Depressão em Crianças: Um Olhar Psicanalítico

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Você sabia que a depressão em crianças é um fato que vem acontecendo constantemente? Apesar de ser uma condição que acomete mais os adultos, a depressão em crianças tem se tornado algo frequente e que precisa ser falado.

Pensando nisso, preparamos este texto para que você possa entender um pouco mais acerca da depressão em crianças. E ainda, como a Psicanálise enxerga essa situação. Por isso, continue lendo para saber tudo à respeito!

As Transições do Indivíduo

O ser humano já nasce com uma função social. Até porque, inicialmente essa estrutura é no seio da família, e com a transição, flui ao mundo externo. Sendo o ambiente de vida familiar uma base de sua formação.

O que o cerca, valores, impressões, emoções, sentimentos. Até porque são construtores de aprimoramentos que irão eclodir em sua vida adulta. A mãe não exerce uma função única de alimentação, mas repassa seus valores e cultura. O que por si geram o ambiente que será a base de transformação da criança.

As interações pessoais têm grande relevância nesse processo, como o carinho, abraço, aconchego, segurança, onde a criança aprende com o que o cerca.

Percebe-se também que a mudança não é imediata. Isso porque há um processo de transição onde, elementos das duas realidades convivem, levando o tempo necessário para a sua dissociação. Nesse caso, pode se notar alguns objetos de transição, como brinquedos, chupetas, panos, ou qualquer objeto que tenha um significado emocional para a criança.

O Processo do Amadurecimento

No processo de amadurecimento da dependência absoluta até a relativa, Winniccot dividiu em três fases: integração, personificação e início das relações objetivas.

A criança em seu ambiente familiar, inicia seu entendimento das relações, emoções, necessidade, criações de sua memória. Amadurece a relação quando na sua transição para o mundo externo a família, identificando novas necessidades, relações extrafamiliares, novos conceitos.

Atingindo então a fase de relacionamentos próprios e de relativa dependência. Sem ligações com seu núcleo familiar.

Primeiros Estudos Psicanalíticos da Depressão em Crianças

Segundo Donald Winnicott (1896-1971), “o meio exerce influência fundamental para o desenvolvimento psicoemocional da criança”. Isso porque trabalhando com crianças separadas dos pais pela guerra, ele criou e determinou conceitos como integração. Que caracteriza-se como um processo fundamental desde um estado de dependência absoluta até a personalização.

Nesse processo, utilizou do conceito de mãe suficientemente boa. Na qual ela é capaz de fornecer ao bebê tudo que seja fundamental ao seu desenvolvimento, sem excessos ou falta. Desta forma auxiliando na sua transição entre o mundo imaginário e o real, conforme sua declaração em 1964: “O bebê não existe”.

A criança não existe só, é parte de um conjunto, de uma relação. Se há um desequilíbrio nessa relação. Que seja entre a ausência ou excesso de interferência, irá causar uma desordem psíquica, O que levará a condutas antissociais, em busca de um equilíbrio inconsciente.

Winnicott acreditava que a fase de transição da criança dependentemente absoluta para sua integração com o mundo real, a figura da mãe era fundamental. Onde através dela, o bebê receberia os parâmetros de que o ajudaria a constituir sua vida.

Depressão em Crianças na Atualidade

Com essa ideia de Winniccot, podemos correlacionar para os dias modernos, a separação das crianças de seus pais pela guerra. Com as famílias que se encontram divididas entre diversos afazeres, como as atividades profissionais, atividades sociais, educação, entre outras.

Uma posição que deixa as crianças sob a tutela de escolas, cuidadores, influências midiáticas (TV, internet, etc). Fazendo assim com que a transição do mundo imaginário para o real, seja incompleta ou mesmo deficiente.

Associado ainda ao despreparo de muitos pais. Que muitas vezes trazem consigo conceitos desestruturados. Frutos de traumas próprios, de idealizações de um meio social equivocado, não propiciam o necessário amadurecimento da criança.

Os pais em si já trazem conceitos distorcidos, e com a modernização da sociedade, apenas amplificam essas distorções para o seio da família.

Sob essa percepção, podemos então relacionar alguns casos de depressão em crianças a essa condição desfavorável. Que se dá por meio a maturação da personalidade.

Podemos ainda correlacionar a atual condição da sociedade, com casos mais prematuros de depressão em crianças. Onde a desestruturação da célula familiar, dos conceitos inerentes a maternidade.

Como as sobrecargas emocionais diárias, dos grupos multifamiliares, a uma dificuldade de amadurecimento, ou mesmo a imposição precocemente forçada de amadurecimento.

Causas da Depressão em Crianças nos dias Atuais

A evolução da sociedade sempre há de colocar novos parâmetros na vida. Seja nas relações sociais e/ou familiares. Isso porque esse é o propósito do amadurecimento, e dificilmente encontra-se um ponto de equilíbrio na questão da elaboração do ser humano.

O conceito de mãe suficiente criado por Winniccot, hoje já é diferente em sua aplicação, dada às questões da sociedade. Mas mantém sua base, onde vemos que os núcleos familiares se modificam, perdendo então características.

A sociedade muda suas necessidades, e seu modo de interação. Até porque, com o advento da globalização, há um misto imenso de culturas e diversidades. A criança fica sujeita a certas condições familiares, como guardas compartilhadas, disputas dos pais, profissões exigentes, falta de integração, entre muito outros fatores

E ainda adicionando a cultura digital, que promove uma tendência de criação de um mundo “paralelo” virtual. Onde os espelhos das crianças estão mergulhados em mundo irreal, muitas das vezes com a criação de um alter ego para fugir de sua situação atual. Auxiliando desta forma por influenciar negativamente nessa transição da criança.

A depressão em crianças ocorre por diversos fatores. Porém atendo-se a esse conceito de Winniccot, um desequilíbrio na influência do filho, causa uma expectativa errada no momento da transição.

Alguns Sintomas da Depressão em Crianças

A percepção da busca de novas relações, são influenciadas por comportamentos erráticos dos pais. Gerando no jovem e adolescente uma contradição com o mundo real.

Em alguns casos de desequilíbrio psicológicos e tendências a comportamentos antissociais, podem levar em alguns casos a perda da vontade de viver – pois acaba percebendo que “o mundo não gosta dele”

A deterioração das relações vêm se multiplicando pelas gerações, pois alguns fatores estão sendo ignorados. É comum o pai dizer que dará ao filho tudo que ele não teve quando era criança. Porém não compreende que a ausência dessas coisas fará que a criança busque sua conquista. Moldando assim sua personalidade.

Outra coisa que se ouve nos dias de hoje, quando o jovem encontra-se numa situação difícil, é a frase: Não sei o que aconteceu, dei tudo a ele. A facilidade do ter é tão grande, que se contrapõe a realidade da vida, que exige sacrifícios e responsabilidades.

Concluindo…

Nessa questão vê-se a família que cria a criança, ausente das necessidades, das responsabilidades. Sendo assim, o jovem trilha por um caminho antissocial, ou então, entra em depressão. Levando em consideração que suas vontades, e desejos, não se realizam da sua maneira.

O depressão no adulto pode ser consequência de uma criação com parâmetros deficientes. Mas na criança e no jovem, essa é uma realidade. Há de se ter a evolução da sociedade, da cultura. Por isso, temos que manter certos princípios e conceitos para que possamos oferecer a criança o suporte para uma vida adulta plena.

Fonte: Material do curso de psicanálise e http://www.revistaeducacao.com.br/donald-winnicott-e-interacao-entre-o-bebe-e-seu-meio-ambiente/

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