hoje, em meio a uma crise humana derivada pelas neuroses, recalques e as histerias, parece que somente pela via da interrogação mútua, abrindo mão das resistências, formulando questões da alma, e abrindo-se ao dialogo com o outro, é que podemos avançar cada vez mais nessa instrumentalidade a serviço da libertação e cura dos sofredores.

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Psicanálise e religião

Uma das ideias do dialogo entre a psicanalise e a religião, está o grande desafio de enfrentarem as diferenças e resistências de ambos os lados, e assumir de forma madura e respeitosa oferecendo os ouvidos e escutar o que cada uma pode ser usada em favor da cura e libertação do indivíduo.

Usando novamente um grande Psicanalista e pastor Oskar Pfister logo após a morte de seu amigo Freud e pouco antes de sua própria morte escreveu sobre o seu sentimento diante da religiosidade e da teimosia analítica, dizendo que seu maior desejo era que a psicanálise fosse propriedade comum a todos os pastores, para que pudesse cair todas as barreiras levantadas entre a religião e a psicanalise.

Infelizmente vimos hoje, líderes religiosos que estão agarrados nas questões eclesiásticas e dogmas ao invés de se preocuparem com as almas dos seres humanos. E também por outro lado, temos um ramo da psicanalise que centrou primordialmente sua atenção a critica mais radical a religião.

Conclusão

Neste panorama de receio e desconfiança em relação a psicanalise e a religião, uma luta travada por anos, podemos ao mesmo tempo encontrar nessa nova visão contemporânea uma esperança na potencialização tanto da religião quanto da psicanalise em caminhar lado a lado, com um dialogo interminável dentro de um debate madura, reformado e libertador.

Podemos iniciar essa nova instrumentalização usando poder curativo da fé, mas os conhecimentos científicos da psicanalise. Caminhemos nessa construção de uma parceria entre religião e psicanalise

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    O presente artigo foi escrito por Thiago Assumpção – Educador Físico; Teólogo; Pastor; Capelão Escolar; Psicanalista. [email protected] / 31-99720-8019

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