cura da depressão

A Cura da Depressão

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Hoje entenderemos sobre a cura da depressão. Atualmente, a depressão tem se tornado uma das doenças mais estudadas no mundo inteiro. O interesse de pesquisadores, médicos, psicólogos e profissionais de diversas áreas por este transtorno se deve ao aumento expressivo do número de pessoas sendo diagnosticadas com o passar dos anos.

Entendendo sobre a cura da depressão

A depressão foi considerada pela Organização Mundial de Saúde “a doença do século”. Este órgão estima que em 2030 a depressão será a doença mais comum do mundo. Até o presente momento, de acordo com a ciência não há cura definitiva para depressão, pois é uma doença classificada como crônica, logo, os esforços da medicina em geral é para tratar a doença, e diminuir o impacto da mesma na vida das pessoas.

A depressão é uma doença que tem causas multifatoriais. Há estudos que comprovam a influência da genética e também de fatores psicológicos e ambientais. Há diversos tipos de depressão (leve, moderada ou grave), mas os sintomas em geral são os mesmos, variando na intensidade.

Transtorno de humor, desmotivação, insegurança, isolamento social, tristeza profunda e constante, apatia, entre outros. A depressão em seus níveis mais graves, afeta a vida funcional de seus portadores, inferindo na atuação da profissão, nos relacionamentos interpessoais e na satisfação pessoal.

A cura da depressão e Freud

Em alguns casos, a depressão pode levar à morte através do suicídio. O tratamento oficial da depressão inclui o uso de medicamentos antidepressivos prescritos especialmente por médicos psiquiatras, acompanhado de terapia realizada por algum profissional específico da área.

A psicanálise tem um olhar excêntrico sobre a depressão. Freud explica em sua tese sobre a constituição do ID, que o mesmo é composto por dois grandes instintos primitivos, que seria o Eros e o Tanatos, ou seja, respectivamente o instinto que impele à vida e o instinto que impele à morte.

Não é incomum encontrar pessoas depressivas afirmarem que desejariam a morte, que se odeiam, ou mesmo que se automutilam. Na depressão, é possível confirmar o que Freud disse, que o ID não somente é direcionado para a conservação da vida e satisfação dos prazeres, como também pode conduzir a um caminho de autodestruição.

O papel do ID

O Id é totalmente inconsciente, portanto não segue nenhuma regra ou cronologia. O ID por vezes encontra prazer no desprazer. Um exemplo disso é: o triste que gosta de ser triste, ou o pobre que gosta de ser pobre. Parece ilógico, e realmente é irracional se analisarmos esse conceito de acordo com a consciência, mas o ID é regido pelo inconsciente e tem seu modo próprio de funcionamento.

É comum vermos pessoas em situações de extrema dificuldade, que as causam danos reais, optando por permanecer vivendo essas experiências. Um exemplo disso são pessoas que vivem em relacionamentos tóxicos e abusivos, ou pessoas que são viciadas em entorpecentes químicos.

Ao olhar de maneira externa e superficial para a situação dessas pessoas, o primeiro pensamento lógico e racional é o de se questionar o porquê essas pessoas insistem em fazer coisas que as prejudicam, ou porque elas não resolvem dar um basta e sair dessas situações desagradáveis.

A Psicanálise e a cura da depressão

A psicanálise explica esse fenômeno através da teoria de que existem alguns impulsos instintivos nos seres humanos que os direcionam para a destruição, como mencionado anteriormente.

Outra explicação é que o ego não gosta de mudanças, porque mudar requer maior gasto de energia e esforço para conseguir alcançar uma nova adaptação. Logo, mesmo que algumas pessoas se encontrem em situações de extrema calamidade, muitas delas não decidem tomar atitudes que as façam sair dessas situações, porque elas já se adaptaram ao sofrimento, e lutar para se livrar dele causaria um desconforto maior, despenderia energia, foco, esforço, entre outros.

Sendo assim, o ego decide ficar com aquilo que lhe é familiar, mesmo que o familiar seja doloroso. É como se o ego dissesse: “esse tipo de dor eu já conheço, e já sei lidar bem, tudo bem conviver com ela”.

A luta contra a doença

Muitas pessoas que enfrentam a depressão acumulam anos de luta contra a doença. Depois de um tempo, parte desses indivíduos passam a incorporar a depressão como um traço de personalidade, ou como um animal de estimação. Podem soar estranhas essas definições, mas a adaptação ao transtorno é tão intensa em algumas pessoas, que elas passam a ter o entendimento de que há uma fundição entre elas e o transtorno.

Não há separação entre “eu tenho depressão” e “eu sou depressivo”. É como se o indivíduo quisesse informar: “esse é meu destino, eu não existo sem a depressão, ela é parte de mim”. Essas pessoas são aquelas que normalmente se apegam ao ganho secundário da doença.

Como por exemplo: receber atenção especial, cuidado, carinho por parte dos familiares e amigos ao redor. Outro exemplo seria o fato de se ter uma desculpa para não conseguir alcançar objetivos e permanecer na zona de conforto. Sendo assim, para essas pessoas não seria tão vantajoso se livrar da depressão, já que ela também traz alguns supostos benefícios.

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    O funcionamento do superego

    Os apegos não se restringem apenas aos ganhos secundários, podendo abranger também o sofrimento. Há indivíduos que se apegam à dor, por viverem tantos anos cercados de tristeza e experiências dolorosas, acabam por se adaptar à vida sofrida. Eles costumam acreditar e se conformar com o desconforto causado pela dor, muitos deles acreditando que merecem passar por essas situações difíceis.

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    Esse mecanismo é explicado através do funcionamento do superego, que normalmente leva as pessoas a se sentirem culpadas, e consequentemente merecedoras dos castigos da vida. A autodestruição e a autopunição é um caminho traçado por elas. Isso pode explicar o porquê algumas pessoas resistem ao tratamento que se direciona para a cura da depressão.

    Muitas delas se sentem indignas de alcançar a tão famigerada “cura”, pois inconscientemente elas acreditam que merecem ter depressão. O processo de cura da depressão se assemelha a uma pessoa que passou anos trancada num quarto escuro, e que quando é resgatada e tem a oportunidade de sair para um lugar iluminado pela luz do sol, se recusa a deixar o ambiente trevoso em que vivia porque afirma sentir um incômodo muito grande nos olhos quando é exposta à luz do sol.

    Conclusão sobre a cura da depressão

    É preciso ter coragem para ser iluminado em meio à escuridão, para permitir que a luz alcance as sombras e mostre o caminho para a saída. É preciso coragem para sair da caverna e se aventurar em uma nova realidade que não se restringe apenas à dor. É preciso ter coragem para abrir mão do sofrimento que o acompanhou durante toda a vida, porque não faz mais sentido carregá-lo como um fardo pesado. A grande questão não é sair do trauma, porque mesmo quando a situação que causou o trauma já passou, ele insiste em deixar os afetos reverberando até o momento presente.

    Muitas vezes, o indivíduo consegue sair da situação traumática, mas a situação traumática permanece nele. As pessoas compreendem que deixando ir o trauma, estão abrindo mão de quem são, mas o que é necessário compreender é que não somos o que aconteceu conosco, mas o que decidimos fazer com o que nos aconteceu.

    É preciso coragem para decidir trilhar o caminho da felicidade e dizer para si mesmo: “eu não preciso mais da dor para me proteger, eu posso ser feliz, eu mereço ser feliz, eu quero ser feliz”.

    Esse artigo sobre cura da depressão foi escrito pela aluna Ivana Oliveira (e-mail: [email protected]) do curso de Psicanálise Clínica.

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